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Mercado do café oscila entre clima favorável no Brasil, retração nas vendas e volatilidade nas bolsas internacionais

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Produtores esperam chuvas para garantir o pegamento das floradas

Levantamento do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) mostra que os produtores de café seguem atentos ao clima nas principais regiões produtoras do país. As chuvas registradas em outubro favoreceram o pegamento e o desenvolvimento dos chumbinhos da safra 2026/27 de café arábica.

Segundo o Cepea, a umidade e as temperaturas amenas observadas neste mês contrastam com o clima mais seco de anos anteriores, proporcionando floradas expressivas nas lavouras do Sul de Minas Gerais e no estado de São Paulo. No entanto, a ausência de precipitações volumosas há mais de uma semana começa a preocupar os produtores. Há, contudo, previsão de retorno das chuvas nos próximos dias, o que pode consolidar o bom início do ciclo produtivo.

Bolsas internacionais operam com volatilidade e reagem ao clima

Na manhã desta quarta-feira (29), o mercado cafeeiro apresentou movimentos opostos nas principais bolsas. Em Nova York (ICE Futures US), o café arábica registrou queda de 505 pontos, com o contrato de dezembro/25 cotado a 382,85 cents/lbp, enquanto os vencimentos de março/26 e maio/26 recuaram para 361,65 e 347,15 cents/lbp, respectivamente.

Já em Londres, o robusta oscilou levemente, com o contrato de novembro/25 recuando US$ 1, e os vencimentos de janeiro e março/26 subindo US$ 17, negociados a US$ 4.482/tonelada e US$ 4.405/tonelada.

De acordo com o Escritório Carvalhaes, os fundamentos de mercado continuam atrelados às incertezas climáticas e aos baixos estoques globais. Analistas ressaltam que as chuvas irregulares no Brasil e a atividade limitada no Vietnã, em meio à oferta restrita de grãos frescos, sustentam a volatilidade nas cotações.

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Mercado interno apresenta retração e preços mais baixos

O mercado físico brasileiro de café iniciou a quarta-feira com pressão nos preços e baixo volume de negociações. A queda nas cotações internacionais e a estabilidade do dólar levaram os produtores a adotar uma postura mais cautelosa.

Segundo a Safras Consultoria, o café arábica apresentou preços mais fracos, enquanto o conilon manteve estabilidade. No Sul de Minas Gerais, o arábica bebida boa com 15% de catação variou entre R$ 2.220,00 e R$ 2.240,00 por saca, enquanto no Cerrado Mineiro o arábica bebida dura foi negociado entre R$ 2.230,00 e R$ 2.250,00.

Na Zona da Mata de Minas, o café “rio” tipo 7 ficou entre R$ 1.580,00 e R$ 1.600,00, e o conilon tipo 7, em Vitória (ES), manteve estabilidade entre R$ 1.360,00 e R$ 1.370,00 por saca.

Exportações mantêm receita alta, mas volume embarcado cai

Os dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que, até o momento, o Brasil exportou 3,33 milhões de sacas de 60 kg de café em grão em outubro de 2025, totalizando US$ 1,285 bilhão em receita. Apesar de o volume ser 12,5% menor em relação a outubro de 2024, a receita média diária aumentou 20,1%, refletindo o avanço de 37,3% no preço médio por saca, que alcançou US$ 385,91.

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A redução dos embarques está relacionada às condições climáticas irregulares e à menor oferta disponível, ao passo que os preços mais altos sustentam o faturamento do setor exportador.

Nova York encerra pregão em queda após otimismo com acordo tarifário

Na terça-feira (28), os contratos futuros do café arábica na ICE fecharam em baixa de 0,6%, com o vencimento dezembro/25 a 387,90 cents/lbp. O movimento refletiu o otimismo em torno de um possível acordo comercial entre Brasil e Estados Unidos, que pode reduzir ou eliminar a tarifação de 50% sobre as importações brasileiras de café.

O acordo, se concretizado, tende a aumentar a competitividade do produto brasileiro no maior mercado consumidor do mundo. No entanto, a expectativa de chuvas regulares no Brasil em novembro, que podem favorecer o pegamento das floradas da safra 2026, também pesou sobre os preços.

Câmbio e panorama financeiro global

O dólar comercial registrava leve alta de 0,08%, cotado a R$ 5,3650, enquanto o Dollar Index subia 0,19%, a 98,855 pontos.

Nos mercados internacionais, as principais bolsas asiáticas encerraram em alta — China +0,70% e Japão +2,17% —, enquanto na Europa os índices operavam mistos: Paris +0,05%, Frankfurt -0,03% e Londres +0,80%. O petróleo WTI, para dezembro, avançava 0,04%, cotado a US$ 60,19 o barril.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Abelhas elevam produtividade da soja em até 18%

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A presença de abelhas nas proximidades das lavouras pode aumentar, em média, 13% a produtividade da soja, segundo estudos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Em alguns experimentos, o ganho chegou a 18%, resultado obtido sem ampliação da área plantada.

