Agro
Setembro registra forte volatilidade no mercado de café e fecha com quedas no Brasil e no exterior
O mês de setembro foi marcado por ampla volatilidade no mercado de café, tanto nas bolsas internacionais quanto no mercado físico brasileiro. Tradicionalmente instável, o setor registrou oscilações ainda mais intensas, especialmente na Bolsa de Nova York (NY), referência para o café arábica. No balanço final, o mês terminou em queda para as cotações internacionais e nacionais.
Picos e mínimas em Nova York
Na Bolsa de NY, o contrato de dezembro para o café arábica atingiu a máxima em 16 de setembro, chegando a 424,00 centavos de dólar por libra-peso, o maior patamar em sete meses. O movimento foi impulsionado pela queda nos estoques certificados e pelo impacto do tarifaço de 50% imposto por Donald Trump sobre o café brasileiro, além das preocupações com o clima seco no período das floradas.
Poucos dias depois, em 23 de setembro, o mercado registrou a mínima mensal, de 349,45 centavos de dólar por libra-peso. As expectativas de um possível acordo político entre Trump e Lula, que poderia aliviar as tarifas e facilitar embarques do Brasil para os EUA, pressionaram os preços. Também pesaram as previsões de chuvas no cinturão cafeeiro brasileiro, fator positivo para a safra de 2026.
Cenário de oferta ajustada mantém suporte aos preços
Apesar da queda, o mercado segue atento à oferta global. O Brasil está com estoques muito baixos, e as tarifas norte-americanas ainda representam risco às exportações. A continuidade da redução nos estoques certificados da bolsa também funciona como fator de sustentação para as cotações.
Perspectivas para outubro: clima e câmbio no radar
Para outubro, analistas apontam que o mercado seguirá de olho no clima do Brasil e no cenário político internacional. Caso as chuvas se mantenham regulares e favoreçam as floradas, a tendência é de pressão baixista nos preços. Já a oscilação do dólar frente ao real deve continuar reforçando a volatilidade.
Desempenho das bolsas em setembro
- Café arábica em NY (contrato dezembro): queda de 2,9%, passando de 386,10 para 374,85 centavos de dólar por libra-peso.
- Café robusta em Londres (contrato novembro): desvalorização de 12,8% no mês.
Mercado físico brasileiro acompanha tendência internacional
No Brasil, os preços também recuaram. Produtores, mais capitalizados, reduziram a participação nas vendas durante as baixas e atuaram de forma moderada nas altas. Já compradores mostraram cautela, o que travou parte das negociações.
O câmbio colaborou para a pressão, com o dólar no mercado comercial registrando baixa de 1,8% em setembro.
Queda nos preços do arábica e conilon no Brasil
- Arábica bebida boa (Sul de Minas): retração de 5,5%, passando de R$ 2.360,00 a saca no fim de agosto para R$ 2.230,00 no fim de setembro.
- Conilon tipo 7 (Vitória/ES): queda de 10,4%, de R$ 1.535,00 para R$ 1.375,00 por saca no mesmo período.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Mercado de trigo segue em alta com oferta restrita no Brasil e maior dependência de importações
O mercado brasileiro de trigo manteve viés de alta ao longo da semana, sustentado por fundamentos como oferta doméstica restrita, dificuldade de acesso a produto de melhor qualidade e aumento da dependência do mercado externo. O ritmo de negociações seguiu pontual, refletindo o desalinhamento entre compradores e vendedores e a postura cautelosa da indústria.
De acordo com o analista e consultor de Safras & Mercado, Elcio Bento, o cenário continua marcado pela escassez de produto, especialmente nos padrões mais elevados de qualidade. Esse fator tem sido determinante para manter os preços firmes, mesmo com baixa fluidez nas negociações.
Demanda ativa no Paraná eleva preços e amplia divergência entre compradores
No Paraná, a semana foi caracterizada por uma demanda mais aquecida, embora com comportamento heterogêneo entre os agentes do mercado. Moinhos com estoques mais confortáveis operaram com indicações de preços mais baixas, enquanto compradores que necessitam recompor estoques aceitaram pagar valores mais elevados.
Segundo Bento, esse diferencial de preços explica a baixa fluidez nas negociações. Ainda assim, há uma tendência de convergência gradual nas cotações, à medida que o mercado busca equilíbrio.
Rio Grande do Sul registra negociações pontuais e valorização por qualidade
No Rio Grande do Sul, o comportamento foi semelhante, com negociações pontuais e sustentação das cotações. O mercado segue ajustado, com vendedores mantendo posição firme e compradores atuando de forma seletiva.
A diferenciação por qualidade se intensificou no estado, ampliando o prêmio pago por lotes de melhor padrão, o que reforça o cenário de valorização para produtos com maior aptidão para panificação.
Oferta insuficiente amplia dependência de importações
A restrição de oferta também evidencia um descompasso relevante entre disponibilidade e demanda, especialmente no Paraná. O volume disponível no mercado interno é significativamente inferior à necessidade da indústria, o que reforça a dependência de importações.
Nesse contexto, a Argentina tende a ganhar protagonismo como principal fornecedora de trigo ao Brasil. No entanto, limitações relacionadas à qualidade do produto argentino podem restringir a oferta efetiva de trigo panificável.
Segundo o analista, a preocupação com o padrão do produto disponível para exportação ganha importância estratégica, pois influencia diretamente a formação de preços e a disponibilidade de suprimento no mercado interno.
Mercado internacional reage a tensões geopolíticas e clima nos EUA
No cenário externo, o mercado de trigo foi impactado por fatores geopolíticos e climáticos. A valorização na Bolsa de Chicago (CBOT) ao longo da semana refletiu o aumento das tensões no Oriente Médio e as preocupações com as condições climáticas nas Planícies dos Estados Unidos.
O risco de interrupções logísticas e o clima adverso nas áreas produtoras mantiveram o viés de alta nas cotações internacionais.
Câmbio limita repasse de alta ao mercado interno
Apesar do cenário altista, o câmbio atuou como fator de contenção no mercado doméstico. A valorização do real, com o dólar abaixo de R$ 5,00, reduziu o custo de importação do trigo e limitou repasses mais intensos aos preços internos.
De acordo com Bento, esse movimento ajuda a equilibrar o mercado, mesmo diante de fundamentos que indicam pressão de alta. A redução no custo de internalização do produto importado tem sido um elemento importante para conter avanços mais expressivos nas cotações no Brasil.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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