Agro
Trigo: Preços sob Pressão no Brasil com Perspectiva de Oferta Global Recorde
Preços Nacionais em Queda Livre: Oferta e Câmbio Pressionam
Os preços do trigo no mercado brasileiro mantêm uma trajetória de enfraquecimento. Essa pressão é resultado principalmente da oferta nacional e das expectativas positivas de produtividade para a safra atual.
A desvalorização do dólar agrava o cenário, tornando o trigo importado mais competitivo. Com isso, os compradores intensificam a negociação para adquirir o produto nacional a valores ainda menores.
Oferta Global Recorde Aumenta Competitividade Externa
O cenário internacional reforça a pressão sobre os preços domésticos.
- Produção Mundial: O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta um crescimento de 3,5% na produção mundial de trigo, atingindo o volume recorde de 828,89 milhões de toneladas na safra 2025/26.
- Argentina: A Bolsa de Cereales reajustou sua projeção de produção para 24 milhões de toneladas, o que também representa um recorde no país vizinho.
Pesquisadores do Cepea destacam que essa ampla oferta externa e a possibilidade de o Brasil aumentar as importações da Argentina devem continuar a pesar sobre os preços, tanto mundiais quanto nacionais.
Chicago Sobe Apoiada por Ajustes Técnicos e Grãos Fortes
Em contraste com o enfraquecimento no Brasil, a Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) para o trigo fechou a sessão de segunda-feira (17/11/2025) em alta. O movimento foi motivado por ajustes técnicos, com investidores recompondo posições após a queda de 1,6% observada no pregão anterior.
A alta ganhou suporte adicional do comportamento positivo das commodities correlatas, como soja e milho, o que ajudou a reforçar o clima de recuperação no setor de grãos.
- Contratos de Março/26: Fecharam a US$ 5,58 1/2 por bushel, com alta de 17,00 centavos de dólar (3,13%).
- Contratos de Maio/26: Encerraram a US$ 5,68 1/4 por bushel, com alta de 16,25 centavos de dólar (2,94%).
Ampla Oferta Limita Ganhos na CBOT
Apesar da alta técnica, o ambiente fundamental na CBOT permanece limitado pela percepção de ampla oferta global. A surpresa no mercado ocorreu após o USDA elevar expressivamente a produção e os estoques norte-americanos para 2025/26.
- Produção dos EUA: Estimada em 1,985 bilhão de bushels, acima da projeção anterior de 1,927 bilhão de bushels.
- Estoques Finais dos EUA: Aumentaram para 901 milhões de bushels, bem acima dos 862 milhões esperados pelo mercado.
Traders agora aguardam a divulgação do relatório semanal de condições das lavouras dos EUA, que fornecerá uma nova leitura sobre o avanço do trigo de inverno.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Integração Lavoura-Pecuária na safrinha pode maximizar uso de pastagens e elevar rentabilidade no agro
A expansão dos sistemas de Integração Lavoura-Pecuária (ILP) no Brasil deve ganhar ainda mais força na safrinha de 2026, impulsionada por um cenário de ajustes no calendário agrícola e mudanças no mercado de grãos e da pecuária. A combinação entre atraso na colheita da soja em algumas regiões, pressão sobre a janela ideal do milho e preços mais atrativos na pecuária tem levado produtores a buscar alternativas mais eficientes de uso da terra.
O tema é analisado por Hemython Luis Bandeira do Nascimento, engenheiro agrônomo, doutor em Zootecnia e gerente de P&D e Inovação da SBS Green Seeds, que destaca que o momento exige decisões mais técnicas para maximizar a produtividade dos sistemas integrados.
Segundo o especialista, o cenário atual reforça o uso de milho ou sorgo consorciados com forrageiras, ou até mesmo o cultivo exclusivo de pastagens após a soja, prática conhecida como “boi safrinha”, ampliando a oferta de alimento ao rebanho durante o período seco.
ILP ganha espaço com foco em produtividade e sustentabilidade
A Integração Lavoura-Pecuária tem se consolidado como uma estratégia eficiente para aumentar a rentabilidade e melhorar a sustentabilidade dos sistemas produtivos.
