Curitiba
Nova barragem de água da Grande Curitiba começa a ser enchida no segundo semestre deste ano
Sanepar avança nas obras da Barragem de Miringuava com etapa de preparação ambiental
Localizado em São José dos Pinhais, a Barragem do Miringuava irá compor o Sistema de Abastecimento Integrado de Curitiba (SAIC), formado pelos reservatórios Iraí, Passaúna, Piraquara I e Piraquara II. O projeto vai ampliar de forma considerável, o abastecimento público. A represa terá capacidade de armazenar 38 bilhões de litros de água, quantidade suficiente para fornecer 2 mil litros de água por segundo para as unidades consumidoras.
A barragem vai beneficiar diretamente os moradores dos bairros Campo de Santana, Caximba, CIC, Ganchinho, Tatuquara, Umbará e Sítio Cercado, em Curitiba; e também das cidades de Fazenda Rio Grande, Araucária e São José dos Pinhais. A previsão é de que o reservatório comece a ser enchido no segundo semestre de 2025.
A Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) segue mais uma atividade das obras da Barragem, com a etapa chamada de Preparação Ambiental. Além do treinamento dos profissionais que irão trabalhar no resgate da fauna e flora, está sendo finalizada a estruturação do Centro de Triagem de Animais Silvestres (CETAS).
Na tarde da quinta-feira (9), técnicos do Instituto Ambiental do Paraná realizaram visita de inspeção. Esta etapa terá investimentos de R$ 25 milhões e foco na conservação da fauna e flora no reservatório e seu entorno.
Preocupação ambiental na obra da barragem
No CETAS será feito o acolhimento dos animais e a triagem para que as espécies recebam tratamento adequado e, caso necessário, os cuidados veterinários ao trabalho de realocação. De acordo com o diretor de Meio Ambiente e Ação Social da Sanepar, Julio Gonchorosky, o CETAS é um setor obrigatório, condicionado ao licenciamento.
“Durante o processo de supressão da vegetação, primeiramente fazemos o trabalho de afugentamento de animais ou, quando necessário, a mudança de local para eles. Entretanto, alguns animais podem precisar de algum atendimento veterinário. No CETAS é feito o primeiro atendimento. Em caso de estresse, por exemplo, o bicho vai ser contido e depois solto. Se apresentar um problema mais sério, como uma fratura, é levado a uma clínica veterinária para o tratamento mais adequado”, explica o diretor.
Gonchorosky diz, ainda, que a partir desta vistoria do IAT no CETAS, a Sanepar já estará apta a iniciar os trabalhos de resgate dos animais e supressão da vegetação.
EQUIPE ESPECIALIZADA – A equipe que fará o trabalho de resgate da fauna e flora é composta por cerca de 20 profissionais, entre eles veterinários, biólogos, engenheiros florestais e os técnicos que estão sendo treinados para o resgate. Além do centro dos animais silvestres, a Sanepar também tem um espaço para a realocação de plantas e sementes. De acordo com a bióloga e coordenadora do trabalho, Ana Cristina do Rego Barros, a expectativa é de que o trabalho tenha a duração de oito meses.
Com autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e licença de instalação emitida pelo IAT, serão suprimidas espécies exóticas e nativas para a formação do reservatório, que é essencial para a garantia de água para as próximas gerações.
A medida terá compensação superior ao que será suprimido pela barragem. O reservatório vai ocupar 430,6 hectares (ha), a Sanepar compensará em torno de 700 ha. Isso corresponde a uma área 62,6% superior a que está sendo utilizado para reservação de água.
AÇÕES – Desde janeiro de 2022, a Sanepar tem desenvolvido diversas ações visando a recuperação de áreas degradadas no entorno do futuro Reservatório Miringuava. Os serviços já executados envolveram o preparo inicial, como descompactação e correção do solo, adubação e controle de espécies daninhas, e o plantio e replantio de 214 mil mudas de 60 espécies arbóreas nativas, recuperando, até o momento, uma área total de 110 ha (25% do espaço utilizado pela barragem).
