Brasil
Riscos e oportunidades diante dos avanços da IA marcam discussão sobre novo Estatuto do Trabalho
De acordo com o Fórum Econômico Mundial, 170 milhões de novos empregos surgirão até 2030, mas é preciso melhorar a qualificação das forças de trabalho existentes, visto que 92 milhões de outras ocupações desaparecerão. Com o objetivo de debater o novo Estatuto do Trabalho (SUG nº 12/2018) e o impacto da inteligência artificial (IA) e de novas tecnologias na rotina profissional e na vida dos trabalhadores, especialistas se reuniram na 66ª Reunião Extraordinária da Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal.
O diretor do Departamento de Ciência, Tecnologia e Inovação Digital (DECTI), Hugo Valadares, representou o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), por meio da Secretaria de Ciência e Tecnologia para Transformação Digital (Setad). Ele explicou como o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (Pbia) contempla a capacitação de trabalhadores e o uso ético da tecnologia.
O investimento previsto é de cerca de R$ 23 bilhões em cinco eixos estratégicos, com foco em formação, requalificação e letramento digital. “O plano brasileiro de IA tem nome e sobrenome: IA para o bem de todos. Se ele não servir às pessoas, não pode servir ao desenvolvimento do País. Nós queremos que as pessoas trabalhem menos. Que o trabalho repetitivo seja substituído por processos automáticos”, explicou Valadares.
O diretor do MCTI ainda pontuou que a tecnologia deve ser inclusiva e equitativa. Entre as iniciativas presentes no plano estão programas de residência em TI, cursos de graduação e pós-graduação e parcerias com o Sistema S, com a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPQD). “Precisamos formar os recursos humanos de altíssima capacidade, mas também requalificar e capacitar aquelas pessoas que vão ser diretamente impactadas dentro do mercado de trabalho”, complementaram.
O senador Paulo Paim (PT-RS), que presidiu a reunião, reforçou a necessidade de políticas públicas que incluam qualificação profissional e redução da jornada de trabalho. “Vivemos uma nova revolução, uma revolução tecnológica sem precedentes. A inteligência artificial está sendo incorporada de forma acelerada em praticamente todos os setores da economia: indústria, comércio, agricultura, educação, transporte, saúde, serviços públicos”, afirmou o senador.
Responsabilidade social
Uma das preocupações levantadas durante o debate foi sobre os riscos da perda de autonomia humana, o que contribui para a desigualdade e precarização do trabalho. Diante disso, ficou clara a necessidade de políticas que combinem inovação tecnológica com responsabilidade social. O diretor do MCTI destacou que o Brasil já conta com uma base sólida de dados e infraestrutura capaz de orientar o desenvolvimento ético da IA e de promover aplicações de benefício de toda a população.
“Os modelos de IA não têm inteligência própria; eles processam dados e produzem respostas estatísticas. O foco do Brasil deve ser capacitar, formar e requalificar profissionais, garantindo que a tecnologia sirva à sociedade como um todo. Nosso compromisso é usar a IA como ferramenta de inclusão, e não como mecanismo de exclusão ou concentração de poder”, complementou Hugo Valadares.
O encontro também discutiu as transformações nas formas de trabalho, a implementação de jornadas reduzidas e os efeitos sociais das tecnologias emergentes. A próxima reunião ainda não tem data marcada, mas estão previstas discussões semelhantes em todas as unidades da Federação.
A reunião também contou com a participação coordenador do Comitê de Modernização Tecnológica da Defensoria Pública da União, José Carvalho; da subsecretária de Estatísticas e Estudos do Trabalho, Paula Montagner; da doutora em autonomia privada e mestre em direito das relações sociais e trabalhistas Priscila Lauande Rodrigues; procurador do Trabalho e membro do Grupo de Estudos de Inteligência Artificial e Meio Ambiente do Trabalho Guilherme Kirtschig; pesquisador do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (USP) Atahualpa Blanchet; da cientista da computação Nina da Hora; do auditor fiscal do trabalho Jefferson de Morais Toledo; e da co-diretora do Projeto Harvard sobre Força de Trabalho, Futuro do Trabalho, Tecnologia Responsável e Mobilidade Econômica, Nathalie Gazzaneo.
O uso ético da tecnologia
O Pbia define diretrizes para capacitar trabalhadores e promover o uso ético da tecnologia. Desenvolvido de forma participativa, o plano envolveu seis oficinas com 300 participantes de 117 instituições, mais de 30 reuniões bilaterais e 22 documentos do Conselho Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, resultando em 289 propostas consolidadas por um grupo de trabalho. Entre os programas previstos estão a Qualificação Profissional em IA, a Residência em TICs-IA e a IA para Educação e Trabalho, com metas como qualificar até 50 mil profissionais em 3 anos, formar 20 mil por ano em residências e capacitar 30 mil nos primeiros 3 anos.
