Política Nacional
Presidente da Comissão Especial da Previdência abre sessão e se diz otimista
O presidente da Comissão Especial que analisa a proposta da reforma da Previdência, Marcelo Ramos (PL-AM), abriu, nesta manhã de quinta-feira, 4, a sessão em que se retomará o processo de votação do relatório do deputado Samuel Moreira (PSDB-SP). A sessão estava prevista para às 9h desta quinta-feira (4), mas houve atraso e ela foi aberta por volta das 10h, quando atingiu o quórum necessário. Naquele momento, o painel do plenário registrava 30 presenças.
O presidente da comissão, Marcelo Ramos (PL-AM), prevê que o relatório deve ser votado ainda na parte da manhã. O deputado afirmou também a jornalistas que nenhum destaque de bancada foi retirado ainda, e que não há acordo para acelerar a apreciação destes destaques. São nove destaques da oposição e 16 de partidos do Centro e da base. “Devemos votar tudo hoje (quinta) na comissão, estou otimista”, disse.
O relator da reforma da Previdência, Samuel Moreira (PSDB-SP), também já chegou à sala. Na sessão, a comissão retomará o processo de votação do relatório de Moreira. Assim que a sessão começar, o presidente deverá colocar em votação um requerimento da oposição para a retirada do relatório de pauta. O instrumento é usado para obstruir a análise do texto, mas deve ser rejeitado pela maioria.
Em seguida, a comissão analisará o texto-base do relatório, que não pode mais ser modificado, e depois os destaques apresentados. Poderá ocorrer, no entanto, pedidos para inverter essa ordem.
Na quarta-feira, o presidente havia dado um prazo até às 10h desta quinta-feira para que partidos apresentassem destaques, que são instrumentos para alterar pontos específicos do texto.
Política Nacional
Comissão aprova proibição de leilão e penhora de espaços culturais tombados
A Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 66/2026, do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), que proíbe a penhora, o leilão e outras formas de expropriação de imóveis indispensáveis à preservação de bens tombados ou de patrimônios culturais imateriais reconhecidos pelo poder público.
A vedação vale sempre que o ato puder:
- comprometer a continuidade, a integridade ou a autenticidade do bem cultural;
- alterar o uso do espaço de forma incompatível com sua função cultural; e
- descaracterizar social, simbólica, econômica ou funcionalmente a prática protegida.
A regra vale para execuções fiscais, trabalhistas, cíveis ou administrativas, contra entes públicos ou privados. O projeto busca proteger o chamado “espaço cultural essencial”, o imóvel público ou privado com função indispensável para a manutenção desses bens tombados.
Se já houver processo judicial ou administrativo de penhora ou leilão sobre um desses bens, o juiz ou a autoridade competente é obrigado a suspender a ação de forma imediata.
A medida pode ser determinada de ofício ou a pedido do Ministério Público, do órgão de proteção ao patrimônio cultural ou de entidade representativa da comunidade envolvida.
A suspensão não impede a apuração da dívida. O projeto determina que sejam priorizadas soluções alternativas, como negociação, parcelamento ou compensação. Qualquer decisão que afaste a suspensão deverá ser expressamente fundamentada, sob pena de nulidade.
Exceções
O projeto admite exceções à proibição, porém somente se forem cumpridos cumulativamente os seguintes requisitos:
- parecer técnico favorável do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) ou de órgão cultural competente;
- estudo de impacto cultural, social e econômico, com participação da comunidade;
- autorização expressa do Poder Legislativo correspondente — Congresso Nacional, Assembleia Legislativa, Câmara Legislativa ou Câmara Municipal —, conforme o nível de reconhecimento do bem.
O estudo de impacto cultural deverá avaliar a historicidade da prática, os vínculos sociais e identitários com o espaço, a possibilidade real de continuidade em outro local e os impactos sobre trabalho e renda. A ausência de qualquer requisito torna o ato nulo.
Alternativas à expropriação
O poder público deverá priorizar saídas que preservem o espaço cultural, como a renegociação de dívidas, a transferência da gestão do imóvel para associações ou cooperativas da comunidade e a celebração de convênios ou parcerias voltadas à sustentabilidade do bem protegido.
Lindbergh Farias citou a ameaça de leilão do imóvel da Feira de São Cristóvão, no Rio de Janeiro — sede do Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas, reconhecido por lei federal como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil —, como exemplo do problema que o projeto busca resolver.

Para a relatora, deputada Sâmia Bomfim (Psol-SP) o projeto assegura, na prática, a continuidade das manifestações culturais. “A eventual alienação ou descaracterização desses espaços não representa apenas uma mudança de titularidade patrimonial, mas pode implicar a ruptura de vínculos históricos, sociais e simbólicos que sustentam determinadas práticas culturais”, disse.
Sâmia Bomfim afirmou que as alternativas propostas pelo projeto, como a renegociação de dívidas, a gestão compartilhada e a celebração de parcerias, oferecem uma perspectiva equilibrada entre a proteção do patrimônio cultural e a viabilidade econômica dos espaços envolvidos, buscando o diálogo e o consenso.
Próximos passos
A proposta ainda será analisada, em caráter conclusivo, pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado.
Reportagem – Tiago Miranda
Edição – Roberto Seabra
Fonte: Câmara dos Deputados
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