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Educação

Projeto de IA na educação recebe prêmio da Unesco

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O projeto “Piauí Inteligência Artificial” recebeu, na quinta-feira, 9 de outubro, uma premiação da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), durante cerimônia realizada na Universidade do Bahrein. A iniciativa foi agraciada com o Prêmio Unesco Rei Hamad Bin Isa Al-Khalifa para o Uso de Tecnologias da Informação e da Comunicação na Educação. A iniciativa da Secretaria de Estado da Educação do Piauí (SEDUC-PI) foi desenvolvida pelo Instituto Federal Farroupilha (IF Farroupilha); pela Universidade Federal do Pampa (Unipampa); e pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) — instituições vinculadas ao Ministério da Educação (MEC). 

O objetivo do trabalho é integrar a inteligência artificial (IA) ao currículo das escolas públicas do estado e torná-la disciplina obrigatória nos ensinos fundamental e médio. Ao todo, concorreram ao prêmio 86 iniciativas internacionais, propostas por mais de 50 estados-membros e organizações não-governamentais. 

Para comemorar o 20º aniversário do prêmio, cujo tema deste ano é “Preparando alunos e professores para o uso ético e responsável da inteligência artificial”, quatro projetos foram reconhecidos — do Brasil, da Bélgica, do Egito e do Reino Unido. Os outros projetos que receberam o prêmio foram: AI4InclusiveEducation (Bélgica): desenvolvendo a consciência cívica por meio da IA; Mahara-Tech (Egito): promovendo a inclusão de comunidades locais por meio do aprendizado de IA; e Experimente a IA (Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte): permitindo acesso global a uma cultura de IA ética.  

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O projeto “Piauí Inteligência Artificial” foi indicado pela Comissão Nacional do Brasil para a Unesco, cujas funções são exercidas no Ministério das Relações Exteriores, para representar o país na atual edição da premiação. A inciativa oferece um programa educacional de três anos que integra a ética da IA em todos os seus módulos e combina atividades on-line e off-line para torná-la acessível em ambientes com recursos limitados.  

As aulas beneficiam mais de 90 mil alunos por ano, em 540 escolas públicas piauienses, e o projeto já capacitou mais de 680 professores. A meta é formar mais de 800 professores e beneficiar cerca de 120 mil estudantes, para prepará-los para enfrentar os desafios do mundo moderno e aproveitar as oportunidades trazidas pela revolução tecnológica. Nas aulas, são abordados temas essenciais como curadoria de dados, aprendizagem de máquina e processamento de linguagem natural, combinando teoria e prática em diversos planos de aula. 

O júri internacional destacou o projeto “Piauí Inteligência Artificial” como um modelo abrangente e inclusivo, capaz de empoderar educadores e agentes sociais para a promoção do uso ético e responsável da inteligência artificial na educação. A seleção do projeto brasileiro, baseado na análise crítica sobre a aplicação da IA e no apoio à equidade e à inclusão, reflete a importância atribuída pelo Brasil às tecnologias digitais como aliadas do desenvolvimento social e educacional. 

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Prêmio – Criado em 2005 com o apoio do Reino do Bahrein, o Prêmio UNESCO Rei Hamad Bin Isa Al-Khalifa para Tecnologias da Informação e Comunicação na Educação reconhece indivíduos e organizações que promovem o uso criativo e responsável das tecnologias para aprimorar a aprendizagem. Desde 2005, o prêmio já foi concedido a 34 projetos de 21 países, selecionados por um júri internacional composto por cinco especialistas renomados na área. Cada projeto recebeu um prêmio de US$ 25 mil. 

