Agro
Porto de Paranaguá bate recorde com descarga de 50 mil toneladas de cevada em único navio
Recorde histórico: maior operação de cevada no Paraná
O Porto de Paranaguá registrou a maior operação de descarga de cevada já realizada no estado. O navio graneleiro Mercury Island, vindo da Argentina, desembarcou 50 mil toneladas do cereal no berço 202, em operação concluída na última quarta-feira (18).
O volume supera o recorde anterior, registrado em janeiro deste ano pelo navio Akra, que havia movimentado 49.448 toneladas.
A carga descarregada seguirá agora para o interior do Paraná, atendendo à demanda da cadeia produtiva local.
Aumento do calado amplia capacidade operacional
O avanço operacional é resultado direto dos investimentos realizados pela Portos do Paraná, especialmente em obras de dragagem.
O aumento do calado — distância entre a superfície da água e o ponto mais profundo da embarcação — permite a atracação de navios mais carregados, elevando a eficiência logística.
Em menos de um ano, o porto obteve duas ampliações importantes:
- Dezembro de 2024: de 12,8 metros para 13,1 metros;
- Setembro de 2025: de 13,1 metros para 13,3 metros.
Com isso, os 50 centímetros adicionais possibilitaram o embarque de até 3,7 mil toneladas extras por navio, reduzindo custos e aumentando a competitividade.
Movimentação de cevada cresce mais de 30%
A movimentação de cevada nos portos paranaenses apresentou crescimento expressivo. No comparativo entre o primeiro bimestre de 2025 e o mesmo período de 2026, o volume subiu 34%.
- 2025: 123.404 toneladas
- 2026: 165.338 toneladas
Além de ser a principal matéria-prima da cerveja, a cevada também é utilizada na alimentação humana e na produção de ração animal, ampliando sua relevância econômica.
Paraná mantém posição estratégica no abastecimento
Apesar de ser o maior produtor de cevada do Brasil, o Paraná também se destaca como um dos principais destinos do cereal, devido à forte demanda interna.
O crescimento do consumo, especialmente ligado à indústria cervejeira, mantém o estado como um importante polo de processamento e distribuição.
Expansão da indústria cervejeira impulsiona demanda
Dados do Ministério da Agricultura e Pecuária mostram que o Paraná contava com 174 cervejarias registradas em 2024, um aumento de 3% em relação ao ano anterior.
Entre 2020 e 2024, o setor investiu cerca de R$ 5 bilhões em:
- Expansão da produção;
- Aquisição de insumos;
- Modernização industrial;
- Produção de embalagens.
Entre os destaques está a expansão da Heineken em Ponta Grossa, que recebeu investimento superior a R$ 1,5 bilhão, ampliando significativamente sua capacidade produtiva.
Novos investimentos fortalecem cadeia do malte
O avanço do setor também inclui novos projetos industriais. No fim de 2025, a Cooperativa Agrária, em parceria com a Ireks do Brasil, anunciou investimento de R$ 1,1 bilhão em sua unidade de Entre Rios, em Guarapuava.
O projeto prevê:
- Construção de duas novas plantas industriais;
- Modernização da maltaria existente.
Com isso, o complexo da Agrária Malte passará a produzir maltes especiais, como caramelizados e torrados, tornando-se a primeira operação do tipo em escala industrial no Brasil — insumo que atualmente é totalmente importado.
Logística mais eficiente reforça competitividade do agro
Os investimentos em infraestrutura portuária e industrial reforçam o papel do Paraná como um dos principais polos logísticos e produtivos do agronegócio brasileiro.
O aumento da capacidade operacional, aliado à expansão da indústria cervejeira, tende a sustentar a demanda por cevada e fortalecer ainda mais a competitividade do estado no cenário nacional e internacional.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos
Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.
Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.
No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.
Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.
O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.
No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.
Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.
Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.
Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.
A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.
O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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