O Pbia também prevê a implementação de 500 projetos-piloto de IA em empresas industriais, a criação de pelo menos 5 mil vagas em cursos de graduação em IA e a realização da Olimpíada Brasileira de IA, com o objetivo de alcançar 85% da população com bom entendimento sobre a tecnologia em 2 anos. Além de formar especialistas de alta capacidade, o plano busca garantir inclusão e equidade, estabelecendo parcerias estratégicas com o Sistema S, a CNI e o CPQD para ampliar a oferta de profissionais em IA e áreas correlatas. A ideia é assegurar que os impactos da inovação beneficiem diretamente o mercado de trabalho e a sociedade.
Assista à reunião na íntegra.
Brasil
Ministro Wellington Lima apresenta ações do MJSP à Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado na Câmara dos Deputados
Brasília, 9/6/2026 – O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, participou, nesta terça-feira (9), de audiência na Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara dos Deputados para apresentar iniciativas da pasta e responder a questionamentos de parlamentares sobre segurança pública.
A audiência contou com a presença de outros integrantes da gestão do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), entre os quais o secretário nacional de Segurança Pública (Senasp), Chico Lucas; o secretário nacional de Assuntos Legislativos, Paulo Modesto; o secretário nacional de Direitos Digitais, Victor Oliveira Fernandes; a secretária nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos, Marta Machado; e o secretário nacional de Políticas Penais, André Garcia.
Na reunião, o ministro mencionou a atuação integrada entre União, estados, municípios, Poder Judiciário, Ministério Público (MP) e forças de segurança para o enfrentamento da criminalidade organizada.
Segundo Wellington Lima, a formulação de políticas públicas eficazes depende da cooperação institucional e do diálogo permanente com as Casas Legislativas. “Não há segurança pública sem o Congresso Nacional. A construção de políticas públicas eficazes exige diálogo permanente com o Parlamento, com o Judiciário, com o Ministério Público e com os profissionais que estão na ponta do sistema de segurança”, afirmou.
Entre os temas abordados estiveram as estratégias de combate ao crime organizado, as ações de fortalecimento do sistema prisional, as medidas de combate ao tráfico ilícito de armas e as iniciativas voltadas à descapitalização financeira de organizações criminosas.
Ao tratar das medidas de enfrentamento às facções criminosas, Wellington Lima ressaltou a importância do enfraquecimento financeiro desses grupos.
“O primeiro eixo é exatamente a reprodução e o aperfeiçoamento dos mecanismos de asfixia financeira. É preciso tirar o oxigênio do crime organizado.”
O ministro também apresentou iniciativas voltadas ao aprimoramento da inteligência e da investigação criminal, com foco na ampliação da capacidade de esclarecimento de homicídios e das operações de repressão às organizações criminosas.
Ao abordar o sistema penitenciário, defendeu investimentos em tecnologia, inteligência e protocolos de segurança para impedir a comunicação de lideranças criminosas com grupos que atuam fora das unidades prisionais. “Esse é um problema que não poderia ser adiado de modo algum”, enfatizou.
Operações em unidades prisionais
Durante a audiência, Wellington Lima anunciou que o MJSP realizará, até o final de 2026, uma operação nacional e duas regionais por mês em unidades prisionais de todo o País.
A medida busca reforçar o controle do sistema penitenciário, combater a atuação de organizações criminosas e ampliar a integração entre as forças de segurança e as administrações penitenciárias estaduais.
Plataformas digitais
Sobre plataformas digitais, parlamentares também questionaram os decretos relacionados à atuação das plataformas digitais e às medidas de enfrentamento de crimes praticados no ambiente virtual.
O ministro explicou que as normas foram elaboradas com base em análises técnicas e dados relacionados ao crescimento de ilícitos praticados pela internet, como fraudes eletrônicas, exploração sexual de crianças e adolescentes e divulgação não autorizada de conteúdo íntimo.
“Os decretos foram elaborados a partir de evidências concretas sobre a crescente centralidade da internet na vida dos brasileiros e sobre a urgência de enfrentar o aumento de crimes, atos ilícitos e condutas abusivas que vêm se multiplicando no ambiente digital”, disse.
De acordo com Wellington Lima, as medidas buscam ampliar a capacidade de resposta do Estado diante desses crimes, sem afastar o papel do Congresso Nacional na discussão e eventual definição de regras permanentes para o setor.
“O Parlamento é sempre quem melhor legisla, mas muitas vezes a sociedade clama por alguma providência mais imediata”, completou.
A audiência integra as atividades de fiscalização e de acompanhamento das políticas públicas conduzidas pela Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara dos Deputados.
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