Agro
Recife se consolida como novo polo do etanol marítimo e ganha destaque na transição energética global
Pernambuco entra na rota da descarbonização marítima
O Porto de Suape, em Pernambuco, está prestes a se tornar um dos principais pontos de apoio à transição energética do transporte marítimo. A APM Terminals, subsidiária do grupo Maersk, avança em testes com o uso de etanol como combustível para navios, o que pode transformar o estado em um hub internacional de abastecimento sustentável.
A iniciativa foi apresentada ao setor sucroenergético nordestino durante evento do Sindaçúcar-PE. Segundo o presidente da entidade, Renato Cunha, o movimento marca uma nova etapa no processo global de descarbonização da indústria naval.
“A Maersk tem um plano ambicioso de investimentos em infraestrutura e frota para viabilizar o etanol como uma importante alternativa de transição energética no transporte marítimo nos próximos 15 anos”, destacou Cunha.
Testes com etanol marítimo avançam com bons resultados
O projeto da Maersk com o etanol como combustível está em fase avançada de testes.
Em um primeiro momento, foi avaliada a mistura E10 (10% etanol e 90% metanol), comprovando bons índices de desempenho. Agora, a empresa realiza experimentos com o E50 (50% etanol e 50% metanol), que também apresenta resultados positivos de eficiência e estabilidade.
A próxima etapa prevê o uso de etanol 100% brasileiro (E100), o que reforça o potencial do país como fornecedor global desse biocombustível.
Potencial de mercado: até 35 milhões de toneladas por ano
O avanço do uso do etanol no setor marítimo pode revolucionar a demanda global pelo combustível renovável.
De acordo com Renato Cunha, se o etanol atingir apenas 10% de participação no mercado marítimo mundial, a demanda pode chegar a 35 milhões de toneladas por ano — praticamente o volume total da produção atual brasileira.
O executivo destaca que o etanol tem vantagem competitiva sobre o metanol, combustível que enfrenta barreiras de padronização e infraestrutura em vários países.
“O etanol se mostra uma alternativa mais acessível, sustentável e com grande capacidade de expansão, especialmente no Brasil, que possui um setor sucroenergético maduro e consolidado”, explicou Cunha.
Nordeste pode liderar o novo mercado de biocombustíveis marítimos
Com a infraestrutura do Porto de Suape e o potencial produtivo regional, o Nordeste tem condições de assumir um papel estratégico nessa nova rota global de energia limpa.
Segundo o Sindaçúcar-PE, Pernambuco já teve safras próximas de 700 milhões de litros de etanol, volume que pode ser parcialmente direcionado para abastecimento marítimo.
Além da produção local, o estado também pode receber etanol de outras regiões via cabotagem, concentrando a logística de distribuição para atender à demanda da Maersk e de outras companhias que adotarem o biocombustível.
“Há uma ampla possibilidade de uso desse etanol após os testes e a implantação dos hubs de abastecimento. Pernambuco pode ser a base dessa nova cadeia energética sustentável”, reforçou Cunha.
Etanol brasileiro: energia limpa no centro da transição global
A aposta da Maersk no etanol reforça o protagonismo do Brasil na agenda climática e energética mundial. O combustível, de baixa emissão de carbono, é visto como uma solução viável para reduzir o impacto ambiental do transporte marítimo, responsável por cerca de 3% das emissões globais de CO₂.
Com a entrada de Recife e Suape nessa rota internacional, o país amplia sua relevância estratégica e abre novas oportunidades de exportação e investimento no setor sucroenergético.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Lideranças alertam que crédito recorde é ineficiente sem juros menores e seguro rural
O anúncio do Plano Safra 2026/27, marcado para a próxima terça-feira (30.06), chega ao produtor rural em meio a um clima de ceticismo. Enquanto o governo federal projeta um volume recorde entre R$ 570 bilhões e R$ 652 bilhões, as lideranças do setor alertam que, em um cenário de juros elevados e margens de lucro espremidas, o montante nominal importa menos do que a efetividade das taxas de equalização. O que o campo busca não é apenas liquidez, mas uma estratégia de sobrevivência que contemple o endividamento acumulado nos últimos ciclos.
Para a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), o plano precisa ir além do anúncio de “recordes” orçamentários. A crítica central das bancadas é que o governo carece de uma visão estrutural de longo prazo: enquanto o custo de capital subiu, a subvenção ao seguro rural foi tratada como variável de ajuste orçamentário. Sem proteção contra intempéries, o crédito acaba financiando o risco, e não a produtividade, perpetuando o ciclo de inadimplência que já preocupa o Banco Central.
A Aprosoja Mato Grosso ecoa o descontentamento com a falta de previsibilidade. Para a entidade, de nada adianta um volume robusto se as linhas de investimento — essenciais para armazenagem e modernização — permanecerem travadas ou de difícil acesso para o médio produtor. O setor produtivo aponta que a paridade de importação e os custos de produção em patamares históricos exigem que o Plano Safra seja, antes de tudo, um instrumento de competitividade internacional, e não uma peça de marketing político que ignora a realidade técnica das fazendas.
Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Engenheiro Agrônomo Isan Rezende (foto), o setor está diante de uma encruzilhada. “O governo insiste em focar no volume total de crédito como se isso, por si só, garantisse a estabilidade da safra, mas esquece que o custo desse dinheiro tornou-se proibitivo para grande parte dos produtores. Não precisamos de um recorde de bilhões disponíveis se as taxas de juros não forem condizentes com a realidade de um setor que, nos últimos dois anos, foi duramente atingido por quebras climáticas sucessivas e pela volatilidade dos preços internacionais. O produtor hoje precisa de fôlego, não de novos passivos impagáveis”, afirmou Rezende.
“O agronegócio não pode ser tratado como um setor auxiliar que recebe atenção apenas quando a balança comercial precisa de socorro. Precisamos que o Plano Safra 2026/27 venha acompanhado de uma política clara de renegociação de dívidas e de um comprometimento real com o Seguro Rural. Sem isso, estamos apenas postergando um colapso financeiro que vai atingir desde o pequeno produtor até a economia das cidades que dependem diretamente do sucesso da nossa safra”, disse Isan.
“A nossa expectativa é de que, no dia 30, o anúncio não seja apenas um conjunto de números desenhado pela Fazenda para cumprir calendário. Queremos ver, de fato, a implementação de uma estratégia que proteja a nossa capacidade de investimento. Se o governo continuar tratando a equalização como um gasto primário e não como o investimento estratégico que é, estaremos condenando o próximo ciclo a uma estagnação perigosa. O agronegócio é o motor que mantém o Brasil respirando, e ele exige o respeito de ser tratado com política econômica técnica, e não com medidas paliativas que não resolvem o gargalo do custo do crédito na ponta”, concluiu o presidente do Instituto do Agronegócio.
Fonte: Pensar Agro
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