Paraná
Ministério Público do Paraná incentiva ações para promoção da igualdade racial e defesa dos direitos da população negra
O Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro, foi instituído pela Lei 12.519/2011 – a data tem por objetivo estimular a reflexão e o reconhecimento sobre a contribuição da comunidade negra para o Brasil e valorizá-la devidamente. Como instituição voltada à defesa dos interesses sociais e individuais indisponíveis e com a função de zelar pelo efetivo respeito aos direitos constitucionais, o Ministério Público busca promover ações para efetivação da igualdade racial.
Nesse sentido, o Ministério Público do Paraná tem fomentado ações contínuas de combate à desigualdade racial e de defesa dos direitos da população negra. A iniciativa mais recente aconteceu na última sexta-feira, 17 de novembro, quando o Núcleo de Promoção da Igualdade Étnico-Racial (Nupier, vinculado ao Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Proteção aos Direitos Humanos) e o Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Justiça de Proteção ao Meio Ambiente e de Habitação e Urbanismo emitiram recomendação administrativa para que as forças de segurança paranaenses tratem de modo adequado os casos que envolvam praticantes de religiões de matriz africana. O documento é dirigido ao secretário de Segurança Pública e Administração Penitenciária do Estado do Paraná, ao delegado-geral da Polícia Civil, ao Comando-Geral da Polícia Militar, ao Comando do Batalhão de Polícia Ambiental Força Verde e ao Instituto Ambiental do Paraná.
Casos de intolerância – Na recomendação administrativa, o MPPR lembra que o Estatuto da Igualdade Racial estabelece, em seu art. 26, que o “poder público adotará as medidas necessárias para o combate à intolerância das religiões de matrizes africanas e à discriminação de seus seguidores”, alertando ainda que a Lei n° 7.716/89 define ser crime “obstar, impedir ou empregar violência contra quaisquer manifestações ou práticas religiosas”. A coordenadora do GT de Igualdade Racial, promotora de justiça, Amanda Ribeiro dos Santos, e o coordenador do Nupier, promotor de Justiça Rafael Osvaldo Machado Moura, reforçam o caráter amplo da medida. “Ao se proteger as religiões de matriz africana, que são as que mais frequentemente são atacadas por atos de intolerância, o Ministério Público, em verdade, está a promover a liberdade e direito de crença a todas as religiões. Além disso, a recomendação reforça o trabalho do Ministério Público no combate ao racismo, em todas as esferas.”
Tendo em vista os diversos casos de intolerância religiosa e de violência contra templos e praticantes de cultos e religiões de matriz africana – que carregam, quase sempre, conotação de racismo –, a instituição recomenda aos destinatários, entre outras medidas:
– Que, nas situações de notícias sobre perturbação do sossego ou poluição sonora em cultos religiosos de matriz africana, não procedam à interrupção das cerimônias ou apreensão dos seus instrumentos musicais, em razão da especial proteção destes como artefatos sagrados e integrantes do patrimônio cultural;
– Que, nas abordagens e fiscalizações nos templos das religiões de matriz africana, procedam sempre de modo a conferir tratamento digno e respeitoso ao local e aos adeptos – não gerando qualquer espécie de constrangimento, ultraje ou discriminação, devendo evitar que essas diligências ocorram nos horários dos cultos – e abstenham-se de violar os espaços litúrgicos de trânsito exclusivo aos iniciados;
– Que, em instituições do sistema carcerário/penitenciário, seja garantido que os presos tenham acesso à assistência religiosa capaz de promover a sua identidade cultural e ancestralidade, abstendo-se de obstar, interromper ou impedir seus cultos e liturgias ou práticas de assistência religiosa, bem como garantindo a segurança e integridade física e moral dos sacerdotes e seus assistentes;
– Que, nas situações em que a vítima seja comunidade ou templo religioso de matriz africana ou seu adepto, proceda-se à correta tipificação do crime de racismo religioso, com vistas a garantir a proteção dos direitos das comunidades tradicionais, especialmente aquelas ligadas às religiões de matriz africana, que frequentemente sofrem ataques e discriminações;
– Que, no atendimento a notícias que envolvam violações a adeptos e/ou templos de religião de matriz africana, seja considerado pelos agentes policiais que os ataques a referidos templos não são meros fatos de vandalismo ou de dano patrimonial rotineiro, mas sim atos motivados pelo ódio religioso e racial, sendo necessário que se registrem, nos boletins de ocorrência ou ao longo das investigações, a dimensão ou caracterização do racismo religioso e suas implicações no caso concreto.
