Agro
USDA projeta corte na produção e estoques finais de milho dos EUA para a safra 2025/26
O mercado global de milho segue atento ao relatório de oferta e demanda do USDA, que será divulgado nesta sexta-feira (12), no início da tarde (horário de Brasília). Segundo analistas consultados por agências internacionais, a produção norte-americana de milho na safra 2025/26 deve totalizar 16,511 bilhões de bushels, abaixo dos 16,742 bilhões de bushels estimados em agosto. A produção da safra 2024/25 foi de 14,867 bilhões de bushels.
A produtividade média esperada para a nova safra dos EUA é de 186,1 bushels por acre, inferior aos 188,8 bushels por acre projetados em agosto e acima dos 179,3 bushels por acre registrados em 2024/25.
Estoques finais dos EUA e projeção global
Os estoques finais de passagem da safra 2025/26 nos Estados Unidos devem ser indicados em 2,022 bilhões de bushels, abaixo dos 2,117 bilhões de bushels projetados anteriormente. Para a safra 2024/25, os estoques finais de passagem passaram de 1,305 bilhão para 1,308 bilhão de bushels.
No cenário global, os estoques finais da safra 2025/26 devem atingir 282,2 milhões de toneladas, ligeiramente abaixo das 282,5 milhões de toneladas previstas em agosto. Para a safra 2024/25, os estoques finais globais são estimados em 284,4 milhões de toneladas, contra 283,1 milhões de toneladas do relatório anterior.
Produção brasileira de milho deve crescer 20,9% em 2024/25
No Brasil, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma produção total de milho de 139,695 milhões de toneladas na temporada 2024/25, alta de 20,9% em relação à safra anterior, de 115,5 milhões de toneladas.
A área cultivada está estimada em 21,857 milhões de hectares, aumento de 3,8% sobre os 21,051 milhões de hectares da temporada passada. A produtividade média prevista é de 6.391 quilos por hectare, crescimento de 16,5% em relação ao ano anterior, que registrou 5.487 quilos por hectare.
A Conab detalha que a primeira safra deve somar 24,935 milhões de toneladas, alta de 8,6% sobre os 22,962 milhões de toneladas da safra anterior. A segunda safra, ou safrinha, deve alcançar 112,032 milhões de toneladas, aumento de 24,4% em relação às 90,057 milhões de toneladas colhidas na temporada anterior. A terceira safra deve totalizar 2,727 milhões de toneladas, crescimento de 8,5% sobre os 2,48 milhões de toneladas da safra passada.
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos
Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.
Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.
No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.
Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.
O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.
No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.
Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.
Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.
Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.
A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.
O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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