Agro
Federarroz avalia aporte de R$ 300 milhões como sinal de diálogo e sensibilidade do governo ao setor de arroz
A Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz) recebeu positivamente o anúncio da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) de um aporte de R$ 300 milhões para apoiar a safra atual de arroz. A iniciativa visa reduzir os impactos da crise de liquidez e das dificuldades de crédito que atingem os produtores orizícolas.
Destinação dos recursos: AGFs e prêmio de escoamento
Segundo o presidente da Conab, Edegar Pretto, do total de R$ 300 milhões:
- R$ 200 milhões serão aplicados em Aquisições do Governo Federal (AGFs), mecanismo que garante preço mínimo ao produtor quando os valores de mercado caem abaixo do estabelecido pelo governo, estabilizando o mercado em períodos de excesso de oferta;
- R$ 100 milhões serão destinados à subvenção via Prêmio de Escoamento de Produto (PEP) ou Prêmio de Escoamento ao Produtor (Pepro), para assegurar preço mínimo e viabilizar o escoamento de arroz de regiões com excedente para áreas carentes do grão.
O aporte deve contemplar aproximadamente 600 mil toneladas de arroz, dependendo do valor final do prêmio de escoamento, sendo que 90% dos recursos serão destinados ao Rio Grande do Sul.
Setor considera aporte importante
O presidente da Federarroz, Denis Nunes, destacou a relevância do anúncio para os produtores:
“Foi uma reunião produtiva, onde mostramos a necessidade do prêmio de escoamento para melhorar a remuneração e as AGFs ajudam a estabelecer preços mínimos, dando mais segurança ao produtor”, avaliou Nunes.
Ajustes na área plantada e investimento em tecnologia
Outra questão discutida durante a reunião foi a redução da área de plantio como medida para enxugar estoques. Nunes estima uma diminuição em torno de 15% da área cultivada, consequência da crise e das altas taxas de juros que limitam investimentos em tecnologia.
“Acreditamos que os produtores já estão convencidos dessa necessidade. Esse ajuste impacta também na redução do investimento em tecnologia, devido à dificuldade de crédito e custos elevados”, explica o presidente da Federarroz.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Crédito rural e renegociação de dívidas ganham destaque com juros elevados e linhas a partir de 2% ao ano
A elevação da taxa Selic para 15% pelo Comitê de Política Monetária (Copom) reforça o cenário de juros elevados no Brasil e amplia o impacto sobre o crédito rural e o endividamento no agronegócio. Com isso, o país passa a ocupar a vice-liderança global em juros reais, atrás apenas da Argentina, segundo levantamento do Portal MoneYou.
A decisão do Banco Central tem como objetivo conter a inflação por meio do encarecimento do crédito e da redução da demanda na economia. No entanto, o movimento também afeta diretamente produtores rurais que contrataram financiamentos nos últimos anos para custeio de safra, aquisição de máquinas, implementos e expansão de áreas produtivas.
Selic elevada encarece crédito e pressiona produtores rurais
Com a taxa básica de juros em patamar elevado, empréstimos e financiamentos tendem a ficar mais caros. Em alguns casos, operações de crédito rural já contratadas podem sofrer reajustes, especialmente aquelas indexadas a taxas variáveis.
O aumento dos juros, apesar de contribuir para o controle inflacionário, também reduz o ritmo de investimentos no setor produtivo, já que encarece o capital e impacta diretamente a capacidade de expansão dos negócios no campo.
Nesse cenário, produtores rurais passam a avaliar alternativas como renegociação, alongamento de prazos e quitação antecipada de dívidas, dependendo das condições financeiras e da estrutura de cada operação.
Mercado privado amplia opções de crédito rural
Além das linhas oficiais, o produtor rural conta com soluções do mercado financeiro privado, que vêm ganhando espaço como alternativa ao crédito tradicional.
A ConsulttAgro, empresa especializada em captação de recursos para o agronegócio, atua com taxas a partir de 2% ao ano e prazos de até 20 anos para pagamento, voltados à aquisição de terras, maquinários e expansão produtiva.
A empresa mantém parceria com mais de 20 instituições financeiras, incluindo bancos, administradoras de crédito e fundos de investimento, com foco na estruturação de operações personalizadas para diferentes perfis de produtores.
Segundo representantes da consultoria, o processo de análise considera fatores como garantias, faturamento e necessidade do cliente, buscando adequar taxa, prazo e custo total da operação ao perfil de cada produtor rural.
Garantias e perfil do produtor definem condições de crédito
Especialistas do setor destacam que a estrutura de garantias é um dos principais fatores para a obtenção de melhores condições de financiamento. Dependendo da linha de crédito, podem ser exigidas garantias proporcionais ao valor financiado, variando conforme o risco da operação.
A recomendação é que o produtor apresente informações claras e organizadas desde o início da negociação, o que contribui para maior agilidade na análise e melhores condições de contratação.
Crédito rural privado cresce com demanda por alternativas
O aumento da demanda por crédito estruturado tem impulsionado empresas especializadas no setor. Em 2024, operações privadas voltadas ao agronegócio movimentaram R$ 1,6 bilhão, com valores que variam de R$ 150 mil a R$ 150 milhões por operação.
Além de aquisição de áreas rurais, essas linhas também atendem investimentos em infraestrutura, máquinas e expansão produtiva, ampliando o acesso a capital fora do sistema bancário tradicional.
Gestão financeira se torna estratégica no agronegócio
Com juros elevados e maior pressão sobre o custo do crédito, a gestão financeira ganha papel central na sustentabilidade das propriedades rurais. A escolha entre renegociar dívidas, alongar prazos ou buscar novas linhas de financiamento depende diretamente do planejamento de cada produtor.
Em um cenário de Selic elevada e crédito mais restrito, a busca por alternativas mais competitivas se torna uma estratégia essencial para manter a competitividade e garantir a continuidade dos investimentos no campo.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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