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Tecnologia química impulsiona produtividade do agronegócio e amplia pressão sobre indústria nacional

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Agronegócio brasileiro cresce apoiado em tecnologia e eficiência produtiva

O avanço da produtividade no agronegócio brasileiro — setor responsável por quase metade das exportações do país — tem sido cada vez mais associado à intensificação tecnológica, com destaque para a aplicação da química no campo e na indústria.

Em 2025, o setor atingiu US$ 169,2 bilhões em exportações, o equivalente a 48,5% das vendas externas do Brasil. O resultado não se deve apenas à ampliação de área cultivada, mas principalmente aos ganhos de eficiência ao longo de toda a cadeia produtiva.

Cadeia sucroenergética é destaque em ganhos de escala e eficiência

Um dos principais exemplos desse movimento é a cadeia sucroenergética, considerada uma das mais estruturadas do agronegócio brasileiro.

Na safra 2025/26, o setor registrou produção de 30,8 bilhões de litros de etanol e mais de 40 milhões de toneladas de açúcar. Os maiores grupos do segmento chegam a processar mais de 240 milhões de toneladas de cana por safra.

Esse volume expressivo depende de elevado nível de eficiência operacional, que envolve desde o manejo agrícola até o controle dos processos industriais, com uso intensivo de soluções químicas aplicadas à fermentação, controle microbiológico e aumento de rendimento.

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Embrapa e FAO destacam papel da tecnologia na produtividade agrícola

Segundo a Embrapa, os ganhos de produtividade no Brasil nas últimas décadas estão diretamente ligados à adoção de tecnologias que permitem aumentar o rendimento por hectare sem expansão proporcional da área cultivada.

Dados da FAO indicam que o país está entre os que mais elevaram a produção agrícola com base na intensificação tecnológica.

Química tem papel estratégico na eficiência do campo e da indústria

Especialistas do setor destacam que a química exerce função transversal nesse processo, contribuindo tanto para o aumento da produtividade agrícola quanto para a eficiência industrial.

Para Antonio Carlos Degan, da indústria química voltada ao setor sucroenergético e com atuação também no mercado externo, o diferencial está na aplicação técnica das soluções.

“A química, por si só, não resolve o problema. O que gera resultado é a aplicação técnica, desenvolvida junto com o cliente. Quando você entende o processo da usina ou do produtor, você melhora rendimento, reduz perdas e ganha eficiência real”, afirma.

Indústria química enfrenta desafios de competitividade e dependência externa

Apesar do avanço tecnológico no campo, o setor industrial químico opera em um cenário de crescente pressão competitiva.

O Brasil ampliou a dependência de insumos importados nos últimos anos, enquanto empresas nacionais enfrentam desafios como custo de produção elevado, carga tributária e forte concorrência internacional.

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De acordo com a Associação Brasileira da Indústria Química, o país mantém déficit estrutural na balança comercial do setor, reflexo da perda de competitividade frente a mercados como China e Estados Unidos.

Inovação passa a ser fator essencial de permanência no mercado global

Nesse contexto, a produtividade deixou de ser um diferencial competitivo e passou a ser condição essencial de permanência no mercado global.

“Hoje você compete com o mundo inteiro. Se não evoluir em tecnologia e eficiência, você perde espaço. A inovação não é mais escolha, é sobrevivência”, destaca Degan, que também atua em mercados internacionais com padrões técnicos mais rigorosos.

Indústria química amplia atuação como parceira técnica do agronegócio

Além do fornecimento de insumos, a indústria química vem ampliando sua atuação como parceira técnica do setor produtivo.

O foco passa a incluir o desenvolvimento de soluções específicas para cada etapa da produção, reforçando a integração entre tecnologia, conhecimento técnico e ganhos consistentes de eficiência em toda a cadeia do agronegócio.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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MP das dívidas rurais entra na reta final sem garantir renegociação aos produtores

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A Medida Provisória 1.376/2026, criada para permitir a renegociação de mais de R$ 100 bilhões em dívidas rurais, entra nesta semana em uma fase decisiva no Congresso sem que produtores tenham acesso amplo e uniforme às novas linhas de crédito. A partir de sábado (29.08), o texto passa a tramitar em regime de urgência e começa a bloquear a votação de outras matérias na Câmara dos Deputados.

O primeiro período de vigência da MP termina em 12 de setembro. O prazo pode ser prorrogado por mais 60 dias caso a votação não seja concluída, mas o calendário expõe a distância entre a urgência financeira das propriedades e o ritmo de execução da medida. A comissão mista encarregada de analisar o texto foi instalada em 12 de agosto e ainda precisa aprovar um parecer antes que a proposta siga para os plenários da Câmara e do Senado.

Enquanto o Congresso discute alterações, os produtores enfrentam dificuldades para transformar a autorização legal em contratos. A regulamentação do Conselho Monetário Nacional (CMN) foi publicada em 23 de julho, mas a portaria que permitiu ao Tesouro Nacional equalizar as taxas de juros saiu apenas em 13 de agosto, quase um mês depois da edição da MP.

