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Mercado de milho segue travado no Brasil, enquanto Chicago registra alta com expectativa de aumento nas exportações dos EUA

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O mercado brasileiro de milho segue com baixa liquidez e poucas negociações, especialmente nas regiões Sul e Centro-Oeste. De acordo com informações da TF Agroeconômica, os preços no Rio Grande do Sul continuam entre R$ 60,00 e R$ 70,00 por saca, com média estadual de R$ 62,52, praticamente estável em relação à semana anterior (R$ 62,31).

A falta de dinamismo é reflexo da demanda fraca das pequenas indústrias e cooperativas, além da preocupação com a gripe aviária e da estabilidade dos contratos futuros no porto, mantidos em R$ 69,00 por saca (fevereiro/26). Em Panambi, o preço de referência segue inalterado em R$ 59,00.

Santa Catarina enfrenta mercado travado e alerta fitossanitário

Em Santa Catarina, o cenário é semelhante: produtores pedem valores próximos de R$ 80,00 por saca, enquanto as indústrias oferecem em torno de R$ 70,00, o que mantém as negociações paralisadas. No Planalto Norte, poucos negócios são fechados, variando entre R$ 71,00 e R$ 75,00.

Além da lentidão nas vendas, o estado enfrenta crescimento no número de cigarrinhas-do-milho, conforme dados do Programa Monitora Milho SC. A média estadual é de 12 insetos por armadilha, com destaque para o Extremo-Oeste e a região de Mafra, que registram infecções recorrentes. Especialistas recomendam manejo rigoroso para evitar perdas causadas pelos enfezamentos.

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Nos portos, o milho CIF Santos 2025 é negociado a R$ 68,00, enquanto o Paguá 2025 está em R$ 63,00. A média ao produtor catarinense é de R$ 67,70.

Paraná tem exportações em alta, mas mercado interno travado

No Paraná, o mercado interno também segue travado, com pedidas dos produtores em torno de R$ 75,00 e ofertas industriais próximas a R$ 70,00 CIF. Apesar da lentidão nas negociações, o estado registra avanço expressivo nas exportações.

Entre janeiro e outubro, os embarques de milho cresceram 179%, alcançando 3,55 milhões de toneladas, com receita de US$ 757,7 milhões, impulsionada pela safra recorde anterior. As cotações internas têm apresentado variações regionais discretas, com destaque para Guarapuava, onde houve alta de 6,85%.

Mato Grosso do Sul mantém estabilidade e mercado sustentado pela bioenergia

Em Mato Grosso do Sul, a movimentação segue limitada, com valores entre R$ 51,00 e R$ 55,00 por saca. Mesmo com demandas externas enfraquecidas, regiões como Sidrolândia e Dourados apresentaram altas semanais mais consistentes.

O setor de bioenergia tem ajudado a sustentar os preços locais, evitando quedas mais acentuadas e garantindo fluxo de consumo para o cereal.

Chicago fecha em alta antes do feriado nos EUA

Enquanto o mercado brasileiro segue travado, o milho registrou forte alta na Bolsa de Chicago (CBOT), impulsionado por movimentos de compra de fundos e pela expectativa de melhora nas exportações dos Estados Unidos.

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A demanda global pelo grão deve aumentar com a redução nas exportações da Ucrânia e da Rússia, abrindo espaço para o produto norte-americano. Com o feriado de Ação de Graças, a bolsa não opera nesta quinta-feira (27) e terá sessão reduzida na sexta (28).

Produção de etanol avança e sustenta o mercado americano

Dados da Administração de Informação de Energia (AIE) mostram que a produção de etanol de milho nos EUA cresceu 2,01% na semana encerrada em 21 de novembro, alcançando 1,113 milhão de barris diários, frente a 1,091 milhão na semana anterior.

Os estoques de etanol recuaram de 22,3 milhões para 22,0 milhões de barris, queda de 1,34%, enquanto as exportações diminuíram 15,86%, totalizando 122 mil barris.

