Agro
Safra 2025 segue dentro do esperado, apontam especialistas do Rabobank
De acordo com a mais recente edição do Brazil Weekly, divulgada nesta terça-feira (11), os especialistas Maurício Une e Renan Alves, do Rabobank, avaliam que o atual cenário do agronegócio brasileiro segue “nada fora do esperado”. A análise destaca que a safra 2025 mantém ritmo dentro da normalidade, mas reforça a necessidade de atenção dos produtores em relação aos custos e à volatilidade do mercado internacional.
Segundo o relatório, fatores como condições climáticas regulares, câmbio volátil e custos elevados de produção continuam sendo determinantes para o desempenho financeiro das propriedades rurais. Embora o ambiente geral seja de estabilidade, o momento exige planejamento e gestão eficiente para preservar margens de rentabilidade.
Produção dentro da média, mas custos seguem como desafio
Os especialistas do Rabobank destacam que a produção agrícola brasileira caminha dentro do esperado, com soja, milho e algodão mantendo desempenho produtivo satisfatório. No entanto, os custos operacionais — impulsionados pelo preço dos fertilizantes, defensivos e pela logística — continuam pressionando o caixa do produtor rural.
Mesmo com a leve recuperação nos preços das commodities, as margens seguem ajustadas. A recomendação é que os produtores mantenham o foco em estratégias de hedge e no uso racional dos insumos, aproveitando momentos de oportunidade no mercado de câmbio e contratos futuros.
Soja: China mantém demanda firme e sustenta preços
A análise aponta que o mercado da soja permanece estável, sustentado pela forte demanda da China, principal destino das exportações brasileiras. O país asiático tem mantido ritmo constante de compras, especialmente diante das incertezas nas relações comerciais com os Estados Unidos.
No entanto, os analistas do Rabobank ressaltam que a volatilidade do dólar e as oscilações no preço do óleo de soja exigem cautela. “Os produtores que anteciparam vendas podem enfrentar desafios para capturar altas momentâneas, enquanto o mercado segue reagindo ao comportamento da moeda norte-americana”, destacam Une e Alves.
Milho e algodão mostram bom desempenho, mas enfrentam gargalos
No caso do milho, a segunda safra apresenta resultados positivos, com produtividade sólida em boa parte das regiões produtoras. Apesar disso, o escoamento ainda enfrenta entraves logísticos e limitações na capacidade de armazenagem.
Já o algodão mantém perspectiva favorável, impulsionado pela qualidade da fibra e pela demanda internacional aquecida. Contudo, os custos de transporte e a concorrência global — principalmente com os Estados Unidos — seguem como desafios para o setor.
Câmbio e insumos seguem como principais fatores de atenção
O relatório do Brazil Weekly também destaca o papel central do dólar no equilíbrio do mercado agrícola. A variação cambial afeta diretamente tanto o custo de importação dos insumos quanto a rentabilidade das exportações.
Os analistas lembram que, embora o mercado global de fertilizantes tenha mostrado algum alívio em relação aos anos anteriores, o equilíbrio ainda é frágil. A recomendação do Rabobank é que os produtores acompanhem com atenção os movimentos geopolíticos e cambiais, buscando travar custos e aproveitar janelas de oportunidade.
Gestão e tecnologia são essenciais para preservar margens
Mesmo em um cenário de estabilidade, o estudo reforça que o produtor rural precisa investir em planejamento, eficiência e tecnologia para enfrentar o novo ciclo agrícola. Ferramentas de agricultura de precisão, sistemas de monitoramento climático e o uso de dados para gestão têm sido decisivos para garantir produtividade e reduzir custos operacionais.
“A sustentabilidade financeira e técnica do campo depende cada vez mais da eficiência de gestão e do uso de ferramentas que otimizem recursos e aumentem o retorno por hectare”, avalia o relatório.
Perspectiva é de equilíbrio com foco na eficiência
Em resumo, o Brazil Weekly do Rabobank conclui que o panorama agrícola brasileiro segue dentro do esperado, sem grandes surpresas, mas com margens ajustadas e atenção redobrada à gestão. O foco agora é consolidar ganhos de eficiência e garantir equilíbrio entre produtividade, custos e sustentabilidade.
Com o mercado global ainda incerto e o câmbio volátil, o produtor que combinar planejamento financeiro e inovação tecnológica estará melhor posicionado para enfrentar os desafios e aproveitar as oportunidades da safra 2025.
5 pontos-chave da análise do Rabobank
- Cenário estável: A safra 2025 segue dentro do esperado, sem surpresas climáticas ou produtivas.
- Custos elevados: Insumos e logística continuam pressionando as margens.
- Demanda firme da China: Soja brasileira mantém competitividade no mercado global.
- Atenção ao câmbio: Oscilações do dólar impactam custos e exportações.
- Foco em tecnologia: Eficiência e gestão são essenciais para garantir rentabilidade.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Brasil deve produzir 600 mil toneladas de canola nesta safra
A canola começa a sair das lavouras brasileiras com uma produção estimada em 601,3 mil toneladas na safra 2025/26, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O volume representa crescimento de 74,4% sobre as 344,8 mil toneladas colhidas na temporada anterior e confirma o avanço de uma cultura que fornece óleo para alimentação, farelo para os animais e matéria-prima para biocombustíveis.
