Agro
Safra 2026/27 de soja já registra custo recorde e pressiona rentabilidade do produtor brasileiro
A safra 2026/27 de soja caminha para se tornar a mais cara da última década no Brasil. Levantamento da Agrinvest Commodities aponta que o custo de produção já supera em 5,7 sacas por hectare a média registrada nos últimos sete anos. Na comparação com a temporada 2025/26 — que já havia sido considerada onerosa para o sojicultor — o aumento é de 2,8 sacas por hectare.
O principal fator de pressão continua sendo o mercado de fertilizantes, que mantém forte impacto sobre os custos operacionais da atividade. Segundo o analista de fertilizantes da Agrinvest Commodities, Jeferson Souza, os insumos nutricionais seguem como o componente mais pesado da conta da próxima safra.
“A safra 2026/27 está se consolidando como a mais cara da última década”, afirma o especialista. Enquanto os fertilizantes apresentaram forte valorização, itens como sementes e defensivos registraram reajustes mais moderados.
De acordo com a consultoria, em uma propriedade de 500 hectares, o custo adicional apenas com insumos já representa o equivalente a cerca de 1.400 sacas de soja em relação ao ciclo anterior.
Redução da adubação preocupa consultorias
Apesar de uma leve melhora em relação ao levantamento anterior — impulsionada por pequenas altas nos preços da soja e recuo pontual em alguns insumos — parte dessa redução nos custos está relacionada à diminuição da adubação planejada pelos produtores.
Segundo Souza, muitos agricultores estão reduzindo o investimento em fertilizantes para tentar equilibrar as contas da próxima temporada. O movimento, porém, acende um sinal de alerta para o potencial produtivo das lavouras.
A própria Agrinvest destaca que o produtor brasileiro precisará alcançar produtividade maior ou preços mais elevados para manter margens semelhantes às da safra passada.
Janela de compra mais apertada aumenta pressão
Outro ponto de atenção está no timing das decisões comerciais. O atual cenário geopolítico internacional segue influenciando diretamente o mercado global de fertilizantes, provocando volatilidade nos preços e incertezas na oferta.
O sócio-diretor da Agroconsult, André Pessoa, ressalta que o produtor enfrenta janelas mais curtas para aquisição dos insumos da safra de verão, o que aumenta o risco de custos ainda maiores nos próximos meses.
Segundo ele, as margens da safra 2026/27 tendem a ficar ainda mais comprimidas, principalmente porque o mercado da soja não apresenta fundamentos sólidos para uma recuperação consistente dos preços, exceto em situações ligadas a fatores geopolíticos.
Clima e tecnologia entram no centro das decisões
A perspectiva de redução no investimento tecnológico também preocupa o mercado. Consultorias avaliam que a próxima safra pode ter crescimento limitado de área cultivada e maior vulnerabilidade climática devido ao menor uso de tecnologia no manejo.
O temor em torno de um possível “Super El Niño” já começa a influenciar o planejamento dos produtores, ampliando a cautela sobre investimentos em fertilidade, proteção de cultivos e pacotes tecnológicos.
Especialistas alertam que reduzir aplicações e manejos pode comprometer a produtividade justamente em um momento de margens apertadas no agronegócio brasileiro.
Uma lavoura menos protegida tecnologicamente tende a ficar mais exposta aos riscos climáticos, aumentando a possibilidade de perdas produtivas em um cenário já desafiador para o setor de grãos.
Diante desse contexto, consultorias reforçam que o produtor precisará adotar estratégias cada vez mais precisas de planejamento, gestão de custos e tomada de decisão para preservar competitividade e rentabilidade na safra 2026/27.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Preço do milho segue estável no Brasil à espera da safrinha; exportações avançam mais de 70%
O mercado brasileiro de milho registrou pouca movimentação ao longo da semana, refletindo a postura cautelosa de compradores e vendedores diante da proximidade da entrada mais intensa da segunda safra no país. A expectativa de aumento da oferta mantém o ritmo de negociações lento, enquanto produtores buscam sustentar os preços em meio ao avanço da colheita.
Segundo análise da Safras & Mercado, o cenário continua marcado por baixa liquidez e poucas alterações nas cotações, tanto no mercado físico quanto nas negociações futuras.
