Brasil
Ministério da Saúde e iFood capacitam entregadores para prestar primeiros socorros
O Ministério da Saúde e o iFood realizaram nesta quarta-feira (29/10) em São Paulo uma capacitação inédita para 100 entregadores e entregadoras, com o objetivo de transformar trabalhadores das ruas em agentes multiplicadores de prevenção e cuidado. Profissionais da Força Nacional do SUS (FN-SUS) ministraram a aula-piloto do Programa Anjos de Capacete, iniciativa do IFood, no campus da Universidade Zumbi dos Palmares, que cedeu sua estrutura para o evento. Depois do treinamento em primeiros socorros (que contou com simulações práticas de acidentes), os participantes receberam itens de segurança e suporte, como capacetes, jaquetas e kit de atendimento emergencial, além de um certificado válido por dois anos.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que a parceria reforça o papel do SUS como uma rede que salva vidas dentro e fora das unidades de saúde. “Este é um grande dia de capacitação e qualificação dos nossos trabalhadores e trabalhadoras por aplicativo, a partir dessa parceria do Ministério da Saúde com o iFood, que começa hoje e deve se repetir em outras oportunidades. Quero agradecer a dedicação de cada um e cada uma de vocês, que facilitam a vida de milhões de brasileiros, e pela disposição em participar deste treinamento, que certamente vai salvar vidas, não só nas ruas das cidades, mas também nos seus círculos familiares e de amigos. Após essa capacitação com a Força Nacional do SUS, vocês estarão ainda mais preparados para agir em situações de emergências e prestar os primeiros socorros. A Força Nacional do SUS está presente em grandes eventos e em situações de desastre pelo país, e agora também está formando e qualificando pessoas como vocês para salvar vidas”, afirmou o ministro.
O CEO do iFood, Diego Barreto, reforçou a relevância da parceria com a Pasta. “Contar com a colaboração do Ministério da Saúde, por meio da Frente Nacional do SUS, e da Universidade Zumbi dos Palmares nessa empreitada é um passo muito importante para promover a segurança viária em todo o Brasil”, disse. “O iFood coloca a segurança no trânsito em primeiro lugar. Investir em iniciativas que capacitem e tornem os próprios entregadores agentes multiplicadores de boas práticas no trânsito, como o programa Anjos de Capacete, é uma maneira que a empresa encontrou de fazer a diferença.”
“Para a Universidade Zumbi dos Palmares, participar do Anjos de Capacete é uma maneira ativa e potente de contribuir na formação de cidadãos conscientes, comprometidos e preparados para agir em emergências de saúde ou climáticas. A capacitação que agregamos é fruto do nosso importante projeto de qualificação Brigadistas Climáticos, voltado à formação e preparação de pessoas capazes de responder aos resultados dos impactos das mudanças do clima nas cidades. Falar em preparo, atenção e sensibilização é falar em justiça climática, em educar para o cuidado,
para a segurança da integridade e o bem-estar da vida coletiva.”, explica o professor José Vicente, reitor da Universidade.
Primeiros Socorros
Para o entregador Pedro Júnior Roseno, que participou da formação, a oportunidade representa um importante aprendizado e uma forma de contribuir ainda mais com a sociedade. “Eu já trabalho nas ruas de São Paulo há oito anos e nunca tive um treinamento como este. Pra gente que é entregador é muito importante a gente saber como socorrer as pessoas porque em São Paulo vemos acidentes todos os dias. É muito bom pra nós saber como ajudar as pessoas até a chegada do resgate”, explica.
Essa capacitação representa um avanço significativo na promoção da segurança e no fortalecimento das ações de resposta imediata em emergências. Os primeiros socorros desempenham papel essencial na redução de riscos e na preservação da vida em situações de acidentes de trânsito. O treinamento oferecido aos entregadores e entregadoras amplia a capacidade de resposta da sociedade em situações de urgência, ao mesmo tempo em que promove cidadania, solidariedade e segurança no trânsito.
Anjos de Capacete
O Programa Anjos de Capacete é uma iniciativa do iFood, criada em 2020 para capacitar gratuitamente motociclistas e entregadores em primeiros socorros e segurança no trânsito. Desde então, o projeto já formou 670 profissionais em todo o país, transformando trabalhadores das ruas em agentes multiplicadores de prevenção e cuidado.
Com o acordo de cooperação firmado entre o iFood e o Ministério da Saúde em agosto deste ano, o programa amplia ainda mais as suas ações de educação em saúde, prevenção de acidentes e a resposta rápida a emergências.