Assessoria de Comunicação Social do MEC, com informações da Unesco e do portal IA Escola 

Fonte: Ministério da Educação

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Educação como caminho para construir uma nova vida

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Para chegar às aulas no Campus Laranjal do Jari, do Instituto Federal do Amapá (Ifap), Rosa Alves saía de casa às 6h30 da manhã. Moradora de Monte Dourado (PA), precisava atravessar o rio em pequenas embarcações, conhecidas como catraias, e seguir a pé até o local onde estudava. A rotina exigia disposição, mas a formação no Ifap representava uma oportunidade de construir a autonomia que buscava para si e para os filhos. 

Anos antes, ela havia vivido uma situação que marcou seus planos para o futuro. No meio da noite, depois de ser expulsa da casa onde morava de favor, ficou sem ter para onde ir e se abrigou no banco de uma praça, com o filho nos braços. Ao recordar esse momento, ela lembra da decisão de buscar condições mais dignas para cuidar da própria família. “Eu ia ter meu emprego, eu ia ter a minha casa, eu ia ter o meu carro, eu ia cuidar dos meus filhos”, contou. 

 Assista ao vídeo:

Criada pela mãe ao lado de três irmãos, Rosa construiu uma trajetória em que os estudos e o trabalho abriram novas possibilidades. Em 2008, foi aprovada em um concurso da prefeitura de Laranjal do Jari (AP) e começou a trabalhar no ano seguinte. A chegada do instituto federal trouxe outra perspectiva: a oportunidade de fazer um curso técnico. “Eu me animei e falei: ‘acho que aqui é o meu ponto de partida’”, recorda. Ela se inscreveu, passou e iniciou a formação. 

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Além do deslocamento diário entre a cidade em que morava e a que trabalhava, Rosa acompanhou os desafios do início das atividades no instituto federal. As aulas aconteciam em uma sala alugada, enquanto professores e estudantes construíam juntos a rotina de ensino.  

A conclusão do curso técnico em secretariado executivo do Ifap marcou uma nova etapa. Rosa também havia sido aprovada em um concurso público do instituto e recebeu uma notícia especial no dia da formatura: seria nomeada para trabalhar na instituição em que estudava. “Exatamente no dia da formatura, o reitor informou que eu seria nomeada. Foi uma alegria imensa”, lembrou. 

A formação técnica e o ingresso como servidora se somaram a outro projeto que ela já vinha preparando. Rosa pediu licença do trabalho na prefeitura, foi a Macapá (AP) e prestou vestibular para administração. Ao tomar posse no instituto, começou também a realizar o desejo de cursar a graduação, com o apoio do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). 

O sonho de estudar administração – Rosa guarda na memória a emoção de entrar na sala de aula da faculdade. Sentada ao fundo, ela conta que chorou ao perceber que havia chegado a uma etapa pela qual tanto esperava. “Eu lembro que chorei porque eu estava realizando o meu maior sonho. O maior sonho da minha vida era fazer administração”, contou. 

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O acesso aos estudos passou a fazer parte também da trajetória de seu filho. Ele concluiu um curso técnico na área de redes, prestou concurso público junto com a mãe e se tornou seu colega de trabalho no Campus Macapá do Ifap. 

Para Rosa, acompanhar essa conquista é uma das realizações proporcionadas pela educação. Sua história reúne o esforço para continuar estudando, a entrada no serviço público e a possibilidade de ver o filho construir o próprio caminho. “Sempre penso que a educação é o nosso passaporte do amanhã”, afirmou. 

As mudanças também proporcionaram experiências novas para a família. Rosa conta com carinho sobre a primeira viagem que conseguiu fazer com os três filhos. Foram cerca de dez dias juntos, uma experiência que até então não haviam tido. 

Ao olhar para o percurso, Rosa reconhece nos estudos uma contribuição para as condições de vida que construiu. Da travessia do rio para frequentar as aulas até a chegada à graduação, a educação esteve presente nas oportunidades que permitiram seguir seus planos e compartilhar novas experiências com os filhos. “A educação me proporcionou tudo o que eu tenho hoje”, pontuou. 

Assessoria de Comunicação Social do MEC 

Fonte: Ministério da Educação

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