Agro
Safra 2026/27 deve ampliar oferta de etanol e pressionar preços, avalia SCA Brasil
A safra 2026/27 de cana-de-açúcar deve ser marcada por maior disponibilidade de matéria-prima e crescimento na produção de etanol, tanto de cana quanto de milho. A avaliação é do CEO da SCA Brasil, Martinho Seiiti Ono, apresentada durante reunião do conselho do Sindicato das Indústrias de Fabricação de Etanol do Estado de Goiás (Sifaeg), realizada na última sexta-feira (12).
De acordo com Ono, o cenário atual de preços menos atrativos para o açúcar deve reduzir o direcionamento da cana para esse produto, favorecendo o aumento da produção de etanol. A expectativa é de que o volume de etanol de milho ultrapasse 11 bilhões de litros na próxima temporada, o que representaria novo recorde para o segmento.
Petróleo em baixa e gasolina mais barata intensificam competição
Outro fator relevante para o setor, segundo Ono, é a queda nas cotações internacionais do petróleo, que tende a resultar em gasolina mais barata no mercado interno. Esse movimento, aliado à forte oferta de etanol prevista para o início da safra 2026/27, a partir de abril, deve exigir maior competitividade das usinas.
“Esse cenário vai obrigar as unidades produtoras a buscar mais eficiência. Na próxima safra teremos bastante etanol e os preços devem recuar em função da oferta abundante”, afirmou o executivo.
Safra 2025/26 chega ao fim com preços firmes
Em relação à safra atual, Ono destacou que a colheita 2025/26 de cana-de-açúcar está praticamente encerrada em Goiás e em toda a região Centro-Sul. Apenas poucas unidades ainda registram alguma atividade. As chuvas nas últimas semanas da safra dificultaram a colheita, o que contribuiu para manter os preços firmes no mercado.
Com o fim da moagem e o escoamento das últimas vendas, a demanda permaneceu aquecida nas semanas finais do ano, impulsionada por distribuidoras já bastante compradas e pela necessidade de recomposição de estoques.
Entressafra deve exigir atenção com estoques e paridades
O executivo também chamou atenção para o período de entressafra, quando os estoques tendem a ficar reduzidos, podendo gerar maior pressão nas paridades de preço no primeiro trimestre de 2026.
Entre os pontos de preocupação, Ono mencionou as tarifas de importação, o abastecimento de etanol anidro e os efeitos da mistura E30 – que prevê aumento da proporção de etanol na gasolina –, o que pode elevar a demanda no curto prazo.
Setor discute políticas e cenários globais
Durante o encontro do Sifaeg, também foram debatidos temas estratégicos para o setor sucroenergético, como o programa RenovaBio, o comportamento dos créditos de descarbonização (CBios), a arbitragem de importação e o cenário internacional do petróleo. Esses fatores continuam a influenciar diretamente as decisões de investimento e comercialização das usinas brasileiras.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Receita das cooperativas do agro cresce R$ 49 bilhões
As cooperativas agropecuárias brasileiras ampliaram a receita em aproximadamente R$ 49 bilhões em 2025, mas encerraram o ano com redução nas sobras destinadas aos associados. O resultado mostra que o crescimento das operações não foi suficiente para compensar o aumento dos custos financeiros, industriais e logísticos enfrentados pelo setor.
Os dados estão no Anuário do Cooperativismo Brasileiro 2026, divulgado na sexta-feira (31.07) pela Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB).
A movimentação financeira das cooperativas do agro passou de aproximadamente R$ 438,2 bilhões em 2024 para R$ 487,3 bilhões no ano passado, crescimento de 11,2%.
As sobras fizeram o caminho inverso. O valor caiu de cerca de R$ 30,2 bilhões para R$ 29,2 bilhões, redução de 3,3%. Na prática, o setor movimentou mais dinheiro, mas terminou o exercício com aproximadamente R$ 1 bilhão a menos em resultados.