De acordo com Hemython Luis Bandeira do Nascimento, a ILP proporciona benefícios diretos tanto para a agricultura quanto para a pecuária. Entre eles estão a formação de palhada para o sistema de plantio direto, melhoria da estrutura do solo e oferta de pastagem de qualidade durante a entressafra.
O resultado é um sistema mais equilibrado, capaz de reduzir riscos climáticos e econômicos, ao mesmo tempo em que mantém a produtividade em diferentes ciclos produtivos.
Controle de plantas daninhas é decisivo no estabelecimento do pasto
Um dos primeiros pontos de atenção no sistema ILP é o manejo adequado das plantas invasoras. Segundo o especialista, o capim implantado deve ser tratado como uma cultura agrícola, exigindo manejo técnico desde o início do desenvolvimento.
O controle precoce de plantas daninhas e tigueras é essencial para evitar competição por luz, água e nutrientes, garantindo rápido estabelecimento da forrageira e maior produtividade do sistema.
Lotação animal deve ser calculada com base na oferta de forragem
A definição da taxa de lotação é um dos fatores mais importantes para o sucesso do “boi safrinha”. O equilíbrio entre oferta de pasto e número de animais determina a eficiência do sistema e evita tanto a superlotação quanto o subaproveitamento da área.
O engenheiro agrônomo explica que o ideal é realizar uma amostragem de forragem cerca de uma semana antes da entrada dos animais, permitindo estimar a massa disponível de pasto.
Com base nesses dados, no tempo de permanência dos animais e no peso médio dos lotes, é possível calcular a capacidade de suporte da área (UA/ha), garantindo manejo adequado ao longo do ciclo de pastejo.
Momento correto do pastejo influencia produtividade e formação de palhada
O início do pastejo é um ponto crítico dentro do sistema ILP. Pastagens muito altas tendem a apresentar maior proporção de colmos e fibras, reduzindo a qualidade nutricional e comprometendo o desempenho animal.
Além disso, o excesso de altura pode prejudicar o perfilhamento e afetar a formação da palhada necessária para a safra seguinte.
No caso da Brachiaria ruziziensis, Hemython Luis Bandeira do Nascimento alerta que o acamamento pode ocorrer quando a planta está muito desenvolvida, reduzindo a eficiência do pastejo. Por isso, recomenda-se a entrada dos animais com a forrageira em torno de 50 cm de altura.
De forma geral, o primeiro pastejo deve ocorrer quando a pastagem atinge a altura ideal de manejo de cada cultivar, priorizando maior proporção de folhas e melhor aproveitamento da forragem.
Adubação de pastagens na safrinha deve ser avaliada com cautela
Segundo o especialista, na maioria dos casos não há necessidade de adubação de cobertura nas pastagens de safrinha. O residual de nutrientes deixado pela cultura anterior geralmente é suficiente para o estabelecimento inicial do capim.
Outro fator limitante é o regime de chuvas, que tende a ser menor nesse período, reduzindo a eficiência da adubação e o aproveitamento dos nutrientes aplicados.
Suplementação deve considerar qualidade da forragem da ILP
Mesmo no período seco, os pastos formados em sistemas ILP mantêm alto valor nutritivo, com características próximas às pastagens de verão. Isso exige ajustes na suplementação animal para equilibrar o desempenho do rebanho.
O especialista reforça que a oferta de suplemento deve ser compatível com a qualidade da forragem disponível, evitando desperdícios e melhorando a eficiência alimentar do sistema.
Manejo correto garante palhada e sustentabilidade do sistema
Ao final do ciclo de pastejo, é fundamental evitar o uso excessivo da área. Deve permanecer um volume residual de forragem suficiente para a formação de palhada, etapa essencial para o plantio direto da cultura seguinte.
A recomendação técnica é manter entre 3 e 5 toneladas de matéria seca por hectare após a saída dos animais, garantindo boa cobertura do solo, maior retenção de umidade e controle eficiente de plantas daninhas.
ILP se consolida como estratégia de intensificação sustentável
A correta condução dos sistemas de Integração Lavoura-Pecuária reforça o potencial da ILP como ferramenta de intensificação sustentável no agronegócio brasileiro.
Com manejo técnico adequado, o produtor consegue maximizar o uso da área ao longo do ano, aumentar a produtividade animal e agrícola e ainda melhorar a saúde do solo, tornando o sistema mais resiliente frente às variações climáticas e de mercado.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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