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Volatilidade do açúcar: alta com petróleo e queda por safra global recorde

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O mercado global do açúcar enfrenta um período de forte volatilidade, com oscilações nos contratos futuros influenciadas tanto pela valorização do petróleo quanto pela perspectiva de uma safra global superavitária. Entre quinta (23) e sexta-feira (24), os preços passaram de altas impulsionadas por combustíveis para quedas diante de projeções de oferta robusta.

Petróleo em alta impulsiona preços do açúcar

Na quinta-feira (23), os contratos futuros do açúcar subiram nas bolsas internacionais, acompanhando a valorização superior a 5% do petróleo, que também impactou os preços da gasolina e do etanol. Segundo o portal Barchart, o barril de petróleo atingiu o maior valor em duas semanas, reflexo do endurecimento das sanções dos Estados Unidos e da União Europeia contra a Rússia, o que pode reduzir a oferta global de combustíveis fósseis.

A valorização do petróleo tende a favorecer o etanol, levando usinas a destinarem mais cana à produção de biocombustível e, consequentemente, reduzindo a oferta de açúcar. No Centro-Sul brasileiro, o mix de cana direcionado ao açúcar segue acima de 50%, mantendo a produção pressionada. A consultoria DATAGRO projeta aumento de 4% na produção de açúcar em 2026/27, mantendo proporção semelhante à atual.

Bolsas internacionais: açúcar em alta
  • ICE Futures (Nova York): o contrato de março/26 avançou 19 pontos, sendo cotado a 15,29 centavos de dólar por libra-peso, enquanto o de maio/26 subiu 17 pontos, para 14,78 centavos.
  • ICE Europe (Londres): o açúcar branco teve alta de US$ 3,30 no contrato de dezembro/25, chegando a US$ 437,80 por tonelada, e o contrato de março/26 subiu US$ 3,50, para US$ 433,40.
  • Mercado interno: o açúcar cristal registrou alta de 0,23%, com a saca de 50 quilos negociada a R$ 112,28, segundo o Indicador Cepea/Esalq (USP).
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Queda do açúcar diante de safra global robusta

Na sexta-feira (24), o cenário se inverteu. O contrato de março/26 em Nova York voltou a se aproximar de 14 centavos por libra-peso, refletindo pressão de uma oferta global robusta e perspectivas pessimistas para o setor. Outros contratos também registraram queda: maio/26 a 14,50 centavos (-1,89%) e julho/26 a 14,37 centavos (-1,78%). Em Londres, o contrato de dezembro/25 recuou para US$ 430,90 por tonelada (-1,58%).

O recuo se explica pelo aumento da produção, especialmente no Brasil. A Unica informou que a produção de açúcar do Centro-Sul do Brasil na segunda quinzena de setembro cresceu 10,8% em relação ao mesmo período do ano passado, com o mix de cana destinado ao açúcar subindo para 51,17%. A Datagro projeta que a produção da região em 2026/27 poderá alcançar 44 milhões de toneladas, um aumento de 3,9% sobre a safra anterior.

Perspectiva de excedentes globais pressiona preços

Além do aumento da produção, a perspectiva de excedentes globais mantém os preços pressionados. A Covrig Analytics estima um excedente de 4,1 milhões de toneladas em 2025/26, enquanto o BMI Group projeta até 10,5 milhões de toneladas. Com isso, o mercado se mostra bem abastecido, limitando movimentos altistas.

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Com preços internacionais pressionados e custos de produção elevados, muitas usinas estão adiando a fixação de preços para exportação, aguardando condições de mercado mais favoráveis. Especialistas alertam, porém, que vender açúcar ou etanol a preços ainda mais baixos no próximo ano é um risco real caso o cenário atual se mantenha.

Fatores climáticos e decisões estratégicas

O mercado também acompanha atentamente as condições climáticas no Brasil, que podem impactar o desenvolvimento dos canaviais. Embora as chuvas de outubro tenham retornado de forma tímida, o clima nos próximos meses será determinante para a produtividade da safra 2026/27.

