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Agro

Mercado do boi gordo deve enfrentar pressão no segundo semestre de 2026, aponta Rabobank

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O mercado brasileiro do boi gordo deverá enfrentar um cenário mais desafiador na segunda metade de 2026. A avaliação faz parte do relatório AgroInfo – Junho 2026, divulgado pelo Rabobank, que aponta uma combinação de fatores capazes de reduzir a demanda pela arroba e pressionar as cotações nos próximos meses.

Segundo a instituição financeira, apesar do excelente desempenho das exportações de carne bovina no primeiro semestre, a expectativa de esgotamento da cota chinesa ainda em junho deverá provocar desaceleração significativa dos embarques entre julho e setembro, refletindo diretamente na formação dos preços do boi gordo.

Exportações batem recorde, mas ritmo deve perder força

Nos cinco primeiros meses de 2026, o Brasil registrou o maior volume de exportações de carne bovina da história para o período. Foram embarcadas cerca de 1,4 milhão de toneladas, gerando receita de US$ 7,8 bilhões, resultados superiores em 15% em volume e 35% em valor na comparação com o mesmo intervalo de 2025.

Grande parte desse desempenho foi sustentada pela forte demanda da China e dos Estados Unidos. Entretanto, o Rabobank alerta que a elevada concentração das exportações em poucos mercados aumenta a vulnerabilidade do setor.

A China responde por aproximadamente 45% das exportações brasileiras de carne bovina, enquanto os Estados Unidos representam cerca de 13%, tornando qualquer mudança na demanda desses compradores um fator decisivo para o mercado nacional.

Mercado futuro já precifica queda da arroba

O banco observa que a expectativa de redução das compras chinesas já começou a influenciar o mercado futuro.

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Os contratos para julho registram recuo de aproximadamente 6%, com o boi gordo sendo negociado ao redor de R$ 333 por arroba, sinalizando menor demanda ao longo do terceiro trimestre.

Na avaliação dos analistas, a pressão negativa também poderá ser ampliada por outros fatores internacionais, entre eles o embargo previsto pela União Europeia relacionado às exigências sanitárias sobre o uso de antimicrobianos.

Estados Unidos permanecem como oportunidade

Apesar do cenário mais cauteloso em relação à China, o mercado norte-americano continua oferecendo oportunidades para a carne bovina brasileira.

O relatório destaca que a ausência da tarifa adicional de 50% aplicada em 2025 mantém a competitividade do produto brasileiro. Além disso, problemas sanitários envolvendo o rebanho mexicano e restrições às importações de gado vivo reforçam a necessidade de abastecimento da indústria americana.

Outro diferencial apontado é o perfil mais magro da carne brasileira, amplamente utilizado na produção de hambúrgueres nos Estados Unidos.

Pecuária inicia mudança de ciclo

O Rabobank também identifica sinais de transição no ciclo pecuário brasileiro.

Dados do primeiro trimestre mostram redução de 7% nos abates em relação ao quarto trimestre de 2025, embora ainda apresentem crescimento de 3% frente ao mesmo período do ano anterior.

Já em Mato Grosso, os abates de fêmeas em maio ficaram 9% abaixo do registrado um ano antes, indicando redução no descarte e reforçando a expectativa de menor oferta futura de animais terminados.

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Confinamentos devem ganhar força apenas no segundo giro

Segundo o relatório, a menor atratividade das exportações para China e União Europeia tende a reduzir o interesse pelo primeiro giro dos confinamentos.

A expectativa é que parte dos pecuaristas concentre os investimentos no segundo giro, apostando na retomada das compras chinesas após a renovação das cotas de importação.

Com esse movimento, o Rabobank acredita que ficará mais evidente a inversão da curva de preços do boi gordo, com valores mais baixos durante o segundo semestre em comparação aos registrados na primeira metade do ano.

Clima permanece no radar dos pecuaristas

Além dos fatores comerciais, o banco ressalta que a possível formação de um forte El Niño exige atenção do setor pecuário.

Mudanças nas condições climáticas poderão afetar a recuperação das pastagens e também a produção de grãos utilizados na alimentação animal, influenciando custos e produtividade ao longo dos próximos meses.

Perspectiva

Na avaliação do Rabobank, o mercado do boi gordo deverá atravessar um período de maior volatilidade no segundo semestre de 2026. Embora a demanda internacional continue sustentando parte das exportações, a desaceleração das compras chinesas, as restrições comerciais e a mudança no ciclo pecuário tendem a limitar a valorização da arroba, mantendo produtores e indústrias atentos à evolução do mercado externo e às condições climáticas que deverão marcar o restante do ano.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Agro

Plantio da soja começa no Brasil sob risco de El Niño muito forte

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O plantio da soja 2026/27 começou de forma pontual no Brasil sob o risco de chuvas irregulares no Centro-Norte e excesso de umidade na Região Sul. Mato Grosso e Paraná já possuem áreas semeadas, enquanto os demais Estados entrarão gradualmente no campo entre setembro e dezembro, de acordo com o calendário estabelecido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

O início da safra coincide com o fortalecimento do El Niño. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) calcula em mais de 90% a probabilidade de o fenômeno alcançar intensidade muito forte durante a primavera e o verão no Hemisfério Sul. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) também aponta 90% de chance de intensidade muito forte entre setembro e novembro.

A previsão não significa que todo o país terá falta de chuva. O efeito esperado é diferente em cada região. No Centro-Oeste, no Matopiba e em parte do Norte e do Sudeste, a preocupação está na demora para a regularização das precipitações, nas temperaturas elevadas e na ocorrência de veranicos. No Sul, o principal risco é o excesso de chuva, que pode encharcar o solo, impedir a entrada das máquinas e favorecer doenças.

