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MJSP lança capacitações para ampliar liderança das mulheres na segurança pública

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Brasília, 28/4/2026 – O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) reuniu, nesta terça-feira (28), dezenas de mulheres da segurança pública no encontro Mulheres na Liderança por um Brasil Mais Seguro, que marcou o lançamento da pós-graduação em Gestão e Liderança para Mulheres na Segurança Pública e da 2ª edição do Curso Mulheres na Liderança por um Brasil Mais Seguro.

A diretora de Ensino e Pesquisa (DEP) do MJSP, responsável pelas formações, Michele Gonçalves dos Ramos, destacou a participação reduzida de mulheres em espaços de decisão. “Ocupamos muitas funções em uma costura diária por tempos mais seguros. No entanto, na maioria das mesas em que se tomam decisões finais, somos minoria ou não estamos presentes. Nunca tivemos uma mulher como ministra da Justiça e Segurança Pública, por exemplo. O curso foi criado para reduzir as barreiras que enfrentamos”, afirmou.

Na mesma linha, a diretora do Sistema Único de Segurança Pública, Isabel Figueiredo, ressaltou que as capacitações evidenciam o empenho do Governo em ampliar a participação feminina. Segundo ela, aumentar a presença de mulheres nesses cursos é uma reivindicação antiga, razão pela qual foram implementadas cotas, já que, no passado, elas não tinham acesso às formações. A diretora avalia que a proposta reforça a importância do tema e pode contribuir para uma segurança pública mais diversa e eficiente.

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A secretária-executiva adjunta do Ministério das Mulheres, Neuza Tito, indicou a representatividade das mulheres no setor da segurança pública como um desafio que os cursos podem ajudar a enfrentar. “Vocês representam apenas 17% das forças de segurança estaduais, mas cada uma é referência para outras mulheres. A presença feminina alimenta sonhos e amplia horizontes para que meninas ocupem todos os espaços que desejarem”, ressaltou.

A mobilização feminina em torno de temas como a maior participação de mulheres em ambientes majoritariamente masculinos é uma das principais estratégias para a quebra de paradigmas. Segundo a secretária nacional de Políticas sobre Drogas, Marta Machado, quando essa mobilização é estruturada, “há mais chances de avanço para posições de tomada de decisões”.

Expectativas com a formação

A coordenadora da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Ana Angélica Trindade, destacou a sensibilidade e o potencial de eficiência das mulheres na solução de problemas como uma vantagem competitiva na atuação profissional. A coordenadora observou que profissionais da segurança pública têm papel relevante na inspiração de outras mulheres e avalia que a pós-graduação será uma oportunidade de propor gestões mais democráticas.

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Ainda durante o encontro, a policial científica do Espírito Santo, Ana Cecília Santos, comentou sobre a importância da formação para sua carreira. “A formação contribui para uma mudança de mentalidade e fortalece minha atuação profissional”, disse.

Também presente no evento, a major da Polícia Militar da Paraíba, Dayana Cruz, com mais de 19 anos de carreira, relatou ter se surpreendido positivamente com o tema do evento. A major destacou que é comum associar a temática feminina apenas a contextos violentos.

“Trazer essa perspectiva ao debate sobre liderança feminina é fundamental, porque a união de mulheres gera reflexões e trocas que impactam positivamente as participantes e a sociedade”, avaliou.

O encontro reuniu 42 mulheres na 2ª edição do Curso Mulheres na Liderança por um Brasil Mais Seguro e outras 240 que acompanharam, de forma remota, o início da pós-graduação.

Participam da iniciativa profissionais da Polícia Militar, da Polícia Civil, da Perícia, da Guarda Civil Municipal, da Polícia Penal Estadual, da Polícia Penal Federal, da Polícia Rodoviária Federal, da Polícia Federal e do Corpo de Bombeiros Militar.

Fonte: Ministério da Justiça e Segurança Pública

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Livro aborda a complexa relação entre mobilidade humana e mudança do clima

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O livro Migração, Deslocamento e Realocação Planejada Relacionados à Mudança do Clima no Brasil apresenta um panorama sobre a relação complexa entre mobilidade humana e mudanças climáticas no Brasil. O livro é resultado do trabalho conjunto da OIM, Agência da ONU para as Migrações, e da Rede Brasileira de Pesquisas sobre Mudanças Climáticas Globais (Rede Clima), vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), a partir de seminário em 2024 que reuniu os principais pesquisadores e instituições que atuam na área.  

Como em outras regiões do mundo, os padrões da mobilidade humana associada à mudança do clima no Brasil ainda são pouco estudados. Segundo o livro, a Amazônia e o Nordeste são mais sensíveis à migração climática. Contudo, há lacuna de dados sobre outras regiões, como o Centro-Oeste. Por isso, o título é lançado em um momento estratégico para fortalecer o debate público e disseminar conhecimento sobre o tema e com conexão com a implementação do Plano Clima. A coletânea dá visibilidade às pesquisas já produzidas, com informações de diferentes campos do conhecimento, identifica lacunas e aponta novas perspectivas para o fortalecimento dessa agenda de pesquisa, de modo sólido e inovador.  

A publicação foi coordenada pelo pesquisador da Rede Clima e da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Alisson Barbieri e pela especialista em mobilidade climática e Oficial Nacional de Migração, Meio Ambiente, Mudança do Clima e Redução do Risco de Desastres da OIM, Débora Castiglione. A obra reúne artigos de mais de 20 especialistas de diversas áreas e instituições, apresentando análises, estudos de caso e recomendações de políticas públicas baseadas em evidências. 