Cotas raciais – Outra ação concreta em curso, promovida pelo Ministério Público do Paraná para garantia de direitos das pessoas negras, é coordenada pelo Nupier, buscando atingir todas as comarcas do Estado. Trata-se do estímulo à criação, pelos municípios, de leis que garantam cotas raciais nos concursos públicos. Atualmente, 145 cidades paranaenses têm legislação específica nesse sentido, e 122 delas aprovaram essas leis a partir da atuação do MPPR.
O coordenador do Caop dos Direitos Humanos – ao qual o Nupier é vinculado –, procurador de justiça Olympio de Sá Sotto Maior Neto, fala da importância de ações como essas: “Na perspectiva de ser a República Federativa do Brasil um Estado Democrático de Direito, que apresenta entre os seus fundamentos a cidadania e a dignidade da pessoa humana, tendo como objetivos fundamentais promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quiaquer outras formas de discriminação, buscando erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais, não se tenha dúvida de que a promoção da igualdade racial e o enfrentamento ao racismo constituem agenda prioritária e indispensável para se ver construída a desejada sociedade livre, justa e solidária. O resgate da dívida histórica com os afrodescendentes, especialmente com o desenvolvimento de políticas e ações afirmativas direcionadas à cidadania plena, representa avanço no nosso processo democrático e civilizatório”.
Denúncias – Atos de preconceito racial ou religioso são crime e devem ser levados às autoridades. Vítimas ou testemunhas podem comunicar os casos a uma delegacia de polícia ou ao Ministério Público ou ainda telefonar para o Disque 100. No momento em que o crime estiver ocorrendo, deve ser acionada a Polícia Militar pelo telefone 190.
Informações para a imprensa:
Assessoria de Comunicação
[email protected]
(41) 3250-4249
Fonte: Ministério Público PR
Paraná
Cerimônia de posse marca ingresso de Elisiane da Silva Moraes no Colégio de Procuradores de Justiça do MPPR
O Ministério Público do Paraná realizou nesta sexta-feira (2/10) a posse de Elisiane da Silva Moraes no cargo de Procuradora de Justiça. A cerimônia ocorreu no Gabinete da Procuradoria-Geral de Justiça, em Curitiba, e marcou o ingresso de Elisiane Moraes no nível mais alto da carreira ministerial.
A solenidade foi conduzida pelo Procurador-Geral de Justiça em exercício, Armando Antônio Sobreiro Neto, e reuniu integrantes do Ministério Público, familiares e convidados. A cerimônia também foi transmitida ao vivo pelo canal do MPPR no YouTube.
Confira as fotos da solenidade
Promovida pelo critério de merecimento por meio do edital de promoção exclusivo para mulheres, a nova Procuradora reconheceu em seu discurso o significado de sua posse. “Recebo essa conquista com alegria e orgulho, mas também com a consciência de que ela representa algo que vai além da minha história pessoal, porque ocupar este espaço não significa apenas chegar. Significa também abrir caminho […]. Uma porta por onde outras mulheres possam passar”, destacou.
Elisiane também falou da alegria pela conquista, mas, sobretudo, do sentido de renovação do compromisso assumido com o Ministério Público em 1997, quando ingressou na instituição. Para ela, a chegada ao novo cargo representa uma responsabilidade ainda maior. Em sua fala, também agradeceu às pessoas que fizeram parte de sua trajetória, com destaque para as mulheres que encontrou ao longo da carreira e que foram referências de “competência, coragem, generosidade e determinação”. Ao falar sobre a função, defendeu a importância de preservar a capacidade de ouvir, compreender e reconhecer os próprios erros, lembrando que “a Justiça não pode perder sua dimensão humana”.
