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Setor avança na busca por fontes alternativas e consolida aliança com mercado de capitais

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A histórica dependência do agronegócio em relação às linhas de crédito bancário tradicional está perdendo força. Em busca de maior flexibilidade e prazos que acompanhem o ciclo produtivo, o setor vive uma transição estrutural: a migração para o mercado de capitais. O movimento, que ganha escala a cada safra, transforma o modo como produtores, indústrias e fornecedores financiam suas atividades.

O dado que comprova essa mudança é o crescimento exponencial dos Fiagros (Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais). Entre março de 2023 e março de 2025, o patrimônio líquido desses fundos saltou de R$ 14,7 bilhões para R$ 44,7 bilhões — um avanço de aproximadamente 204% em apenas dois anos. O volume indica que o investidor brasileiro passou a ver no campo uma alternativa robusta de rentabilidade, enquanto o produtor encontrou uma fonte de recursos menos burocrática e mais ágil.

O modelo tradicional, baseado quase exclusivamente em empréstimos de instituições financeiras comerciais, tem sido complementado por operações estruturadas. Agroindústrias e empresas que operam na ponta da cadeia começaram a estruturar mecanismos próprios para financiar seus fornecedores e parceiros comerciais.

Neste novo desenho, ferramentas como os FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios) permitem que as empresas antecipem recebíveis ou ofereçam capital de giro com condições mais competitivas para seus produtores integrados. O objetivo é duplo: garantir a fidelidade da cadeia produtiva e estimular investimentos que ampliem a capacidade de entrega das fazendas, sem a necessidade de passar pelo crivo rígido e, por vezes, lento dos bancos comerciais.

Apesar do otimismo, a transição para o mercado de capitais não é isenta de obstáculos. A estruturação desses fundos exige um rigor administrativo que muitas empresas do setor ainda estão incorporando. A operacionalização de uma operação de crédito via mercado de capitais demanda um controle rigoroso de documentos, contratos e garantias.

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Para o produtor rural, isso significa que a entrada no mercado de capitais exige maior profissionalização na gestão de dados da fazenda. A integração digital tornou-se essencial: os sistemas precisam ser capazes de realizar a formalização de CPR-Fs (Cédula de Produto Rural Financeira), o registro, a cessão dos créditos e o acompanhamento dos pagamentos de forma transparente e rápida.

FUTURO – A expectativa de especialistas e instituições financeiras é que a participação de instrumentos estruturados ganhe ainda mais espaço nos próximos anos. O mercado de capitais oferece uma capilaridade que o banco tradicional muitas vezes não alcança, permitindo que o crédito chegue onde é necessário com custos operacionais mais diluídos.

O que se observa é um processo de amadurecimento do agro como um ativo financeiro. À medida que essas estruturas se tornam mais acessíveis e operacionais, a tendência é que o financiamento deixe de ser uma operação puramente bancária para se tornar um ecossistema integrado ao mercado financeiro. Para o setor, o resultado é uma maior autonomia financeira, reduzindo o risco de desabastecimento de capital em momentos de restrição econômica no mercado tradicional.

Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, a grande mudança estrutural que está acontecendo é a independência em relação ao calendário estatal. “Se antes o produtor ficava refém da liberação das linhas oficiais do Plano Safra, hoje vemos um cenário onde 60% dos novos projetos de médio e longo prazo — como investimentos em armazenagem e sistemas de irrigação de precisão — já nascem financiados via títulos privados e fundos estruturados. Isso traz uma previsibilidade inédita ao campo, pois o produtor não precisa mais ajustar o seu cronograma de plantio ou de expansão à disponibilidade burocrática de recursos bancários, ele dita o próprio ritmo financeiro através dos instrumentos que o mercado de capitais oferece”, comentou Isan.

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“Outro ponto que o setor precisa observar é que a conformidade ambiental deixou de ser uma barreira e virou um motor de rentabilidade. Nossos levantamentos mostram que as operações de crédito estruturado que comprovam padrões de baixa emissão de carbono estão captando recursos com taxas até 15% menores do que as linhas convencionais. Isso prova que o mercado de capitais está, na prática, precificando corretamente a sustentabilidade: o produtor que cuida da terra e mantém seu passivo ambiental zerado paga menos pelo dinheiro, uma realidade que os bancos comerciais, devido às suas estruturas de análise de risco mais rígidas e demoradas, levam muito mais tempo para reconhecer”, disse.

Rezende lembra que o mais impressionante é a capilaridade. “Dados internos mostram que o número de produtores rurais individuais emitindo títulos privados cresceu quase 80% nos últimos 12 meses. O mercado de capitais deixou de ser uma exclusividade dos grandes grupos econômicos ou das tradings bilionárias; ele chegou, de fato, na porteira do médio produtor. Esse empresário rural hoje consegue antecipar sua receita com taxas que competem diretamente com os grandes players, garantindo um fôlego de caixa que antes era um privilégio de quem tinha faturamento de escala nacional, o que equilibra a competitividade no campo”, completou o presidente do IA.

