Agro
Produtora de Manhuaçu transforma cafeicultura familiar em referência em cafés especiais nas Matas de Minas
Diretamente das Matas de Minas para o mercado de cafés especiais, a trajetória da produtora Reinildes Raposo de Barros, de Manhuaçu (MG), é marcada por desafios, aprendizado e conquistas. À frente do Sítio Manhuaçuzinho, ela construiu, ao lado da família, um negócio sólido baseado na qualidade do café.
A propriedade foi adquirida em 1999 por Reinildes e o marido, Nilson, quando ambos atuavam como safristas. Anos depois, em 2013, a decisão de investir em uma nova variedade de café iniciou uma transformação significativa na vida da família.
Agricultura familiar sustenta produção no Sítio Manhuaçuzinho
Com 32 anos de casamento, três filhos e três netos, Reinildes conduz a produção com forte participação da família. O filho Mateus e a nora Larissa também atuam na lavoura, e todas as decisões — da colheita à comercialização — são tomadas de forma conjunta.
Esse modelo reforça a importância da agricultura familiar, predominante na região e fundamental para a sustentabilidade da atividade cafeeira nas Matas de Minas.
Entrada no mercado de cafés especiais marcou virada no negócio
A virada ocorreu em 2020, quando a família decidiu investir na produção de cafés especiais com a marca “Café da Neide”. O incentivo veio após Mateus realizar um curso de degustação.
No mesmo ano, um especialista certificado (Q-Grader) avaliou o café da família com nota 83,5. Pela classificação internacional, cafés acima de 80 pontos já são considerados especiais, abrindo espaço para um mercado mais exigente e valorizado.
Matas de Minas é referência em cafés de alta qualidade
O Sítio Manhuaçuzinho está localizado na região das Matas de Minas, reconhecida nacionalmente pela produção de cafés de alta qualidade. A área abrange 64 municípios em meio à Mata Atlântica, no leste de Minas Gerais.
Com cerca de 275 mil hectares cultivados, a região reúne aproximadamente 36 mil produtores e gera cerca de 75 mil empregos diretos e 156 mil indiretos durante o período de colheita.
Desafios na comercialização e fortalecimento via associativismo
Apesar da qualidade do produto, o início da comercialização foi desafiador, com diversas negativas no processo de inserção no mercado de cafés especiais.
A mudança ocorreu por meio de conexões estratégicas. Reinildes passou a integrar a Associação de Mulheres do Café das Matas de Minas e Caparaó, ampliando sua visão sobre o setor e identificando novas oportunidades. Atualmente, ela também faz parte da diretoria da entidade.
Premiações consolidam reconhecimento do “Café da Neide”
A dedicação da família passou a ser reconhecida em concursos. Reinildes conquistou o segundo lugar em sua primeira participação em uma competição regional e, posteriormente, alcançou o terceiro lugar.
Em 2023, o “Café da Neide” ganhou destaque nacional ao conquistar a 11ª colocação na 6ª edição do Concurso 3 Corações Florada Premiada, na categoria Melhores Cafés Arábicas Via Seca, com nota 87,56.
Tecnologia e capacitação elevam padrão de produção
A participação em feiras e eventos, com apoio do Sebrae Minas, foi fundamental para ampliar o conhecimento e a visibilidade da marca. A produtora esteve presente em iniciativas no Rio de Janeiro, Curitiba e na Semana Internacional do Café, em Belo Horizonte.
Após essas experiências, Reinildes passou a realizar degustações na própria comunidade, incentivando outros produtores a investirem em cafés especiais.
Em 2025, a família enfrentou desafios relacionados à perda de qualidade do café, o que impactou a participação em concursos. A solução foi o investimento em tecnologia, com a aquisição de um secador que substituiu o método tradicional de secagem em terreiro de cimento, garantindo mais controle no pós-colheita.
Certificação e expansão marcam nova fase do negócio
O “Café da Neide” avançou ainda na profissionalização, com a reformulação da marca e a certificação pelo programa Certifica Minas, que assegura padrões de qualidade e sustentabilidade.
Os próximos passos incluem a participação no projeto Central de Negócios, em parceria com o Sebrae, com foco na ampliação da comercialização e no fortalecimento da produção.
Empreendedorismo rural com propósito e persistência
Para quem deseja iniciar no empreendedorismo rural, Reinildes reforça a importância da persistência e da busca constante por conhecimento.
“Não desista, por mais difícil que pareça, e procure sempre aprender mais sobre sua área de atuação”, destaca.
A trajetória da produtora evidencia como dedicação, inovação e apoio técnico podem transformar a cafeicultura familiar em um negócio competitivo no mercado de cafés especiais.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Receita das cooperativas do agro cresce R$ 49 bilhões
As cooperativas agropecuárias brasileiras ampliaram a receita em aproximadamente R$ 49 bilhões em 2025, mas encerraram o ano com redução nas sobras destinadas aos associados. O resultado mostra que o crescimento das operações não foi suficiente para compensar o aumento dos custos financeiros, industriais e logísticos enfrentados pelo setor.