A colheita ainda está no início. No Rio Grande do Sul, responsável pela maior parte da produção nacional, aproximadamente 1% das lavouras havia sido colhido até a segunda quinzena de setembro. Cerca de 88% das áreas estavam entre a floração e o enchimento de grãos e outros 9% já se encontravam em maturação, conforme o acompanhamento da assistência técnica estadual.
Isso significa que a safra de canola que aparece nas estatísticas como 2025/26 ainda está no campo. A cultura foi semeada principalmente entre abril e junho de 2026 e deverá ter a colheita concentrada durante a primavera. O plantio da temporada 2026/27, portanto, não começou: ocorrerá somente no primeiro semestre de 2027.
A área cultivada na safra em fase de colheita alcançou 371,1 mil hectares, expansão de 75,1% diante dos 211,9 mil hectares do ciclo anterior. A produtividade média foi estimada pela Conab em 1.620 quilos por hectare, praticamente estável em relação aos 1.627 quilos obtidos em 2024/25.
Os números mostram que o crescimento da produção foi sustentado principalmente pela incorporação de novas áreas. Embora a Associação Brasileira dos Produtores de Canola (Abrascanola) estime 405 mil hectares e um potencial de 607,2 mil toneladas, a referência oficial da Conab permanece em 371,1 mil hectares e 601,3 mil toneladas. A diferença decorre das fontes e metodologias utilizadas nos levantamentos.
O Rio Grande do Sul concentra aproximadamente 353,4 mil hectares, o equivalente a cerca de 95% da área nacional estimada pela Conab. O cultivo também aparece no Paraná, em Santa Catarina e, em menor escala, em outras regiões onde pesquisas procuram adaptar a oleaginosa ao sistema de segunda safra.
Nas lavouras gaúchas, o desenvolvimento é considerado satisfatório na maior parte das áreas. Os primeiros trabalhos ocorrem em cultivos implantados mais cedo, sobretudo no Noroeste. A evolução da colheita dependerá do amadurecimento dos grãos e de intervalos de tempo seco, necessários para reduzir perdas e preservar a qualidade.
A canola pertence à mesma espécie agrícola da colza, mas foi selecionada para apresentar baixos teores de ácido erúcico no óleo e de glucosinolatos no farelo. Os grãos contêm aproximadamente 38% de óleo, conforme referências técnicas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
A maior parte da produção é destinada à fabricação de óleo comestível. Depois da extração, o farelo rico em proteína pode ser utilizado na alimentação animal, principalmente de bovinos, suínos e aves, respeitadas as formulações nutricionais de cada criação.
O óleo também pode ser empregado na fabricação de biodiesel. Outra possibilidade em estudo é seu aproveitamento na produção de combustível sustentável de aviação, conhecido pela sigla SAF. Esse mercado, entretanto, ainda não está consolidado comercialmente em grande escala no Brasil.
No campo, a canola oferece uma alternativa de renda durante o inverno e amplia a rotação com soja, milho e cereais. Como pertence a uma família botânica diferente, pode ajudar a interromper ciclos de determinadas doenças e plantas daninhas, além de manter o solo coberto e distribuir melhor o uso de máquinas e mão de obra ao longo do ano.
A decisão de plantar exige, porém, comprador previamente definido. A cadeia nacional ainda possui menos pontos de recebimento e esmagamento que a soja, e a distância até a indústria pode reduzir a rentabilidade. A implantação também requer atenção ao tamanho reduzido das sementes, à profundidade de semeadura, ao controle de pragas e ao momento da colheita, porque a abertura das síliquas pode provocar perda de grãos.
Apesar do crescimento recente, o Brasil ainda ocupa uma posição pequena no mercado internacional. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) projeta produção mundial de 99,97 milhões de toneladas de canola e colza em 2026/27. A safra brasileira equivale a aproximadamente 0,6% desse total.
O USDA não apresenta o Brasil individualmente entre os grandes produtores, incluindo o País no grupo das demais origens. O Canadá lidera a produção entre os países, com previsão de 22,5 milhões de toneladas. A União Europeia, considerada como bloco, deverá colher 20,15 milhões, seguida pela China, com 16,2 milhões, e pela Índia, com 12,4 milhões.
Sozinho, o Canadá produz quase 37 vezes o volume brasileiro. A comparação mostra que o País ainda está distante dos líderes, mas também revela o espaço disponível para crescer. Enquanto a canola ocupa pouco mais de 370 mil hectares no Brasil, as culturas de inverno dispõem de milhões de hectares que permanecem sem atividade comercial em parte do ano.
O ciclo atual será decisivo para saber se a rápida expansão conseguirá se sustentar. Além da produtividade e da qualidade dos grãos, o produtor acompanhará os preços, a capacidade de recebimento das indústrias e o cumprimento dos contratos. Uma colheita próxima de 600 mil toneladas colocará a canola em um novo patamar no País, mas a continuidade dependerá de mercado, assistência técnica e segurança para comercializar a produção.
Fonte: Pensar Agro
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