Agro
Tensões comerciais e queda do ouro pressionam bolsas da China e Hong Kong
As bolsas da China e de Hong Kong fecharam em queda nesta quarta-feira (22), refletindo a desvalorização do ouro nos mercados internacionais e a persistência das tensões comerciais entre Pequim e Washington. O movimento negativo afetou principalmente empresas ligadas ao setor de metais não ferrosos.
Desempenho dos principais índices asiáticos
Em Xangai, o índice SSEC caiu 0,07%, enquanto o CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, recuou 0,33%. Já o Hang Seng, de Hong Kong, encerrou o pregão com queda de 0,94%, aos 25.781 pontos.
No Japão, o Nikkei registrou leve baixa de 0,02%, a 49.307 pontos. Em Taiwan, o Taiex recuou 0,37%, enquanto o S&P/ASX 200, da Austrália, caiu 0,71%, a 9.030 pontos. Em contrapartida, algumas praças tiveram desempenho positivo: o Kospi, de Seul, subiu 1,56%, e o Straits Times, de Cingapura, avançou 0,32%.
Ações ligadas ao ouro entre as maiores quedas
O setor de metais não ferrosos foi um dos mais impactados pela desvalorização do ouro no cenário global. O subíndice da indústria no CSI recuou 1,34%, com destaque para a Western Region Gold, que caiu 4,93%.
Apesar da recente correção, o ouro ainda acumula alta superior a 50% em 2025, impulsionado por fatores como as incertezas geopolíticas e econômicas e pela expectativa de cortes nas taxas de juros nos Estados Unidos, o que mantém o interesse dos investidores por ativos considerados seguros.
Relações entre China e EUA continuam no radar dos mercados
As tensões comerciais entre as duas maiores economias do mundo seguem no centro das atenções. O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que pretende se reunir com o presidente chinês Xi Jinping nas próximas semanas para tratar de diversos temas, embora tenha admitido que o encontro ainda não esteja confirmado.
A indefinição em torno dessa reunião aumenta a cautela dos investidores e reforça a volatilidade nos mercados asiáticos.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos
Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.
Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.
No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.
Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.
O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.
No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.
Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.
Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.
Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.
A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.
O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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