Ministério da Saúde,
com informações do Ifood
Fonte: Ministério da Saúde
Brasil
Seminário Brasil Saudável reúne organizações e sociedade civil para discutir caminhos para a eliminação de doenças determinadas socialmente
O 3º Seminário do Programa Brasil Saudável reúne, neste domingo (16), na capital federal, representantes do poder público, instituições de ensino e pesquisa, organismos internacionais, entidades da área da saúde e organizações da sociedade civil para discutir estratégias de enfrentamento dos determinantes sociais e das desigualdades que impactam as condições de saúde da população. As atividades contam com a moderação técnica do Ministério da Saúde (MS) e apresentam como eixo central o caminho para eliminação das doenças determinadas socialmente.
Os debates têm como foco aproximar diferentes perspectivas e experiências, fortalecendo a construção coletiva de estratégias para enfrentar condições sociais, econômicas, ambientais e territoriais que contribuem para a persistência de doenças e desigualdades em saúde. O evento acontece como atividade prévia do 61º Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, o MedTrop 2026, considerado maior encontro multidisciplinar sobre doenças infecciosas, parasitárias e saúde pública da América Latina, e promove discussões em torno da integração entre ciência, políticas públicas, participação social e ações intersetoriais. São aguardadas, durante a semana, cerca de 4 mil pessoas no evento.
Em sua fala inicial, a secretária adjunta de Vigilância em Saúde e Ambiente do MS, Marília Santini, explicou que o diferencial da abordagem debatida no seminário é integrar o tema das doenças socialmente determinadas sob uma nova perspectiva. “Não o tratamos apenas como uma questão clínica, mas como um desafio social complexo, marcado pela desigualdade. Compreendemos que a solução depende de fatores estruturais, como o acesso à água potável, saneamento básico, melhoria das condições de moradia e aumento da renda. O grande desafio, é promover uma mudança de hábitos e de cultura”, declarou.
Santini contextualizou, ainda, que as parcerias de trabalho eram focadas estritamente em doenças específicas, como a malária ou o tracoma – o que muda com um novo olhar trazido pelo Brasil Saudável. “Com o Programa Brasil Saudável ampliamos essa rede e passamos a focar na melhoria das condições do território, visando prevenir diversas enfermidades de forma integrada”, disse.
A programação, que acontece até o fim do dia, recebeu, ainda, na mesa de abertura, representantes da Rede Brasileira em Pesquisa em Tuberculose (Rede TB), do Conselho Nacional de Saúde (CNS), do Coletivo da Sociedade Civil no Programa Brasil Saudável, da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (SBMT), do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS), do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (CONASEMS), e da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).
Painéis temáticos
No período da manhã, o primeiro painel abordou o tema “Saúde nos Trópicos e os desafios contemporâneos para a eliminação das doenças determinadas socialmente no Sul Global”. Os expositores falaram sobre o panorama e os desafios atuais para a eliminação dessas doenças, além dos obstáculos para a implementação de programas públicos nos territórios. Também foram discutidas as relações entre mudanças climáticas, desigualdades territoriais e proteção dos territórios tradicionais, assim como a importância da participação social e da articulação intersetorial.
O segundo painel trouxe enfoque para diferentes formas de racismo, iniquidades e direito à saúde. A mesa ampliou o debate sobre os determinantes sociais da saúde a partir das experiências de diferentes populações. Entre os temas discutidos destacam-se racismo, território e direito à saúde, violências e exclusão social da população negra, iniquidades e direitos dos povos indígenas, além de racismo estrutural.
No período da tarde, o terceiro painel debate a proteção social e convergência de políticas públicas. Em pauta serão discutidos determinantes sociais e as interseccionalidades, as vulnerabilidades que atravessam territórios e gerações, a intersetorialidade no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) e o enfrentamento das iniquidades vivenciadas pela população LGBTQIAPN+. O quarto e último painel tem como objetivo amplificar o olhar a respeito de ciência, inovação e implementação territorial, e destaca, também, a contribuição da pesquisa e da produção de conhecimento para o enfrentamento dos determinantes sociais.
No encerramento será apresentada a sistematização das atividades e realizada discussão sobre perspectivas para fortalecer ações intersetoriais entre ciência, gestão e sociedade civil na eliminação das doenças determinadas socialmente. As participações destacam que o enfrentamento das doenças determinadas socialmente exige uma atuação articulada entre diferentes setores do Estado e da sociedade, com políticas públicas capazes de considerar as especificidades dos territórios e as diferentes situações de vulnerabilidade que influenciam o processo saúde-doença.
Suellen Siqueira
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
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