Agro
Trigo mantém mercado volátil no Brasil e no exterior com negociações pontuais no Sul
Mercado do trigo no Sul apresenta negociações pontuais
O mercado de trigo na região Sul do Brasil registrou negociações moderadas, influenciadas por fatores como volatilidade de preços, câmbio e limitações de armazenamento. Dados da TF Agroeconômica indicam movimentos distintos entre os estados produtores durante a semana.
No Rio Grande do Sul, o mercado se manteve mais retraído devido às oscilações recentes. Apesar disso, foram reportadas vendas de cerca de 4 mil toneladas, com preços entre R$ 1.150 e R$ 1.180 FOB. Há ainda interesse de compradores para a safra futura 2026/27, com cotações em R$ 1.200 sobre rodas no porto de Rio Grande. No interior, o preço de referência avançou para R$ 55 por saca em Panambi.
Em Santa Catarina, a semana foi considerada estável, mas com pressão por liberação de espaço nos armazéns. Foram registrados negócios pontuais de trigo melhorador a R$ 1.250 FOB, enquanto o trigo tipo 2 teve cerca de 150 toneladas negociadas a R$ 1.050. Nos balcões pagos aos produtores, os valores variaram de R$ 59 a R$ 64 por saca, dependendo da localidade, com destaque para Xanxerê em R$ 64 e São Miguel do Oeste em R$ 62,75.
No Paraná, a valorização de 1,62% do dólar encareceu as importações de trigo e farinha. As negociações internas ocorreram em torno de R$ 1.350 CIF moinhos, com entregas previstas entre maio e julho. A principal limitação no curto prazo é a falta de espaço nos moinhos, que reduz o volume de moagem e de vendas de farinha.
Preços internacionais e ofertas externas
No mercado externo, ofertas de trigo argentino seguem disponíveis no porto de Paranaguá a US$ 275 por tonelada, com retirada até 15 de abril e acréscimo de US$ 15 por tonelada a cada dez dias após esse prazo. O custo de reposição calculado, incluindo frete, demurrage e armazenagem, é de aproximadamente US$ 286 por tonelada.
Além disso, há disponibilidade de farinha argentina armazenada em Barracão (PR), ofertada ao mercado interno, reforçando a oferta externa como fator de influência nos preços domésticos.
Contratos futuros em Chicago iniciam dia com oscilações
O mercado de trigo na Bolsa de Chicago (CBOT) iniciou o pregão de sexta-feira (13) com leves oscilações, mantendo a volatilidade observada nas últimas sessões.
- Contrato maio/26: US$ 5,97/bu, queda de 14 pontos
- Contrato julho/26: US$ 6,08/bu, recuo de 1 ponto
Segundo a Reuters, os contratos agrícolas têm sido influenciados por fatores macroeconômicos recentes, especialmente o comportamento do mercado de energia, como a alta do petróleo, que impacta custos de produção e logística do setor.
Além disso, operadores seguem atentos a movimentações de fundos e ajustes técnicos após forte volatilidade nas bolsas agrícolas, enquanto geopolítica e commodities energéticas continuam a influenciar diretamente a dinâmica de preços do trigo.
Cenário volátil exige atenção de produtores e investidores
O ambiente de volatilidade tanto no Brasil quanto no exterior reforça a necessidade de atenção de produtores e investidores. No Sul do país, o ritmo moderado de negócios e a pressão de armazenagem indicam ajustes pontuais nos preços. No mercado internacional, os contratos futuros acompanham fatores macro e energéticos, alternando ganhos e perdas conforme as expectativas de oferta e demanda do cereal se ajustam.
O mercado brasileiro de trigo segue sensível a cotações externas, câmbio e logística interna, enquanto a Bolsa de Chicago continua a servir como referência global para investidores e agentes do setor agrícola.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Reino Unido amplia pressão e setor do agro brasileiro reage a novas restrições à carne
O agronegócio brasileiro enfrenta um novo cenário de pressão no comércio internacional após a decisão da União Europeia (UE) de suspender, a partir de setembro, as exportações de carne brasileira, somada ao anúncio de que o Reino Unido também avalia impor restrições adicionais ao produto nacional.