Um dos momentos de destaque da cerimônia foi a colocação da veste talar pelos filhos da homenageada, Fernando e João Vitor. O gesto simbolizou a celebração da conquista e o reconhecimento da trajetória percorrida por Elisiane até a nova etapa profissional no Colégio de Procuradores de Justiça.
Após a investidura, Elisiane renovou o compromisso legal de exercer com retidão as funções de Procuradora de Justiça e de cumprir as Constituições e as leis. Em seguida, foi realizada a leitura e a assinatura do termo de posse.
Saudações
A solenidade contou ainda com o pronunciamento de representantes da Associação Paranaense do Ministério Público (APMP), da Corregedoria-Geral e do Colégio de Procuradores de Justiça.
O Presidente da APMP, Fernando da Silva Mattos, ressaltou a trajetória de quase três décadas de Elisiane, construída com atuação cotidiana em diferentes comarcas, especialmente na área da família. Enfatizou ainda a discrição como uma das marcas de sua carreira, exercida com “um trabalho intenso e cotidiano realizado longe dos holofotes e sem buscar aplausos”. Segundo ele, essa postura revela uma forma de atuação comprometida com o serviço público e reforça o significado de sua promoção, que representa o reconhecimento de uma “brilhante trajetória”.
A Subcorregedora-Geral do MPPR, Jacqueline Batisti, destacou que o momento reunia duas razões para ser especialmente celebrado: a trajetória pessoal e profissional da nova Procuradora e o significado institucional de sua promoção. “São duas dimensões que não competem entre si, ao contrário, complementam-se. Políticas afirmativas de igualdade de gênero não existem para substituir o mérito, elas existem para que o mérito possa encontrar condições mais justas, em espaços que historicamente nem sempre estiveram igualmente acessíveis”, afirmou. Segundo ela, a presença feminina em cargos relevantes deve ser compreendida não como exceção, mas como parte natural da instituição.
Em nome do Colégio de Procuradores de Justiça, Moacir Gonçalves Nogueira Neto pontuou o sentimento de admiração compartilhado pelos integrantes do colegiado diante da brilhante trajetória profissional da empossada. Ressaltou que ela foi recebida de braços abertos pelo Ministério Público e retribuiu com dedicação ímpar, construindo uma trajetória de sucesso marcada pela valorização do papel social da instituição. Ao cumprimentá-la pela promoção, declarou: “Vossa Excelência muito orgulha o Ministério Público e só poderia ter sido promovida por inegável merecimento”.
Encerramento
No encerramento da cerimônia, o Procurador-Geral de Justiça em exercício, Armando Antônio Sobreiro Neto, destacou que a trajetória de Elisiane é marcada pela dedicação ao serviço público, que, segundo ele, pressupõe uma entrega de amor e renúncia, valores presentes na carreira da Procuradora de Justiça recém-empossada.
Armando Antônio Sobreiro Neto observou ainda que, embora o trabalho no segundo grau seja marcado pelo contato com processos eletrônicos, “atrás de cada arquivo eletrônico existem vidas”, pessoas com expectativas, direitos e demandas que aguardam respostas da Justiça. Nesse contexto, ressaltou a responsabilidade que acompanha a chegada ao mais alto cargo da carreira. “Que tenhamos uma Justiça com mais amor, a exemplo da vossa trajetória”, afirmou.
Fonte: Ministério Público PR
-
Política Nacional4 dias agoConfira o que pode e o que não pode até o dia da votação
-
Agro4 dias agoChuva trava colheita enquanto mercado internacional paga mais pelo produto
-
Esportes7 dias agoCRB goleia o Cuiabá por 3 a 0 e entra na briga direta pelo G6 da Série B
-
Esportes7 dias agoCBF define calendário com semifinais da Copa do Brasil e rodadas do Brasileirão
-
Política Nacional6 dias agoChega ao Congresso projeto que torna crime a exploração de bets
-
Brasil5 dias agoDiamantina: cidade entre montanhas preserva um Patrimônio Mundial em Minas Gerais
-
Esportes5 dias agoBrasil vira sobre a Austrália e vence por 4 a 2 em amistoso
-
Brasil5 dias agoNovo Caged: Emprego formal gera 165,8 mil vagas em agosto e acumula 1,13 milhão de postos no ano