Enquanto isso, o setor enfrenta um momento crítico de tomada de decisões estratégicas para lidar com a oferta abundante e os preços pressionados, equilibrando a produção de açúcar e etanol diante de um cenário global incerto.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil registra alta de 7,1% nas exportações no 1º trimestre e agronegócio lidera resultado histórico

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O Brasil iniciou 2026 com forte desempenho no comércio exterior. No primeiro trimestre, as exportações somaram US$ 82,3 bilhões, alta de 7,1% em relação ao mesmo período de 2025. As importações totalizaram US$ 68,2 bilhões, resultando em um superávit de US$ 14,2 bilhões, o terceiro maior da série histórica para o período, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex/MDIC).

Em março, o ritmo foi ainda mais intenso. As exportações cresceram 10% na comparação anual, alcançando US$ 31,6 bilhões, enquanto as importações avançaram 20,1%, chegando a US$ 25,2 bilhões. A corrente de comércio atingiu US$ 56,8 bilhões, com expansão de 14,3%.

Agronegócio lidera exportações e alcança maior resultado da história

O principal destaque do trimestre foi o agronegócio, que registrou US$ 38,1 bilhões em exportações, o maior valor já apurado para os meses de janeiro a março.

A soja em grãos liderou os embarques, com 23,47 milhões de toneladas, volume 5,9% superior ao registrado no mesmo período de 2025.

A China manteve a liderança como principal destino dos produtos do agro brasileiro, respondendo por quase 30% das exportações do setor, com US$ 11,3 bilhões.

Diversificação de mercados fortalece exportações brasileiras

Além da China, outros mercados ganharam relevância no período. As exportações para a Índia cresceram 47,1%, enquanto Filipinas registraram alta de 68,3% e o México avançou 21,7%.

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A ampliação dos destinos comerciais é vista como um fator positivo para a resiliência da pauta exportadora brasileira, especialmente diante das incertezas no cenário global.

Indústria extrativa e de transformação também contribuem para o crescimento

A indústria extrativa, que inclui petróleo e minérios, apresentou crescimento de 22,6% no trimestre, sendo um dos principais motores da expansão das exportações em termos nominais.

Já a indústria de transformação registrou avanço de 2,8%, contribuindo de forma complementar para o resultado geral do comércio exterior.

Exportações para os Estados Unidos caem com impacto de tarifas

Em contraste com o desempenho geral positivo, as exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram 18,7% no primeiro trimestre, totalizando US$ 7,78 bilhões. A corrente de comércio bilateral também caiu 14,8%.

O resultado reflete os impactos de sobretaxas impostas ao longo de 2025. Apesar de uma decisão da Suprema Corte dos EUA, em fevereiro, ter invalidado parte das tarifas mais elevadas, os efeitos sobre o fluxo comercial ainda persistem.

Uma nova ordem executiva publicada em fevereiro de 2026 isentou cerca de 46% das exportações brasileiras dessas sobretaxas. No entanto, aproximadamente 29% ainda permanecem sujeitas às tarifas da Seção 232, que incidem sobre produtos como aço e alumínio.

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Projeção indica novo recorde nas exportações brasileiras em 2026

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) projeta que o Brasil encerre 2026 com exportações de US$ 364,2 bilhões, o que representaria um novo recorde e crescimento de 4,6% em relação a 2025.

As importações devem atingir US$ 292,1 bilhões, com alta de 4,2%, resultando em um superávit estimado de US$ 72,1 bilhões no ano.

Cenário global exige estratégia e gestão de riscos no comércio exterior

Apesar dos números positivos, o cenário internacional segue desafiador. Fatores como volatilidade cambial, incertezas nas cadeias globais de suprimento e os impactos ainda presentes das tarifas americanas exigem atenção das empresas.

Segundo especialistas, a gestão eficiente do câmbio e dos riscos associados ao comércio internacional passa a ser um diferencial estratégico.

“Para as empresas que operam no comércio exterior, a questão não é mais se haverá volatilidade, mas como se preparar para ela”, avalia Murilo Freymuller, Head Comercial Corporate do banco Moneycorp.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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