No cooperativismo, as sobras correspondem ao valor que permanece depois do pagamento dos custos, despesas e obrigações. A assembleia dos associados decide quanto será distribuído aos cooperados e quanto ficará na organização para reforçar o capital, formar reservas ou financiar novos investimentos.
O valor recebido por cada associado costuma ser calculado de acordo com sua movimentação. Podem ser considerados o volume de produção entregue, as compras realizadas e a utilização dos serviços oferecidos pela cooperativa.
A queda das sobras ocorre em um momento de margens apertadas no campo. Juros elevados, custos de armazenagem e transporte, despesas industriais e preços menores para algumas commodities pressionaram os resultados das cooperativas e dos produtores.
A relação entre as sobras e a movimentação financeira caiu de aproximadamente 6,9% em 2024 para 6% em 2025. O indicador não equivale à margem de lucro de uma empresa convencional, mas ajuda a mostrar que uma parcela maior da receita foi absorvida pelas despesas.
Mesmo com a redução no resultado, o agro manteve ampla liderança dentro do cooperativismo nacional. O segmento respondeu por 57,4% de toda a movimentação financeira das cooperativas brasileiras.
O País encerrou 2025 com 1.254 cooperativas agropecuárias e 1,13 milhão de produtores associados. Essas organizações mantiveram 277,2 mil empregos diretos, quase metade dos postos de trabalho gerados por todo o sistema cooperativista.
A importância para o produtor vai além da comercialização. As cooperativas participam de 53% da produção brasileira de grãos, possuem 25% da capacidade nacional de armazenagem e respondem por 22% da carteira de crédito rural, segundo o anuário.
Essa estrutura permite que produtores negociem insumos em maior escala, armazenem a colheita, industrializem matérias-primas e vendam a produção de forma conjunta. Em regiões com pouca concorrência ou infraestrutura insuficiente, a cooperativa pode ser o principal canal de acesso a crédito, assistência técnica e mercado.
O segmento mantinha 10,7 mil profissionais de assistência técnica e extensão rural em 2025. São agrônomos, veterinários, técnicos agrícolas e outros profissionais que atendem os associados no planejamento das lavouras, na sanidade dos rebanhos e na gestão das propriedades.
Os ativos das cooperativas agropecuárias chegaram a R$ 340,1 bilhões, alta de 10,6%. O valor inclui armazéns, indústrias, máquinas, estoques, créditos e outros bens e direitos controlados pelas organizações.
O crescimento patrimonial pode ampliar a capacidade de receber, processar e comercializar a produção. Ao mesmo tempo, exige capital para manter as estruturas em funcionamento, especialmente em um período de juros elevados.
No mercado externo, 140 cooperativas venderam aproximadamente R$ 96 bilhões em produtos em 2025. O volume representou 10,3% das vendas internacionais do agronegócio brasileiro.
Café, carnes de aves e suínos, farelo e óleo de soja ficaram entre os principais produtos comercializados. China, Japão, Estados Unidos, Alemanha e Países Baixos foram os maiores destinos.
A participação internacional, porém, está concentrada. Apenas dez cooperativas responderam por 67% do valor vendido ao exterior. O dado mostra que a maior parte das organizações ainda enfrenta dificuldades para alcançar outros países, seja por falta de escala, estrutura logística, certificações ou regularidade na oferta.
Para o produtor, o desempenho de uma cooperativa não deve ser avaliado apenas pelo faturamento. Preço pago pela produção, custo dos insumos, qualidade da assistência técnica, capacidade de armazenagem, nível de endividamento e sobras devolvidas ao associado são indicadores mais próximos do resultado efetivo dentro da propriedade.
Considerando todos os ramos, o cooperativismo brasileiro movimentou R$ 848,4 bilhões em 2025. O sistema reuniu 4.400 cooperativas, 29 milhões de associados e 613,4 mil empregados. O agro permaneceu como o principal responsável pelas receitas e pelos empregos.
Fonte: Pensar Agro
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