De acordo com Barbieri, uma das consequências mais visíveis das mudanças climáticas é a mobilidade das populações afetadas. “Conceitos como mobilidade climática, refugiados climáticos, desabrigados e desalojados e realocação planejada têm sido cada vez mais associados aos impactos de eventos extremos associados às mudanças climáticas”, explica. Diante desse contexto, na avaliação dele, é fundamental combinar conhecimento científico e política pública para compreender como a mobilidade associada à vulnerabilidade de diferentes tipos de população, como as tradicionais, as em situação de rua e as que residem em áreas de risco, demandam o desenho de políticas de adaptação específicas e adequadas para tratar os impactos das mudanças climáticas. Alisson Barbieri é professor titular da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), pesquisador do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional e coordenador da sub-rede Cidades e Urbanização da Rede Clima/MCTI. 

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 O livro está organizado em seis partes. Na primeira, há contextualização sobre a pesquisa brasileira sobre mobilidade humana e as discussões globais sobre mudança do clima e mostra os cenários climáticos para o Brasil nas suas diferentes regiões e o pioneirismo do País na incorporação da justiça climática na sua nova geração de políticas públicas de adaptação. A segunda lança luz sobre os desafios conceituais e metodológicos para esse campo de pesquisa, que está em formação e que pela complexidade deve ser necessariamente interdisciplinar, reforçando a necessidade de integrar múltiplos campos do conhecimento, fontes de dados e estratégias de análise.  

Débora Castiglione afirma que o livro reflete um esforço coletivo entre a OIM, a Rede Clima e a comunidade científica para avançar na compreensão da relação entre mobilidade humana e mudança do clima no Brasil. A publicação sistematiza o conhecimento existente, evidencia lacunas e reforça a necessidade de fortalecer este campo de pesquisa. “Para a OIM, esse é um passo fundamental para apoiar políticas públicas baseadas em evidências, que incorporem a mobilidade como parte das estratégias de adaptação, com base na justiça climática e na proteção dos direitos humanos.” 

Na sequência são apresentas as abordagens metodológicas multidisciplinares para a pesquisa sobre mobilidade humana e mudança do clima. O livro enfatiza a necessidade de integrar múltiplos campos do conhecimento, como demografia, geografia, economia, sociologia, antropologia, ciências ambientais, e considerar como fatores como gênero, idade, etnia e renda influenciam a capacidade de migrar ou de permanecer nos territórios. A publicação destaca ainda dificuldade de atribuir a mobilidade exclusivamente às mudanças climáticas e à carência de dados desagregados, confiáveis e de qualidade para entender os padrões de mobilidade e imobilidade, bem como as motivações e percepções das pessoas. Segundo os dados, a mobilidade é resultado de uma interação complexa de fatores ambientais, socioeconômicos, culturais e políticos.   

O livro apresenta ainda estudos de caso e exemplos regionais de mobilidade, como os impactos das secas extremas na navegação fluvial, na segurança hídrica e alimentar das populações rurais e indígenas, e as interações com o desmatamento. No biênio 2023/2024, 97% dos municípios da Amazônia legal experimentaram seca moderada e mais da metade esteve sob algum grau de seca ao longo de todo o ano.  A seca também é foco na análise sobre a migração rural-urbana no Nordeste, considerando a heterogeneidade da renda agrícola e do nível de escolaridade como fatores que influenciam a capacidade e a decisão de migrar.  

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Em Belo Horizonte (MG), o estudo explora os deslocamentos relacionados a desastres de progressão rápida, como inundações e deslizamentos, e a política municipal de realocação planejada como estratégia de adaptação urbana. O caso de comunidades tradicionais caiçaras da Enseada da Baleia (Ilha do Cardoso, SP) surge como um exemplo de realocação autônoma e autogerida em resposta à erosão costeira e eventos extremos, destacando o valor do conhecimento tradicional e a luta por direitos. 

A publicação destaca a urgência de respostas proativas e estratégicas para os desafios impostos pelas mudanças climáticas, com um olhar focado na justiça climática e nos direitos humanos. Um dos conceitos explorados na publicação é a ‘imobilidade involuntária’, referindo-se às populações que não conseguem se deslocar mesmo diante de riscos climáticos iminentes devido a limitações financeiras, sociais ou culturais.  

A mensagem central da publicação, a despeito dos dados existentes, é de que há necessidade de ampliar a produção de dados confiáveis e de qualidade e de pesquisas para compreender os padrões de mobilidade e identificar fatores, motivações e percepções na tomada de decisão sobre migração. O livro encerra com uma perspectiva de fomento a novas pesquisas e a promoção de ações colaborativas entre academia, governo e sociedade civil para enfrentar os desafios da mobilidade climática em um cenário de constantes transformações. 

A ministra do MCTI, Luciana Santos, destaca que regiões do Brasil convivem com deslocamentos internos há muitas décadas. Mas a mudança do clima pode acelerar e causar diferentes impactos, conforme a área do Brasil. “Nós já sabemos que mudança do clima é uma realidade presente em todos os aspectos da nossa vida cotidiana. Por isso, é muito relevante que a ciência brasileira esteja sinalizando caminhos, lacunas de conhecimento e preocupações em relação à mobilidade humana. 

 

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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