Embora a soja seja considerada uma planta capaz de se autopolinizar, as visitas das abelhas às flores melhoram o processo de fecundação. Os efeitos podem aparecer no aumento do número de grãos por vagem, na redução de vagens vazias e, ao final do ciclo, na quantidade colhida por hectare.

Os percentuais não representam uma garantia automática para todas as propriedades. O resultado depende da cultivar, das condições climáticas, da população de polinizadores, da paisagem ao redor da lavoura e das práticas adotadas durante o florescimento. Ainda assim, as pesquisas mostram que a polinização deve ser considerada parte do sistema produtivo, e não apenas um benefício ambiental.

A contribuição econômica das abelhas vai muito além da produção de mel. Um estudo citado pela Embrapa estimou em aproximadamente R$ 43 bilhões o valor anual do serviço de polinização para a produção brasileira de alimentos, com base nos dados agrícolas de 2018.

Entre 141 espécies cultivadas no Brasil para alimentação humana, produção animal, fibras e biocombustíveis, cerca de 85 dependem, em algum grau, da polinização realizada por animais. As abelhas são os principais agentes desse processo. Café, laranja, maçã, melão, maracujá, castanha-do-brasil, canola e algodão estão entre as culturas beneficiadas.

A dimensão desse serviço também começou a ser mais bem compreendida nas áreas de soja. Pesquisa divulgada pela Embrapa em 2026 identificou 53 espécies de abelhas em lavouras e fragmentos de vegetação nativa no sudoeste de Goiás. Desse total, 27 eram novos registros de espécies associadas à cultura na região.

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O levantamento mostra que a soja não recebe apenas a visita da abelha-africanizada, normalmente utilizada na produção comercial de mel. Diferentes espécies nativas também percorrem as flores e participam da polinização. Essa diversidade reduz a dependência de um único polinizador e aumenta a capacidade de o ambiente responder a mudanças de temperatura, umidade e disponibilidade de alimento.

A manutenção de vegetação nativa próxima às áreas produtivas tem papel importante nesse processo. Matas, reservas legais, áreas de preservação permanente, corredores de vegetação e faixas com plantas floridas oferecem abrigo e alimento às abelhas antes e depois da florada da cultura comercial.

Para o produtor, essas áreas podem funcionar como infraestrutura biológica da propriedade. A contribuição será maior quando houver conexão entre os ambientes naturais e a lavoura, permitindo que os insetos encontrem locais para nidificação, água e fontes de néctar e pólen durante diferentes períodos do ano.

A integração também pode abrir uma fonte complementar de renda. Dados da Embrapa indicam que apicultores com bom manejo e colmeias instaladas próximas às lavouras podem obter até 50 quilos de mel por colmeia durante a florada da soja. Ao mesmo tempo que as abelhas encontram alimento, o produtor de grãos recebe o serviço de polinização.

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A convivência, entretanto, exige planejamento. A localização dos apiários precisa ser conhecida, e agricultores, responsáveis técnicos e apicultores devem manter comunicação sobre o calendário da lavoura e as aplicações de defensivos.

O manejo integrado de pragas ajuda a evitar pulverizações desnecessárias. Quando o controle químico for indispensável, devem ser respeitados o registro do produto, as orientações da bula, as condições meteorológicas e as técnicas destinadas a reduzir deriva. Sempre que tecnicamente possível, a aplicação deve considerar os horários de menor atividade das abelhas.

O vento, a temperatura e a umidade interferem diretamente na dispersão da calda. Uma pulverização feita em condições inadequadas pode atingir flores, vegetação próxima e fontes de água frequentadas pelos insetos, mesmo quando as colmeias estão fora da área cultivada. Por isso, regulagem do equipamento, escolha correta das pontas e acompanhamento das condições ambientais são medidas decisivas.

Também cabe ao apicultor manter as colmeias identificadas, bem manejadas e instaladas em locais adequados. A comunicação antecipada permite avaliar medidas de proteção sem comprometer as necessidades fitossanitárias da lavoura.

A preservação das abelhas não deve ser tratada como uma obrigação separada da produção. Os estudos mostram que esses insetos participam da formação da safra e podem melhorar o aproveitamento da área já cultivada. Para o produtor, proteger os polinizadores significa conservar um serviço natural capaz de elevar a produtividade, diversificar a renda e fortalecer a estabilidade do sistema agrícola.

Fonte: Pensar Agro

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