Fonte: Pensar Agro

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Receita das cooperativas do agro cresce R$ 49 bilhões

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As cooperativas agropecuárias brasileiras ampliaram a receita em aproximadamente R$ 49 bilhões em 2025, mas encerraram o ano com redução nas sobras destinadas aos associados. O resultado mostra que o crescimento das operações não foi suficiente para compensar o aumento dos custos financeiros, industriais e logísticos enfrentados pelo setor.

Os dados estão no Anuário do Cooperativismo Brasileiro 2026, divulgado na sexta-feira (31.07) pela Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB).

A movimentação financeira das cooperativas do agro passou de aproximadamente R$ 438,2 bilhões em 2024 para R$ 487,3 bilhões no ano passado, crescimento de 11,2%.

As sobras fizeram o caminho inverso. O valor caiu de cerca de R$ 30,2 bilhões para R$ 29,2 bilhões, redução de 3,3%. Na prática, o setor movimentou mais dinheiro, mas terminou o exercício com aproximadamente R$ 1 bilhão a menos em resultados.

No cooperativismo, as sobras correspondem ao valor que permanece depois do pagamento dos custos, despesas e obrigações. A assembleia dos associados decide quanto será distribuído aos cooperados e quanto ficará na organização para reforçar o capital, formar reservas ou financiar novos investimentos.

O valor recebido por cada associado costuma ser calculado de acordo com sua movimentação. Podem ser considerados o volume de produção entregue, as compras realizadas e a utilização dos serviços oferecidos pela cooperativa.

A queda das sobras ocorre em um momento de margens apertadas no campo. Juros elevados, custos de armazenagem e transporte, despesas industriais e preços menores para algumas commodities pressionaram os resultados das cooperativas e dos produtores.

A relação entre as sobras e a movimentação financeira caiu de aproximadamente 6,9% em 2024 para 6% em 2025. O indicador não equivale à margem de lucro de uma empresa convencional, mas ajuda a mostrar que uma parcela maior da receita foi absorvida pelas despesas.

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Mesmo com a redução no resultado, o agro manteve ampla liderança dentro do cooperativismo nacional. O segmento respondeu por 57,4% de toda a movimentação financeira das cooperativas brasileiras.

O País encerrou 2025 com 1.254 cooperativas agropecuárias e 1,13 milhão de produtores associados. Essas organizações mantiveram 277,2 mil empregos diretos, quase metade dos postos de trabalho gerados por todo o sistema cooperativista.

A importância para o produtor vai além da comercialização. As cooperativas participam de 53% da produção brasileira de grãos, possuem 25% da capacidade nacional de armazenagem e respondem por 22% da carteira de crédito rural, segundo o anuário.

Essa estrutura permite que produtores negociem insumos em maior escala, armazenem a colheita, industrializem matérias-primas e vendam a produção de forma conjunta. Em regiões com pouca concorrência ou infraestrutura insuficiente, a cooperativa pode ser o principal canal de acesso a crédito, assistência técnica e mercado.

O segmento mantinha 10,7 mil profissionais de assistência técnica e extensão rural em 2025. São agrônomos, veterinários, técnicos agrícolas e outros profissionais que atendem os associados no planejamento das lavouras, na sanidade dos rebanhos e na gestão das propriedades.

Os ativos das cooperativas agropecuárias chegaram a R$ 340,1 bilhões, alta de 10,6%. O valor inclui armazéns, indústrias, máquinas, estoques, créditos e outros bens e direitos controlados pelas organizações.

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O crescimento patrimonial pode ampliar a capacidade de receber, processar e comercializar a produção. Ao mesmo tempo, exige capital para manter as estruturas em funcionamento, especialmente em um período de juros elevados.

No mercado externo, 140 cooperativas venderam aproximadamente R$ 96 bilhões em produtos em 2025. O volume representou 10,3% das vendas internacionais do agronegócio brasileiro.

Café, carnes de aves e suínos, farelo e óleo de soja ficaram entre os principais produtos comercializados. China, Japão, Estados Unidos, Alemanha e Países Baixos foram os maiores destinos.

A participação internacional, porém, está concentrada. Apenas dez cooperativas responderam por 67% do valor vendido ao exterior. O dado mostra que a maior parte das organizações ainda enfrenta dificuldades para alcançar outros países, seja por falta de escala, estrutura logística, certificações ou regularidade na oferta.

Para o produtor, o desempenho de uma cooperativa não deve ser avaliado apenas pelo faturamento. Preço pago pela produção, custo dos insumos, qualidade da assistência técnica, capacidade de armazenagem, nível de endividamento e sobras devolvidas ao associado são indicadores mais próximos do resultado efetivo dentro da propriedade.

Considerando todos os ramos, o cooperativismo brasileiro movimentou R$ 848,4 bilhões em 2025. O sistema reuniu 4.400 cooperativas, 29 milhões de associados e 613,4 mil empregados. O agro permaneceu como o principal responsável pelas receitas e pelos empregos.

Fonte: Pensar Agro

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