Agro
Santa Catarina e Paraná disputam primeiro lugar na exportação de carne de frango
No fechamento dos cinco primeiros meses de 2019, Santa Catarina, com 39,10% do total, assumiu a liderança do setor – mas apenas na receita cambial (o Paraná ficou com 38,31%, 0,79 ponto percentual a menos). Já no volume, o Paraná mantém a liderança conquistada há tempos, com 39,39% do total, 1,33 ponto percentual a mais que Santa Catarina, com 38,06%.
Antes, porém, do detalhamento dessa disputa, um alerta: esqueça-se tudo o que o foi divulgado anteriormente acerca da distribuição federativa das exportações de carne de frango. Porque, como explicou há menos de uma semana o Ministério da Economia, “os dados de exportações e importações foram revisados”. E, no caso da carne de frango exportada, isso implicou em uma reviravolta total em comparação ao que vinha sendo até agora divulgado.
Primeira mudança que chama a atenção: no quadrimestre inicial de 2019 (janeiro-abril) as exportações do Sul somaram pouco mais de 1 milhão de toneladas (mais exatamente, 1.005.934/t). Agora, somado mais um mês de embarques (maio), elas se encontram muito próximas de 1,5 milhão de toneladas, apresentando, de um mês para outro, incremento de 44% (440 mil toneladas a mais, sabendo-se que as exportações de maio somaram 373 mil/t).
Naturalmente, essa mudança é reflexo das atualizações efetuadas pela SECEX/ME. Que, neste caso específico, se concentra em Santa Catarina. Daí o Estado ter passado a liderar a receita cambial do setor.
No entanto, o que se constata a seguir é que houve um esvaziamento significativo de outros estados ou regiões. Exemplificando, Goiás e Mato Grosso passam a apresentar sensível redução nas suas exportações e contribuem para que o Centro-Oeste, até agora a segunda Região exportadora do País, caia para a terceira posição, atrás do Sudeste, que retorna ao segundo posto.
Inúmeras outras considerações podem ser elaboradas a partir dos novos indicadores da SECEX/ME. Mas, neste caso específico e para resumir, tudo indica que o órgão oficial acompanhador das exportações deixou de considerar o estado de origem do produto exportado, passando a concentrar seus números nas empresas exportadoras.
Como os três principais exportadores de carne de frango do Brasil – BRF, Seara e Cooperativa Aurora – estão sediados em Santa Catarina, é lógico que o estado passe a liderar o volume e a receita cambial do setor, independentemente do local de saída da carne de frango exportada. Só isso explica o fato de, por exemplo, Goiás (responsável, em 2018, por mais de 4% das exportações) estar com sua participação reduzida a apenas 2%.
À guisa de fator adicional de avaliação dos resultados registrados, o AviSite incluiu na tabela abaixo o preço médio obtido em cada estado e região. Como se constata, há resultados extremamente inferiores ou superiores à média nacional. O que sugere a existência de distorções que permanecem carentes de correção. Apesar das atualizações já efetuadas.
Fonte: AviSite
Agro
Nova bancada deve priorizar o crédito rural e a previsibilidade para o financiamento
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) projeta ampliar de 299 para 330 o número de integrantes na Câmara dos Deputados na legislatura que começa em 2027. A estimativa, apresentada pelo presidente da frente, deputado Pedro Lupion, representa crescimento de 10,4%. A agenda para o novo mandato terá como prioridades ampliar o acesso ao crédito rural e dar previsibilidade ao financiamento da produção.
A composição reúne experiência nas duas Casas. Dos atuais 299 integrantes da FPA na Câmara dos Deputados, 176 foram reeleitos. Outros 17 deputados conquistaram vagas no Senado. Entre os senadores ligados à frente, seis obtiveram novo mandato e um foi eleito deputado federal. A entidade também informa que 17 senadores estão em meio de mandato.
O total de 200 corresponde aos integrantes da atual frente que obtiveram novos mandatos no Congresso. A composição definitiva da FPA na próxima legislatura dependerá também da adesão de outros parlamentares. O balanço eleitoral, portanto, indica a continuidade de sua atuação, sem estabelecer o número final de participantes.
A expectativa para o novo período legislativo é transformar essas propostas em instrumentos que cheguem às propriedades. O avanço dependerá da construção de acordos no Congresso e da articulação com o Executivo, os agentes financeiros e as organizações de produtores.
Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), com a ampliação da força política há uma oportunidade de se construir uma agenda de longo prazo para o campo. “A presença de mais parlamentares que conhecem a produção rural pode ajudar a transformar as necessidades das propriedades em soluções concretas. Esperamos um diálogo aberto, com decisões técnicas e atenção aos produtores de todos os portes”.
“Um crédito que chega no momento certo, acompanhado de seguro e de regras estáveis, dá ao produtor condições para investir. Podemos avançar em armazenagem, irrigação e tecnologia quando existe segurança para planejar. Um Plano Safra com horizonte de vários anos pode contribuir para esse ambiente e melhorar a aplicação dos recursos”, diz Isan.
“Também vejo com otimismo a possibilidade de aproximar o Congresso das cooperativas, das entidades e dos profissionais que acompanham o trabalho nas propriedades. Essa troca permite identificar prioridades e construir soluções viáveis. O objetivo comum deve ser ampliar a produtividade, fortalecer a renda no campo e gerar oportunidades nas regiões produtoras”, concluiu o presidente do IA.
Para o produtor, a agenda anunciada concentra-se em condições para financiar a safra e preservar a capacidade de investimento. O presidente da FPA, deputado Pedro Lupion, apontou a renegociação de dívidas e os obstáculos à contratação de crédito como temas que permanecerão nas negociações com o próximo governo.
Uma das propostas é dar ao Plano Safra um horizonte de vários anos. O planejamento plurianual permitiria sinalizar recursos e prioridades com antecedência, aproximando a política agrícola do tempo necessário para investir em máquinas, armazenagem e irrigação. A mudança ainda depende de discussão e aprovação; não constitui uma regra já definida para 2027.
Essa orientação também integra as propostas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que defende previsibilidade orçamentária, fortalecimento do seguro rural e instrumentos de apoio à saúde financeira do produtor. A entidade propõe ampliar o financiamento privado e melhorar as condições de acesso aos recursos, incluindo garantias e redução da burocracia.
Fonte: Pensar Agro
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