Agro
Peixe BR critica novas regras e alerta para aumento de custos
A Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR) reagiu às novas regras para transporte e comprovação de origem do pescado e afirmou que as mudanças podem elevar custos e aumentar a burocracia na atividade.
As normas foram publicadas pelo Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) e pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) na última sexta-feira (10.04) e alteram procedimentos na cadeia produtiva. Entre os pontos mais sensíveis, segundo a entidade, está a exigência adicional de apresentação da licença de aquicultor no transporte de peixes, além dos documentos já obrigatórios.
Na avaliação da Peixe BR, a medida cria uma camada extra de burocracia sem avanço proporcional no controle sanitário. Hoje, o setor já opera com instrumentos como a nota fiscal e a Guia de Trânsito Animal (GTA), considerados suficientes para garantir rastreabilidade e fiscalização.
O impacto tende a recair diretamente sobre o custo de produção. Em uma cadeia com margens apertadas e forte dependência logística, exigências adicionais no transporte — etapa crítica da operação — podem reduzir a competitividade, especialmente entre pequenos e médios produtores.
O debate ocorre em um momento de crescimento da atividade. O Brasil produziu cerca de 860 mil toneladas de peixes de cultivo em 2025, segundo a própria Peixe BR, consolidando-se entre os principais produtores globais, com destaque para a tilápia.
Ao mesmo tempo, o governo também avançou em medidas de padronização. Portaria interministerial passou a estabelecer a nota fiscal como documento central para comprovação de origem do pescado, com o objetivo de uniformizar procedimentos e ampliar a transparência na cadeia.
Para a entidade, no entanto, o ponto central está no equilíbrio regulatório. A simplificação de processos em uma ponta pode ser anulada pelo aumento de exigências em outra, com efeito direto sobre a eficiência da atividade.
A Peixe BR afirmou que deve intensificar a interlocução com o MPA e o Mapa para tentar rever pontos da regulamentação e evitar entraves à produção. O receio do setor é que as mudanças ampliem o custo operacional em uma cadeia que ainda busca ganhar escala e consolidar sua competitividade no país.
Veja a nova norma, clicando aqui
Fonte: Pensar Agro
Agro
Modernização das plantas de fertilizantes é essencial para reduzir custos e fortalecer a indústria no Brasil
Brasil depende de importações e movimenta 45 milhões de toneladas de fertilizantes
O mercado brasileiro de fertilizantes registrou a entrega de aproximadamente 45 milhões de toneladas em 2025, segundo dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA) e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
Apesar do volume expressivo, o setor segue altamente dependente do mercado externo: cerca de 85% dos nutrientes utilizados no país são importados, de acordo com dados do Comex Stat. Essa operação movimenta aproximadamente US$ 15 bilhões por ano.
Plano Nacional de Fertilizantes busca reduzir dependência externa até 2050
Diante desse cenário, a modernização das plantas industriais é uma das diretrizes centrais do Plano Nacional de Fertilizantes (PNF), coordenado pelo Conselho Nacional de Fertilizantes e Insumos Nutricionais (Confert).
O objetivo do programa é reduzir a dependência externa do Brasil para cerca de 45% até 2050, fortalecendo a produção nacional e a competitividade do setor.
Eficiência no processamento é chave para manter margens do setor
Com os preços dos fertilizantes atrelados ao dólar, a eficiência operacional nas unidades de mistura e processamento se torna um dos principais fatores de controle de custos da indústria.
Segundo Franklin Oliveira, diretor LATAM do setor de Indústria e Portos da AGI Brasil, a modernização é fundamental para garantir viabilidade econômica e segurança operacional.
“O fertilizante é um ativo dolarizado e um dos itens de maior peso na planilha do produtor. O rigor na dosagem assegura que o insumo entregue corresponda exatamente ao formulado, evitando desperdícios de matéria-prima cara”, afirma.
Falhas na mistura podem gerar riscos regulatórios e perdas financeiras
Além do impacto econômico, o especialista alerta que falhas no processo de mistura podem comprometer a conformidade do produto.
Sem sistemas de controle precisos, o fertilizante final pode apresentar variações na composição química, resultando em lotes fora das especificações exigidas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA).
Segregação de materiais é um dos principais desafios técnicos da indústria
Um dos principais gargalos do setor está na dificuldade de homogeneizar matérias-primas com diferentes densidades e tamanhos de partículas.
Segundo Franklin Oliveira, quando esses componentes são movimentados juntos, ocorre a segregação física, em que partículas menores tendem a se concentrar em determinadas áreas do fluxo, enquanto as maiores se deslocam para outras regiões, comprometendo a uniformidade do produto.
Automação reduz perdas e melhora precisão na produção
Para reduzir essas perdas, a adoção de sistemas automatizados é apontada como fundamental.
De acordo com benchmarks industriais, processos com baixa automação ou dependência de ajustes manuais podem gerar perdas de nutrientes entre 1% e 3% do volume total processado.
Sistemas de fluxo contínuo com monitoramento digital permitem ajustes em tempo real, compensando variações como umidade e densidade dos lotes, aumentando a precisão da mistura.
Automação e precisão definem futuro da indústria de fertilizantes
Com o avanço da tecnologia, o setor tende a ampliar o uso de soluções automatizadas para garantir maior padronização e eficiência produtiva.
Para Franklin Oliveira, a capacidade de manter homogeneidade em escala industrial será determinante para a competitividade global da indústria brasileira.
“A capacidade de manter a homogeneidade em escala industrial é o que permitirá ao Brasil produzir fertilizantes especiais e de liberação controlada com o mesmo rigor das principais potências globais. Não se trata apenas de movimentar carga, mas de assegurar que a engenharia de precisão atue como o núcleo da inteligência financeira da planta”, conclui.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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