Agro
Pressão sobre o diesel no campo impulsiona busca por alternativas energéticas no setor sucroenergético
A volatilidade do mercado internacional de energia e o aumento das preocupações ambientais estão intensificando a pressão sobre o uso do diesel no setor sucroenergético. O cenário afeta diretamente os custos operacionais no campo e amplia a busca por fontes de energia mais sustentáveis.
O tema será um dos destaques do Cana Summit 2026, promovido pela ORPLANA – Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil, que será realizado nos dias 15 e 16 de abril, em Ribeirão Preto (SP), no Taiwan Centro de Eventos.
Cana Summit 2026 discute conversão de motores para etanol
Dentro da programação do evento, será realizado o painel “Conversão da Utilização do Diesel para Etanol”, marcado para quinta-feira (16), às 9h. O debate terá a participação de Murillo Galli, sócio-diretor da E-Oxy Tecnologia, com moderação de José Guilherme Nogueira, CEO da ORPLANA.
A discussão abordará alternativas técnicas e econômicas para ampliar o uso do etanol no transporte utilizado nas operações do setor canavieiro, com foco na redução da dependência do diesel.
Mercado de energia e impactos no custo do setor agrícola
A escalada das tensões no Oriente Médio tem elevado o risco no mercado global de energia, aumentando a vulnerabilidade do Brasil às oscilações do preço do diesel, combustível importado e fortemente influenciado pelo câmbio.
Além do impacto econômico, o diesel também é apontado como um dos combustíveis de maior impacto ambiental, devido à emissão de poluentes que afetam a qualidade do ar.
No setor canavieiro, o uso intensivo em máquinas agrícolas e no transporte contribui para a elevação dos custos de produção e amplia os desafios relacionados à sustentabilidade.
Etanol surge como alternativa estratégica no transporte agrícola
Segundo o CEO da ORPLANA, José Guilherme Nogueira, o Brasil reúne condições favoráveis para avançar na substituição do diesel por etanol no transporte pesado.
Ele destaca que a ampla oferta de etanol de cana-de-açúcar no país reduz a dependência de combustíveis importados e sujeitos à volatilidade externa. Nesse contexto, a conversão de motores aparece como uma alternativa viável para dar mais previsibilidade aos custos ao longo da safra.
Cana Summit celebra 50 anos da ORPLANA
Realizado em Ribeirão Preto, o Cana Summit 2026 marca as comemorações dos 50 anos da ORPLANA. O evento reúne produtores, especialistas e representantes do setor para debater temas estratégicos ligados à competitividade da cadeia sucroenergética.
Entre os principais tópicos estão eficiência operacional, inovação tecnológica e redução de emissões, com foco no fortalecimento e na modernização do setor no Brasil.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Mapa apresenta Rgen+Sustentável na Feira Brasil na Mesa
Neste sábado (25), na Feira Brasil na Mesa, realizada pela Embrapa em comemoração aos seus 53 anos, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) realizou uma palestra detalhando a Política Nacional de Conservação e Uso Sustentável dos Recursos Genéticos para a Alimentação, a Agricultura e a Pecuária (Rgen+Sustentável).
Com o objetivo de conservar, valorizar e promover o uso sustentável dos recursos genéticos para a alimentação e a agricultura (RGAA), a política foi lançada em abril de 2025 e busca ampliar a base genética dos programas de melhoramento das instituições de pesquisa, além de fortalecer o conhecimento sobre esses recursos e contribuir para a segurança alimentar e nutricional. A iniciativa também atua como catalisadora do desenvolvimento científico e tecnológico no setor agrícola.
A política é estruturada para garantir a segurança alimentar nacional por meio da conservação e do uso sustentável da diversidade genética. São considerados recursos genéticos os materiais com valor atual ou potencial para uso direto ou indireto na alimentação e na agropecuária, incluindo espécies de plantas, animais, microrganismos e organismos intermediários.
Durante a apresentação, o representante da coordenação de Recursos Genéticos para a Alimentação e Agricultura do Departamento de Inovação do Mapa, Paulo Mocelin, destacou a importância estratégica do tema.
Segundo Mocelin, embora o tema ainda não seja amplamente conhecido pelo público, ele é fundamental para o futuro da agropecuária. “O tema de recursos genéticos não é tão popular, mas traz elementos novos e essenciais para o desenvolvimento do setor. A Política Nacional é uma política de Estado, instituída pelo Decreto nº 12.097, de 2024, e tem como objetivo definir prioridades e estratégias para consolidar uma agenda de longo prazo voltada à conservação, valorização e uso sustentável da biodiversidade agrícola”, explicou.
Também ressaltou que a política está alinhada a compromissos internacionais, como a Convenção sobre Diversidade Biológica e o Tratado Internacional sobre Recursos Fitogenéticos para Alimentação e Agricultura.
“O Brasil é um país megadiverso, com grande variedade de espécies, biomas e ecossistemas. Temos um clima favorável à agropecuária, um sistema nacional de pesquisa robusto, com destaque para a Embrapa e instituições estaduais, além de uma legislação estruturada e parcerias internacionais consolidadas”, pontuou.
No âmbito das diretrizes de pesquisa e inovação, a política busca promover a conservação e o uso sustentável dos recursos genéticos, incentivar a adoção de novas tecnologias, sistematizar e disponibilizar informações científicas e fortalecer a articulação entre atores públicos e privados.
Já em relação aos Povos e Comunidades Tradicionais (PCTs) e ao Conhecimento Tradicional Associado (CTA), a iniciativa incentiva o intercâmbio de variedades tradicionais e raças localmente adaptadas, além de valorizar os saberes tradicionais e promover a participação social.
No eixo de informação e capacitação, estão previstas ações de divulgação da importância estratégica dos RGAA, articulação de redes nacionais e internacionais, formação de recursos humanos e ampliação do acesso a dados qualificados.
A política também se articula com iniciativas como a Rede Nacional de Pesquisa e Inovação em Genética Agrícola para Adaptação às Mudanças Climáticas (Readapta), que desenvolve projetos de melhoramento genético voltados a culturas como arroz, feijão, milho, soja, trigo e mandioca.
O Mapa é responsável pela definição e implementação dos planos de ação, pela estruturação da rede, pelo fomento à conservação e capacitação, além de incentivar pesquisas e inovações baseadas no uso sustentável dos recursos genéticos.
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