Mato Grosso abriu o calendário de semeadura em 7 de setembro. As primeiras áreas foram plantadas principalmente em Campo Novo dos Parecis, Diamantino, Brasnorte e outros municípios do oeste que receberam volumes mais expressivos de chuva. Também há trabalhos em áreas irrigadas.

O avanço ainda é inferior a 1% dos aproximadamente 13 milhões de hectares previstos pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). A expectativa é de que a semeadura ganhe força somente na primeira quinzena de outubro, quando as chuvas deverão estar mais bem distribuídas.

O problema é que as precipitações registradas até agora são muito localizadas. Enquanto algumas propriedades receberam volume suficiente para acumular água, áreas situadas a poucos quilômetros continuaram secas. Plantar após uma chuva isolada, sem umidade adequada nas camadas mais profundas do solo, aumenta o risco de falhas na germinação, perda de sementes e necessidade de replantio.

A pressa em Mato Grosso está ligada à soja, mas também ao milho e ao algodão cultivados depois da oleaginosa. Quanto mais cedo a soja for colhida, maior será a possibilidade de instalar a segunda safra dentro da janela de menor risco climático. O produtor tenta evitar que o milho e o algodão atravessem o período reprodutivo quando as chuvas já estiverem diminuindo.

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O Imea projeta produção próxima de 49 milhões de toneladas de soja em Mato Grosso. Apesar do pequeno aumento de área, a estimativa considera redução de 5,4% na produtividade média em relação à temporada anterior. O Estado também já comercializou antecipadamente cerca de 39% da nova safra, acima da média histórica de 30,55% para o período, o que aumenta a necessidade de compatibilizar contratos de venda com o volume que poderá ser efetivamente colhido.

No Paraná, o plantio começou no Norte, Noroeste e Oeste, onde a semeadura está autorizada desde 1º de setembro. Até o levantamento mais recente do Departamento de Economia Rural (Deral), aproximadamente 81 mil hectares haviam sido plantados, o equivalente a 1,4% dos 5,76 milhões de hectares previstos para o Estado.

O Sudoeste paranaense foi liberado para plantar em 11 de setembro. Nos municípios mais ao sul, a autorização começa em 20 de setembro. A umidade disponível pode favorecer a emergência da soja, mas chuvas persistentes aumentam o risco de interrupções, compactação, erosão, doenças fúngicas e replantio. O excesso de precipitação também pode atrasar a colheita do trigo e, consequentemente, a entrada da soja nas mesmas áreas.

Rondônia e Amazonas estão autorizados a plantar desde sexta-feira (11), embora ainda não tenham divulgado avanço significativo da semeadura. Em São Paulo, o calendário começou em 1º de setembro na primeira região produtiva, será aberto neste domingo (13) na segunda e chegará à terceira região no dia 16.

Mato Grosso do Sul poderá iniciar o plantio na quarta-feira (16). No mesmo dia, a semeadura será liberada no sul do Pará. O Acre entra no calendário em 21 de setembro, parte de Santa Catarina no dia 22, Goiás no dia 25 e o Rio de Janeiro no dia 29.

Em 30 de setembro, começa a primeira janela do Piauí. Distrito Federal, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Tocantins poderão plantar a partir de 1º de outubro. A mesma data vale para o sul do Maranhão, incluindo Balsas e outros importantes municípios produtores.

No oeste da Bahia, onde estão Barreiras, Luís Eduardo Magalhães, Formosa do Rio Preto e São Desidério, o calendário começa em 8 de outubro. Outras regiões de Bahia, Maranhão, Pará, Piauí, Paraná, Santa Catarina e São Paulo possuem datas próprias, definidas conforme o clima e o histórico da ferrugem-asiática.

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Alagoas, Amapá, Ceará e Roraima têm calendários mais tardios, com início da semeadura somente em 2027. Por isso, essas áreas não participam da atual largada da safra nacional.

As datas indicam apenas quando a semeadura é permitida do ponto de vista fitossanitário. Elas não significam que o solo já tenha umidade suficiente nem substituem as orientações do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc). A decisão de plantar depende das condições de cada propriedade e da previsão de continuidade das chuvas.

No Centro-Oeste, Sudeste e Matopiba, o maior perigo é uma precipitação antecipada estimular a semeadura e ser seguida por vários dias de calor e tempo seco. Além de prejudicar a formação inicial da lavoura, um veranico pode obrigar o produtor a repetir operações e elevar os gastos com sementes, combustível, máquinas e mão de obra.

Caso as chuvas demorem a se regularizar, o problema será transferido para a segunda safra. O atraso na colheita da soja reduz o tempo disponível para o milho e o algodão, enquanto uma interrupção antecipada das chuvas pode atingir essas culturas durante fases de maior necessidade de água.

No Rio Grande do Sul, Santa Catarina e parte do Paraná, o El Niño tende a aumentar a disponibilidade hídrica, mas chuvas frequentes podem produzir o efeito contrário ao desejado. Solo saturado, dificuldade de pulverização, menor luminosidade e aumento da pressão de doenças podem limitar o potencial das lavouras mesmo sem falta de água.

Uma simulação apresentada pelo economista Alexandre Mendonça de Barros, da consultoria EY, calcula que um cenário de estresse climático semelhante ao de 2015 poderia retirar até 12 milhões de toneladas da safra brasileira. O número representa cerca de 6,5% das 186 milhões de toneladas projetadas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos para o país.

A estimativa de perda não é uma previsão consolidada, mas uma simulação de risco. O resultado final dependerá da distribuição das chuvas, das temperaturas, da duração dos veranicos e do manejo adotado em cada região. Em uma safra marcada por extremos opostos, o principal desafio não será apenas saber quanto vai chover, mas onde, quando e com que regularidade essa chuva chegará.

Fonte: Pensar Agro

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