Um viveiro para o acondicionamento temporário de espécies vegetais resgatadas também já foi implantado. As sementes das árvores serão recolhidas e destinadas para viveiros do IAT, da própria Sanepar e de Organizações Não Governamentais (ONGs) locais, com o objetivo de preservar o material genético e fazer o replantio na própria Área de Proteção Permanente (APP) do entorno do reservatório para reforçar a recuperação da vegetação.
A Sanepar tem apoiado o desenvolvimento socioeconômico dos produtores e empreendedores da Bacia do Miringuava. Uma das atividades é a promoção na da Feira de Produtos Agrícolas e Artesanais, que ocorre na sede da empresa em Curitiba.
BARRAGEM – Previsto no Plano Diretor da Sanepar para a Região Metropolitana de Curitiba, o Reservatório Miringuava é fundamental para reforçar a disponibilidade de água para abastecimento da população de Curitiba e de cidades da Região Metropolitana, com foco no enfrentamento da escassez hídrica.
Curitiba
Curitiba tem um bairro gigante que supera municípios da Região Metropolitana
A Cidade Industrial de Curitiba (CIC) carrega o título de bairro mais populoso da capital paranaense e figura entre os cinco maiores do Brasil. Segundo o último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), são 172.510 moradores, número superior ao de Pinhais e Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba, que têm 127 mil e 118.730 habitantes, respectivamente.
Além da densidade populacional, a CIC se destaca pelo tamanho territorial, com 43 km² de extensão. Oficialmente fundada em 1973, a Cidade Industrial nasceu de uma parceria entre a Urbs e o Governo do Paraná.
A ideia era criar uma área planejada para receber indústrias e, ao mesmo tempo, oferecer moradia para trabalhadores. As primeiras casas começaram a surgir nos anos 1980 e, desde então, a região nunca parou de crescer.
Nos anos 1970, o bairro parecia isolado às margens da BR-116. Hoje, no entanto, faz parte do coração econômico da capital, com conexões diretas para o interior do Paraná.
Bairros mais populosos de Curitiba
Atualmente, a CIC lidera o ranking dos bairros mais populosos de Curitiba, seguida por Sítio Cercado, Cajuru, Uberaba e Boqueirão. Somadas, essas cinco regiões concentram 503.664 habitantes, ou seja, quase 30% de toda a população curitibana.
Na outra ponta, bairros como Riviera, Lamenha Pequena e Cascatinha mal chegam a somar 10 mil moradores.
Boom de investimentos após a pandemia
Desde 2022, a CIC tem atraído grandes investimentos em diferentes setores. Estima-se que cerca de R$ 2 bilhões já tenham sido confirmados em projetos industriais para os próximos três anos
A região também foi a mais procurada da cidade para abertura de empresas no primeiro semestre de 2022. Segundo a prfeitura, 2.761 novos negócios se instalaram ali, número maior que o registrado no Centro e no Sítio Cercado.
Atualmente, o bairro reúne aproximadamente 20 mil empresas, responsáveis por mais de 80 mil empregos diretos e indiretos, de acordo com a Associação das Empresas da CIC.
Entre os investimentos mais expressivos estão os R$ 1,5 bilhão da Volvo em pesquisa e desenvolvimento até 2025; os R$ 200 milhões da Fiocruz na construção de uma fábrica de vacinas; e outros R$ 200 milhões da alemã Horsch, que pretende implantar uma unidade de máquinas agrícolas na região.
Desafios do maior bairro de Curitiba
Apesar da relevância econômica e social, a CIC enfrenta desafios típicos de grandes centros urbanos. O bairro aparece em segundo lugar no ranking de crimes contra o patrimônio em 2025, com 2.545 ocorrências registradas apenas no primeiro semestre, ficando atrás apenas do Centro.
Além da questão da segurança, o trânsito intenso e as demandas por urbanização acompanham o crescimento acelerado da região.
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