Os dados estão no Anuário do Cooperativismo Brasileiro 2026, divulgado na sexta-feira (31.07) pela Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB).
A movimentação financeira das cooperativas do agro passou de aproximadamente R$ 438,2 bilhões em 2024 para R$ 487,3 bilhões no ano passado, crescimento de 11,2%.
As sobras fizeram o caminho inverso. O valor caiu de cerca de R$ 30,2 bilhões para R$ 29,2 bilhões, redução de 3,3%. Na prática, o setor movimentou mais dinheiro, mas terminou o exercício com aproximadamente R$ 1 bilhão a menos em resultados.
No cooperativismo, as sobras correspondem ao valor que permanece depois do pagamento dos custos, despesas e obrigações. A assembleia dos associados decide quanto será distribuído aos cooperados e quanto ficará na organização para reforçar o capital, formar reservas ou financiar novos investimentos.
O valor recebido por cada associado costuma ser calculado de acordo com sua movimentação. Podem ser considerados o volume de produção entregue, as compras realizadas e a utilização dos serviços oferecidos pela cooperativa.
A queda das sobras ocorre em um momento de margens apertadas no campo. Juros elevados, custos de armazenagem e transporte, despesas industriais e preços menores para algumas commodities pressionaram os resultados das cooperativas e dos produtores.
A relação entre as sobras e a movimentação financeira caiu de aproximadamente 6,9% em 2024 para 6% em 2025. O indicador não equivale à margem de lucro de uma empresa convencional, mas ajuda a mostrar que uma parcela maior da receita foi absorvida pelas despesas.
Mesmo com a redução no resultado, o agro manteve ampla liderança dentro do cooperativismo nacional. O segmento respondeu por 57,4% de toda a movimentação financeira das cooperativas brasileiras.
O País encerrou 2025 com 1.254 cooperativas agropecuárias e 1,13 milhão de produtores associados. Essas organizações mantiveram 277,2 mil empregos diretos, quase metade dos postos de trabalho gerados por todo o sistema cooperativista.
A importância para o produtor vai além da comercialização. As cooperativas participam de 53% da produção brasileira de grãos, possuem 25% da capacidade nacional de armazenagem e respondem por 22% da carteira de crédito rural, segundo o anuário.
Essa estrutura permite que produtores negociem insumos em maior escala, armazenem a colheita, industrializem matérias-primas e vendam a produção de forma conjunta. Em regiões com pouca concorrência ou infraestrutura insuficiente, a cooperativa pode ser o principal canal de acesso a crédito, assistência técnica e mercado.
O segmento mantinha 10,7 mil profissionais de assistência técnica e extensão rural em 2025. São agrônomos, veterinários, técnicos agrícolas e outros profissionais que atendem os associados no planejamento das lavouras, na sanidade dos rebanhos e na gestão das propriedades.
Os ativos das cooperativas agropecuárias chegaram a R$ 340,1 bilhões, alta de 10,6%. O valor inclui armazéns, indústrias, máquinas, estoques, créditos e outros bens e direitos controlados pelas organizações.
O crescimento patrimonial pode ampliar a capacidade de receber, processar e comercializar a produção. Ao mesmo tempo, exige capital para manter as estruturas em funcionamento, especialmente em um período de juros elevados.
No mercado externo, 140 cooperativas venderam aproximadamente R$ 96 bilhões em produtos em 2025. O volume representou 10,3% das vendas internacionais do agronegócio brasileiro.
Café, carnes de aves e suínos, farelo e óleo de soja ficaram entre os principais produtos comercializados. China, Japão, Estados Unidos, Alemanha e Países Baixos foram os maiores destinos.
A participação internacional, porém, está concentrada. Apenas dez cooperativas responderam por 67% do valor vendido ao exterior. O dado mostra que a maior parte das organizações ainda enfrenta dificuldades para alcançar outros países, seja por falta de escala, estrutura logística, certificações ou regularidade na oferta.
Para o produtor, o desempenho de uma cooperativa não deve ser avaliado apenas pelo faturamento. Preço pago pela produção, custo dos insumos, qualidade da assistência técnica, capacidade de armazenagem, nível de endividamento e sobras devolvidas ao associado são indicadores mais próximos do resultado efetivo dentro da propriedade.
Considerando todos os ramos, o cooperativismo brasileiro movimentou R$ 848,4 bilhões em 2025. O sistema reuniu 4.400 cooperativas, 29 milhões de associados e 613,4 mil empregados. O agro permaneceu como o principal responsável pelas receitas e pelos empregos.
Fonte: Pensar Agro
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