Agro
Plano Clima redefine crédito e regras ambientais e pressiona o agronegócio
Lançado pelo governo federal nesta segunda-feira (16.03), o Plano Clima inaugura uma nova etapa da política ambiental brasileira com impactos diretos sobre o agronegócio. Embora não traga obrigações imediatas dentro da porteira, a estratégia reorganiza crédito, sinaliza novas exigências de mercado e amplia a pressão por eficiência produtiva no campo.
Com meta de reduzir entre 59% e 67% das emissões de gases de efeito estufa até 2035, o plano funciona como um eixo orientador de políticas públicas e investimentos. Na prática, isso significa que instrumentos já existentes — sobretudo financiamento — passam a ser direcionados com maior peso para atividades de menor impacto ambiental.
O principal efeito para o produtor tende a vir do financiamento. Recursos do Fundo Clima, operados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, devem ganhar escala e priorizar práticas consideradas sustentáveis.
Na prática, tecnologias como recuperação de pastagens, integração entre atividades e manejo mais eficiente do solo devem ter acesso facilitado a crédito. Ao mesmo tempo, produtores que não comprovarem boas práticas ambientais podem enfrentar maior dificuldade para captar recursos, à medida que bancos e programas oficiais passem a incorporar critérios climáticos nas concessões.
Além do crédito, o Plano Clima reforça uma tendência já em curso: o aumento das exigências por parte de compradores, especialmente no exterior. A rastreabilidade da produção, o controle de origem e a comprovação de regularidade ambiental tendem a se consolidar como pré-requisitos para acesso a mercados.
Esse movimento ocorre em paralelo à pressão internacional por cadeias produtivas livres de desmatamento e com menor intensidade de carbono — fator que influencia diretamente a competitividade das exportações brasileiras.
Dentro da propriedade, o impacto deve aparecer na forma de maior cobrança por eficiência produtiva. A lógica é reduzir emissões sem comprometer a produção, o que exige melhor uso de insumos, intensificação de sistemas e redução de perdas.
Embora essas mudanças demandem investimento, a tendência é que estejam associadas a ganhos de produtividade no médio prazo, o que ajuda a diluir custos.
O plano também reforça a agenda de adaptação, em resposta ao aumento da frequência de eventos extremos. Secas, enchentes e irregularidade de chuvas têm ampliado o risco da atividade rural, pressionando por sistemas mais resilientes.
Nesse contexto, ganham relevância instrumentos como seguro rural e tecnologias voltadas à mitigação de perdas, que devem ser incorporados com maior intensidade à gestão das propriedades.
Sem impor mudanças imediatas, o Plano Clima atua como um sinal claro de direção. Ele indica que o acesso a crédito, a inserção em mercados e a própria viabilidade econômica da produção tendem a ficar cada vez mais condicionados a critérios ambientais.
Para o produtor, a transição já começou — ainda que de forma gradual. A adaptação às novas exigências deve definir não apenas o custo de produção, mas também a capacidade de competir em um mercado cada vez mais sensível à agenda climática.
Fonte: Pensar Agro
Agro
Enoturismo no Brasil: e-book gratuito revela regiões que impulsionam o setor do Sul ao Nordeste
O enoturismo brasileiro ganha um novo e relevante registro editorial com o lançamento do e-book Desenvolvimento do Enoturismo no Brasil. A publicação, disponível gratuitamente no Observatório Vitivinícola, plataforma do Instituto de Gestão, Planejamento e Desenvolvimento da Vitivinicultura do Estado do Rio Grande do Sul (Consevitis-RS), apresenta um panorama atualizado das principais regiões produtoras e turísticas do país.
Panorama do enoturismo nacional
O material reúne informações, imagens e relatos construídos a partir das vivências do Projeto Imagem, iniciativa que levou jornalistas, influenciadores e formadores de opinião a conhecer, na prática, diferentes territórios vitivinícolas brasileiros. A proposta é evidenciar a diversidade, identidade e o potencial do vinho nacional como ativo econômico, cultural e turístico.
Ao longo do e-book, o leitor percorre regiões consolidadas e emergentes, como:
- Serra Gaúcha (RS)
- Bituruna (PR)
- São Roque (SP)
- Vale do São Francisco (BA/PE)
- Cerrado Mineiro (MG)
- Serra Fluminense (RJ)
Esse recorte reforça a pluralidade do setor e mostra como o enoturismo vem se consolidando como importante vetor de desenvolvimento regional.
Ferramenta estratégica para o setor
Mais do que um guia de destinos, a publicação se posiciona como um instrumento de valorização da vitivinicultura brasileira. O conteúdo conecta paisagens, histórias, produtores e experiências, contribuindo para ampliar a visibilidade das regiões e fortalecer a cadeia produtiva do vinho.
O e-book é resultado do Projeto Imagem, uma das ações do convênio “Fortalecimento da Vitivinicultura Brasileira”, desenvolvido pelo Consevitis-RS em parceria com o Sebrae Nacional.
Investimentos e objetivos do convênio
Com vigência entre outubro de 2024 e setembro de 2026, o convênio conta com investimento de R$ 2,4 milhões e tem como foco:
- Aumentar o consumo per capita de vinhos e espumantes brasileiros
- Valorizar a produção nacional
- Fortalecer a percepção de qualidade no mercado interno
As ações contemplam desde a qualificação da produção até inteligência de mercado, apoio à formalização de pequenos produtores e promoção das regiões vitivinícolas.
A iniciativa atende toda a cadeia, desde microempreendedores até vinícolas de maior porte, ampliando oportunidades e promovendo desenvolvimento sustentável no campo.
Valorização da diversidade e do produtor
Segundo o presidente do Consevitis-RS, Luciano Rebellatto, a proposta do e-book é destacar a riqueza cultural do setor. “Cada região produtora do país carrega histórias únicas, sabores singulares e uma cultura que se revela em cada taça”, afirma.
Já o presidente do Sebrae Nacional, Décio Lima, reforça o impacto social da iniciativa. “O foco está em garantir dignidade e renda ao produtor rural, ampliando oportunidades e fortalecendo os pequenos negócios da vitivinicultura brasileira”, destaca.
Acesso gratuito
O e-book Desenvolvimento do Enoturismo no Brasil está disponível para download gratuito no Observatório Vitivinícola, consolidando-se como uma importante ferramenta para profissionais do setor, produtores e interessados no crescimento do turismo do vinho no país.
e-book Desenvolvimento do Enoturismo no Brasil
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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