Compradores aguardam maior oferta da safrinha
Os consumidores seguem atuando de forma pontual, adquirindo apenas volumes necessários para reposição imediata. O comportamento demonstra conforto nos estoques e expectativa de que a colheita da segunda safra amplie a disponibilidade do cereal nas próximas semanas.
Do lado da oferta, os produtores avançam na comercialização da produção, mas mantêm resistência em aceitar preços considerados baixos. Em diversas regiões, as pedidas continuam acima dos valores ofertados pelos compradores, limitando o fechamento de novos negócios.
A expectativa do mercado é que o avanço da colheita da safrinha aumente a pressão sobre os preços, principalmente nas regiões de maior produção.
Clima segue no radar dos agentes do mercado
As condições climáticas continuam sendo acompanhadas de perto pelos participantes do setor.
O mercado monitora a possibilidade de novas chuvas na Região Sul, em São Paulo, no sul de Minas Gerais e em áreas produtoras de Goiás. Apesar das especulações sobre eventuais impactos na produtividade, ainda não há confirmação de perdas relevantes.
Outro fator observado é o risco de geadas. No entanto, as previsões meteorológicas atuais não indicam ocorrência de frio intenso capaz de provocar danos significativos às lavouras.
Relatório do USDA influencia expectativas globais
No cenário internacional, as atenções estiveram voltadas para a divulgação do relatório mensal de oferta e demanda agrícola do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
O documento trouxe atualizações importantes para o mercado global de grãos e reforçou a percepção de ampla disponibilidade de milho, fator que continua pressionando os preços na Bolsa de Chicago.
A queda das cotações internacionais tem reduzido a competitividade do milho brasileiro nos portos, mesmo com a valorização do dólar frente ao real.
Exportações avançam em volume, mas preços médios recuam
Apesar dos desafios relacionados à paridade de exportação, os embarques brasileiros de milho apresentaram crescimento expressivo no início de junho.
De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o Brasil exportou 126,061 mil toneladas de milho nos quatro primeiros dias úteis do mês, com média diária de 31,515 mil toneladas.
A receita acumulada alcançou US$ 29,451 milhões, com média diária de US$ 7,362 milhões.
Na comparação com junho de 2025, os resultados mostram:
- Alta de 57,9% na receita média diária;
- Crescimento de 70,6% no volume médio diário exportado;
- Queda de 7,4% no preço médio por tonelada.
O valor médio da tonelada exportada ficou em US$ 233,60.
Cotações do milho permanecem estáveis nas principais regiões produtoras
O preço médio da saca de milho no Brasil foi cotado em R$ 61,12 no dia 11 de junho, praticamente estável em relação aos R$ 61,14 registrados na semana anterior.
Nas principais praças acompanhadas pelo mercado, os preços apresentaram poucas variações:
- Cascavel (PR): R$ 60,00 por saca;
- Campinas (SP/CIF): R$ 65,00 por saca;
- Mogiana Paulista (SP): R$ 60,00 por saca;
- Rondonópolis (MT): R$ 51,00 por saca;
- Erechim (RS): R$ 69,00 por saca;
- Uberlândia (MG): R$ 60,00 por saca;
- Rio Verde (GO): R$ 58,00 por saca.
A estabilidade observada reforça o momento de transição vivido pelo mercado, que aguarda uma definição mais clara sobre o tamanho da safra e o ritmo efetivo da colheita.
Safrinha deve definir tendência dos preços nos próximos meses
O comportamento do mercado de milho nas próximas semanas dependerá diretamente do avanço da colheita da segunda safra, considerada a principal do país.
Caso a produtividade se confirme dentro das expectativas atuais, a entrada de grandes volumes no mercado poderá ampliar a oferta disponível e exercer pressão adicional sobre as cotações.
Por outro lado, eventuais problemas climáticos ou atrasos na colheita podem limitar esse movimento e sustentar os preços por mais tempo.
Enquanto esse cenário não se define, compradores seguem cautelosos e produtores mantêm postura firme nas negociações, resultando em um mercado de baixa liquidez e pouca variação nos preços.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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