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Na Blue Zone, ministro Fávaro integra o conceito de Uma Só Saúde nas políticas do Mapa

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Encerrando as atividades no último dia da COP30, o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, participou, nesta quinta-feira (20), do painel “Uma Só Saúde para a Resiliência Climática: Soluções Intersetoriais para Desafios Globais”, realizado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), no Pavilhão Brasil da Blue Zone.

O ministro Fávaro destacou a parceria histórica com a OMSA, organização da qual o Brasil é membro fundador desde 1924. “O país tem grande apreço pelas diretrizes internacionais, e as referências da OMSA são essenciais para regulamentar nossas normas internas de saúde e bem-estar animal e para orientar relações comerciais seguras. Essa cooperação orienta decisões bilaterais e multilaterais importantes para o comércio de produtos de origem animal”, disse.

Sobre o tema do painel “Uma Só Saúde”, Fávaro afirmou que o conceito já está incorporado às ações do Mapa por meio da Secretaria de Defesa Agropecuária e que saúde humana, animal, vegetal e ambiental são interdependentes e complementares. As ações contra a resistência aos antimicrobianos e o bem-estar animal também foram apontadas como prioridades.

A diretora-geral da OMSA, Emmanuelle Soubeyran, evidenciou que o crescimento populacional e a demanda crescente por proteína animal exigem novos modelos de produção, com menor impacto ambiental. Segundo ela, as mudanças climáticas já afetam diretamente a saúde animal, ampliando doenças transmitidas por vetores e intensificando danos causados por eventos extremos. “O impacto do clima sobre a saúde animal é claro, e não teremos produção forte e segura sem serviços veterinários fortes”, afirmou.

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Ela ressaltou que menos de 2% do financiamento global para adaptação considera a saúde animal, o que classificou como insuficiente para enfrentar os desafios atuais. A diretora defendeu novos investimentos, redes integradas de vigilância e a inclusão da saúde animal nos planos nacionais de ação climática. “Investir em sanidade é investir em segurança alimentar, em saúde pública e em mitigação das emissões”, destacou.

Participaram do painel ainda o representante do Centro Pan-Americano de Febre Aftosa e Saúde Pública Veterinária da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), Ottorino Cosivi, que salientou a cooperação regional dos serviços veterinários no controle de doenças como a influenza aviária. A presidente do Conselho de Medicina Veterinária do Pará, Nazaré Fonseca, ressaltou o papel dos médicos-veterinários como promotores da agenda de “Uma Só Saúde”.

O ministro Carlos Fávaro destacou a participação do Mapa no Comitê Interinstitucional em Uma Só Saúde, composto por 20 instituições e responsável pela elaboração do plano nacional, que será lançado em dezembro. “Nosso objetivo é que a integração entre os setores seja cada vez mais sistêmica e eficiente”, disse.

Ao final, Fávaro enfatizou a importância da OMSA como parceira estratégica do Brasil. A organização tem sido essencial na construção de políticas sólidas de saúde animal e na consolidação do país como referência internacional. “A OMSA tem sido fundamental ao longo da nossa história. Suas diretrizes são essenciais para que o Brasil siga crescendo com solidez e segurança”, concluiu.

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O PAINEL

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Foto: Beatriz Batalha/Mapa

O painel destacou como ações coordenadas e intersetoriais podem fortalecer a resiliência e proteger a saúde das pessoas, dos animais e do planeta.

O evento buscou aumentar a conscientização sobre a importância desse tema, compartilhando modelos replicáveis, e identificar quais serão os próximos passos concretos para colaboração e investimento na abordagem de “Saúde Única”.

A abordagem “Uma Só Saúde” é considerada essencial para enfrentar os desafios emergentes da atualidade, buscando contribuir para a mitigação e adaptação climática ao promover práticas sustentáveis na agricultura, reduzir a exploração da vida selvagem e proteger os ecossistemas.

REUNIÃO ESTRATÉGICA

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Foto: Beatriz Batalha/Mapa

Ainda nesta quinta-feira (20), o ministro Fávaro e a diretora-geral Soubeyran realizaram uma reunião bilateral na AgriZone.

A ocasião foi marcada pelo avanço em temas prioritários da agenda conjunta, reafirmando o compromisso do Brasil com o fortalecimento da saúde animal global.

Fávaro destacou ainda a nomeação da nova adida agrícola do Brasil na França, Bárbara Cordeiro, a partir de 2026, como reforço institucional para ampliar o alinhamento estratégico entre o Mapa e a OMSA.

Informações à imprensa
[email protected]

Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária

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Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia

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A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.

O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.

Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.

O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.

Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.

A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.

A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.

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Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.

Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.

A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.

Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.

No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.

Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.

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A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.

O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.

A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.

O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.

Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.

Fonte: Pensar Agro

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