A Portaria 2.423 autorizou limites próximos de R$ 25,8 bilhões para operações com juros subsidiados. Os recursos foram distribuídos entre dez bancos e sistemas cooperativos, incluindo Banco do Brasil, Banrisul, Banco da Amazônia, Banco de Brasília, Banpará, Sicoob, Sicredi, Cresol, Credicoamo e Banco DLL.

A publicação retirou um dos principais entraves regulatórios, mas não tornou a contratação automática. Cada instituição ainda precisa organizar seus procedimentos internos, verificar o enquadramento das dívidas e analisar a capacidade de pagamento, o risco e as garantias apresentadas pelo produtor. Até agora, não foi divulgado um balanço nacional consolidado que mostre quanto dos R$ 25,8 bilhões já se converteu efetivamente em contratos.

A diferença entre o volume autorizado e o tamanho do problema também aumenta a pressão. Levantamento elaborado a partir de informações do Banco Central aponta que o crédito rural acumulava R$ 197,2 bilhões em saldos considerados problemáticos em junho, equivalentes a aproximadamente 22,5% da carteira ativa.

Desse total, R$ 38,1 bilhões estavam inadimplentes, R$ 20,9 bilhões correspondiam a operações em atraso, R$ 31,6 bilhões haviam sido prorrogados e R$ 106,4 bilhões estavam em financiamentos já renegociados. Os números indicam que o valor disponível nas linhas subsidiadas poderá atender apenas a uma parcela da demanda.

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O próprio Banco do Brasil, principal financiador do campo, identificou uma carteira potencial de até R$ 100 bilhões que poderia ser enquadrada na medida. O montante envolve aproximadamente 113 mil clientes, entre produtores inadimplentes e tomadores com contratos anteriormente prorrogados ou renegociados.

A MP atende produtores rurais e cooperativas de produção agropecuária que comprovem perdas em pelo menos duas safras entre 2019 e 2025. Também é necessário demonstrar redução mínima de 30% da renda bruta esperada, causada por eventos climáticos extremos ou pela queda dos preços dos produtos financiados.

A comprovação depende de laudo elaborado por profissional legalmente habilitado. Esse requisito é um dos pontos questionados por representantes do setor, principalmente em regiões nas quais as perdas foram generalizadas e já reconhecidas por levantamentos oficiais, decretos de emergência e registros das próprias instituições financeiras.

Pelas regras gerais, agricultores familiares enquadrados no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) podem contratar até R$ 400 mil, com juros de 6% ao ano. Para os médios produtores do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp), o limite é de R$ 2 milhões, com taxa de 9%. Os demais produtores podem acessar até R$ 4 milhões, com juros de 12% ao ano.

Nessa modalidade, o prazo de pagamento chega a oito anos, com a primeira amortização do principal dois anos depois da contratação. Os juros, contudo, precisam ser pagos durante o período de carência.

Há condições melhores para produtores que comprovem perdas mais severas. Quem registrar prejuízos em pelo menos três safras, provocados por eventos climáticos extremos, e redução mínima de 40% da renda poderá obter prazo de até dez anos. Os limites chegam a R$ 500 mil no Pronaf, R$ 2,5 milhões no Pronamp e R$ 8 milhões para os demais produtores, com taxas de 5%, 8% e 11% ao ano, respectivamente.

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Mesmo preenchendo os requisitos, o produtor não tem aprovação garantida. O risco das operações continua sob responsabilidade das instituições financeiras, que podem exigir novas garantias ou negar o crédito após a análise. Essa condição ajuda a explicar por que a existência de recursos autorizados não significa que todo produtor endividado conseguirá aderir.

O prazo para contratação termina em 12 de novembro. Como parte desse período já foi consumida pela regulamentação, produtores e entidades do setor alertam para o risco de concentração dos pedidos nas últimas semanas, demora na análise dos documentos e esgotamento dos limites disponíveis em determinadas instituições.

No Congresso, a quantidade de propostas de mudança revela a insatisfação com o alcance do texto original. A MP recebeu 144 emendas. Entre as alterações sugeridas estão a inclusão de mais operações de investimento, capital de giro e Cédulas de Produto Rural (CPRs), a ampliação das datas de enquadramento, a redução das exigências para comprovação das perdas e a extensão dos prazos de pagamento.

Também há pressão para que a medida contemple produtores que renegociaram contratos anteriormente, mas voltaram a perder safras, além daqueles cujas dívidas foram transferidas, cedidas ou substituídas por outros instrumentos financeiros. O desafio será ampliar o público sem elevar o custo fiscal a um nível que impeça um acordo para a aprovação.

Para o produtor, a orientação é procurar imediatamente a instituição credora e formalizar o interesse na renegociação. Contratos, extratos das operações, comprovantes de perdas, registros de produtividade, documentos fiscais e laudos técnicos devem ser reunidos antes da abertura do pedido. O protocolo da solicitação também é importante para demonstrar que a procura ocorreu dentro do prazo.

A entrada da MP em regime de urgência aumenta a pressão política, mas não resolve os obstáculos encontrados nas agências bancárias. O resultado da medida será definido menos pelo volume anunciado e mais pela quantidade de produtores que conseguirem superar as exigências, aprovar o crédito e assinar os contratos até novembro.

Fonte: Pensar Agro

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