Agro
Usando IA, Embrapa e UnB “encontram” 13 mil hectares abandonados no Cerrado
Um estudo técnico divulgado semana passada pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em parceria com a Universidade de Brasília (UnB), identificou mais de 13 mil hectares de áreas agrícolas abandonadas no município de Buritizeiro entre 2018 e 2022. O volume equivale a cerca de 5% da área agrícola local no início do período e revela um movimento silencioso no Cerrado: terras que deixam de produzir por perda de viabilidade econômica.
O levantamento utilizou imagens do satélite Sentinel-2, da Agência Espacial Europeia, combinadas com inteligência artificial para identificar mudanças no uso da terra. O modelo atingiu 94,7% de acurácia, nível considerado elevado para esse tipo de análise, permitindo separar áreas produtivas, vegetação nativa e terras efetivamente abandonadas.
O dado mais relevante para o produtor está na origem desse abandono. Segundo o estudo, 87% das áreas eram antigas plantações de eucalipto voltadas à produção de carvão vegetal. A atividade perdeu competitividade nos últimos anos, pressionada por custos logísticos mais altos, encarecimento de insumos e redução da atratividade econômica.
Em paralelo, o estudo não identificou abandono relevante em lavouras anuais, como soja e milho. Na prática, isso indica que sistemas mais intensivos, com maior tecnologia e acesso a mercado, seguem sustentando a produção mesmo em um ambiente de custos mais elevados.
A leitura econômica é direta: áreas com menor produtividade ou mais dependentes de preço acabam sendo as primeiras a sair da atividade. Em regiões com clima mais irregular e solo de menor potencial, o aumento do custo de fertilizantes, corretivos e transporte pesa mais e pode inviabilizar a continuidade da produção.
Para além do diagnóstico, o levantamento aponta um possível destino para essas áreas. Terras abandonadas podem ser incorporadas a programas de recuperação ambiental, integração produtiva ou geração de crédito de carbono, agenda que vem ganhando espaço no Brasil e no mercado internacional.
Os pesquisadores fazem uma ressalva: parte dessas áreas pode estar em pousio — prática de descanso do solo — e não necessariamente fora da produção de forma definitiva. Ainda assim, o volume identificado e a concentração em determinadas atividades indicam uma tendência relevante de reorganização do uso da terra no Cerrado.
Para o produtor, o recado é objetivo: a permanência na atividade está cada vez mais ligada à eficiência produtiva, gestão de custos e escolha correta do sistema de produção. Em um cenário de margens mais apertadas, áreas menos competitivas tendem a sair do mapa — ou precisarão encontrar novos usos para voltar a gerar renda.
Fonte: Pensar Agro
Agro
São Paulo Innovation Week 2026 reúne lideranças do agro para debater inovação, capital e sustentabilidade no setor
O agronegócio brasileiro terá destaque central na agenda de inovação durante o São Paulo Innovation Week 2026. O evento contará com uma trilha exclusiva dedicada ao setor, reunindo lideranças que influenciam diretamente os rumos da produção, da tecnologia e dos fluxos de capital no campo.
A conferência se apresenta como a mais relevante já realizada dentro de um evento de inovação no país, reforçando a integração entre agronegócio, mercado financeiro e tecnologia.
Curadoria reúne especialistas do Insper e referência em estratégia no agro
A curadoria da programação é assinada por Marcos Jank, professor sênior do Insper e coordenador do Insper Agro Global, um dos principais nomes brasileiros em comércio internacional e agronegócio.
Ele atua em conjunto com Ana Paula Malvestio, conselheira de empresas e referência em estratégia no setor, na definição dos temas e participantes do encontro.
Embrapa e líderes da indústria impulsionam debates sobre tecnologia no campo
Entre os destaques da programação está Sílvia Massruhá, presidente da Embrapa, primeira mulher a liderar a instituição e responsável por parte relevante da inovação agrícola tropical no mundo.
No setor industrial, o evento reúne:
- Beto Abreu, presidente da Suzano
- Maurício Rodrigues, responsável pela Bayer CropScience na América Latina
- Marcelo Batistela, vice-presidente de soluções para agricultura da BASF no Brasil
A programação deve abordar inovação tecnológica, produtividade e transformação da agricultura.
Liderança feminina e visão do produtor rural ganham espaço na programação
O debate contará ainda com Tereza Vendramini, pecuarista e ex-presidente da Sociedade Rural Brasileira, primeira mulher a ocupar a presidência da entidade em mais de um século de história.
Sua participação reforça a importância da visão do produtor rural na construção das estratégias do setor.
Economia global e geopolítica reforçam papel estratégico do agronegócio
O cenário econômico e geopolítico será analisado por Marcos Troyjo, economista, diplomata e ex-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (Banco dos BRICS).
A discussão reforça o posicionamento do agronegócio como ativo estratégico em um ambiente global cada vez mais competitivo.
Sistema financeiro e agenda ESG ampliam debate sobre investimentos no agro
A interface com o sistema financeiro será representada por João Adrien, head de ESG Agro do Itaú BBA, que também atua como produtor rural.
A agenda climática e de investimentos contará com Raphael Falcioni, managing director da Just Climate, gestora global focada em soluções para a transição climática.
Inovação em agtechs e venture capital ganham destaque
O ecossistema de inovação será representado por Alexandre Stephan, sócio da SP Ventures, uma das principais gestoras de agfoodtech da América Latina.
O foco da discussão será o papel do venture capital no desenvolvimento de soluções tecnológicas para o agronegócio.
Segurança alimentar e impacto social completam a agenda do evento
O impacto social do setor será abordado por Geyze Diniz, economista e cofundadora do Pacto Contra a Fome.
A discussão conecta produtividade no campo, acesso à alimentação e segurança alimentar em escala global.
Agronegócio se consolida como plataforma de inovação e influência global
Mais do que reunir executivos, pesquisadores e investidores, o São Paulo Innovation Week 2026 evidencia uma mudança estrutural no setor.
O agronegócio brasileiro deixa de ser apenas uma potência produtiva e passa a atuar como plataforma de inovação, capital e influência global.
Em um cenário marcado por desafios climáticos, energéticos e de segurança alimentar, o evento posiciona o agro no centro das decisões estratégicas da nova economia.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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