O movimento conjunto dos mercados mais exigentes do mundo acende um alerta no setor pecuário e reforça a necessidade de adequação às regras sanitárias internacionais, especialmente no que se refere à rastreabilidade, uso de antimicrobianos e comprovação de conformidade produtiva.
Pressão internacional exige maior comprovação sanitária do Brasil
Especialistas avaliam que o principal desafio do Brasil não está apenas no cumprimento formal das normas, mas na capacidade de demonstrar, de forma auditável e contínua, que toda a cadeia produtiva atende aos padrões exigidos por mercados como o europeu e o britânico.
De acordo com a coordenadora de contratos e agronegócios do CSA Advogados, Ieda Queiroz, a União Europeia adota critérios rigorosos baseados em evidências verificáveis.
“A UE não trabalha com presunção de conformidade; ela exige evidências. Sem demonstrar, de forma verificável, o uso adequado de antimicrobianos e a rastreabilidade animal, o impacto será duradouro — e afeta a credibilidade global do país”, afirma.
A especialista ressalta que o avanço das restrições britânicas reforça que o tema não é pontual, mas sistêmico dentro do comércio internacional de proteínas animais.
“Quando outro mercado de alta exigência sanitária sinaliza restrições, fica claro que a governança sanitária brasileira está sob escrutínio internacional”, acrescenta.
MAPA articula resposta técnica para evitar ampliação das restrições
Diante do cenário, o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) trabalha na consolidação de relatórios técnicos para responder às exigências das autoridades europeias e buscar a reversão das medidas anunciadas.
A estratégia do governo envolve a apresentação de dados sobre controle sanitário, práticas de produção e sistemas de fiscalização adotados no país.
No entanto, especialistas destacam que a reabertura ou manutenção de mercados dependerá diretamente da capacidade de comprovação prática de conformidade ao longo de toda a cadeia produtiva da carne bovina.
Rastreamento e uso de antibióticos seguem no centro do debate
Embora o Brasil possua regulamentação que proíbe o uso de antibióticos como promotores de crescimento na pecuária, esse fator, isoladamente, não é suficiente para atender às exigências dos mercados europeu e britânico.
As autoridades internacionais também demandam rastreabilidade individual dos animais, auditorias independentes e documentação completa de todas as etapas do processo produtivo, desde a origem até o abate e processamento.
Segundo especialistas, a diferença entre a legislação vigente e a implementação prática desses controles ainda representa um dos principais entraves para o acesso pleno a mercados mais rigorosos.
“A distância entre norma e prática ainda é grande”, avalia Ieda Queiroz.
Competitividade da carne brasileira pode ser impactada
O aumento das exigências internacionais ocorre em um momento em que o Brasil ocupa posição de destaque no comércio global de proteínas animais, com forte participação em mercados da Ásia, Oriente Médio e Europa.
No entanto, a ampliação das barreiras sanitárias pode impactar diretamente a competitividade do setor, caso o país não consiga comprovar com robustez a conformidade de seus sistemas produtivos.
Especialistas alertam que a manutenção e expansão da presença brasileira no mercado internacional dependerá cada vez mais de transparência, rastreabilidade e alinhamento com padrões globais de governança sanitária.
Setor agropecuário entra em fase de adaptação e resposta
O cenário reforça a necessidade de adaptação estrutural do setor agropecuário brasileiro, especialmente na pecuária de corte, que depende fortemente do mercado externo.
A tendência é de maior pressão por sistemas integrados de controle, digitalização de processos e fortalecimento de auditorias independentes, com foco na comprovação de origem e conformidade sanitária.
Com a União Europeia avançando em restrições e o Reino Unido sinalizando medidas semelhantes, o Brasil enfrenta um momento decisivo para consolidar sua reputação como fornecedor global de carne dentro dos padrões exigidos pelos mercados mais rigorosos do mundo.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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