Nos contratos futuros, o milho com entrega em março fechou a US$ 4,45¼ por bushel, alta de 1,59%, e a posição maio terminou a US$ 4,53, avanço de 1,39% sobre o pregão anterior.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Estudo da USP aponta 17 pontos que encarecem o frete e entidades do agro cobram mudanças

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Um estudo da Universidade de São Paulo (USP) deu força à pressão da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) por mudanças no cálculo do piso mínimo do frete. O levantamento identificou 17 pontos que podem estar elevando artificialmente os valores, sobretudo no transporte de grãos em trajetos curtos e nas operações de maior produtividade.

As conclusões foram apresentadas durante o processo de revisão da regulamentação conduzido pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). A FPA e entidades do setor produtivo querem que a agência utilize os custos efetivamente observados nas estradas brasileiras, em vez de parâmetros que, segundo o estudo, já não representam a realidade da frota e das transportadoras.

O trabalho foi elaborado pelo Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-Log), ligada à USP. Os pesquisadores analisaram jornada de trabalho, consumo de combustível, idade dos caminhões, quantidade de eixos, retorno vazio, depreciação dos veículos e produtividade das operações.

Uma das principais distorções estaria no número de horas trabalhadas. A metodologia atual considera uma utilização mensal de 181 horas para calcular quanto os custos fixos representam em cada viagem. Para os pesquisadores, esse parâmetro indica uma subutilização do caminhão e do tempo legalmente disponível do motorista.

A proposta é elevar a referência para 220 horas mensais. Com mais horas de utilização, despesas como depreciação, remuneração do capital e salário do motorista seriam distribuídas por um número maior de viagens, reduzindo o custo atribuído a cada quilômetro rodado.

Apenas essa alteração poderia diminuir em 7,6%, na média, os valores calculados para o piso. No transporte de grãos, a diferença ficaria entre 6,38% e 11,04%, dependendo da distância percorrida e da configuração do caminhão.

Em uma operação com piso de R$ 10 mil, uma diferença de 11% representa aproximadamente R$ 1,1 mil por viagem. Para uma empresa, cooperativa ou produtor que contrate cem viagens durante a colheita, o custo adicional pode superar R$ 110 mil.

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O impacto é ainda maior nas regiões afastadas dos portos. Como soja, milho, algodão e outras commodities percorrem centenas ou milhares de quilômetros até os terminais de exportação, o frete interfere diretamente no valor recebido pelo produtor. Quanto maior o custo logístico, menor tende a ser o preço pago pela produção na origem.

O estudo também questiona a vida econômica de sete anos utilizada pela tabela para calcular a depreciação dos caminhões. Dados da própria ANTT mostram que os veículos de tração em circulação no país possuem idade média de 16,4 anos.

Na avaliação dos pesquisadores, utilizar um período muito menor concentra a perda de valor do veículo em poucos anos e eleva o custo de cada viagem. A adoção de uma referência de 16 anos poderia reduzir entre 6% e 10% o valor calculado para o transporte de grãos, conforme o percurso e o tipo de composição veicular.

A FPA pretende usar esses resultados para pressionar pela adoção do custo operacional efetivo como base da nova regulamentação. O argumento é que a tabela precisa garantir a remuneração do transportador, mas não pode incluir despesas teóricas ou superestimadas que encareçam artificialmente a movimentação da produção brasileira.

Entidades do setor encaminharam à ANTT 15 contribuições. Entre elas estão a retirada de componentes que não representem desembolso efetivo, a criação de regras específicas para operações de alto desempenho e um tratamento mais preciso para viagens com retorno vazio.

A proposta busca diferenciar situações que atualmente acabam submetidas a parâmetros semelhantes. Um caminhoneiro autônomo que percorre longa distância e retorna sem carga enfrenta custos diferentes de uma transportadora com contratos recorrentes, frota mais produtiva e carga garantida nos dois sentidos.

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A pressão da bancada também alcança a Lei 15.485/2026, que ampliou a fiscalização sobre o piso mínimo e estabeleceu prazo máximo de 30 dias úteis para o pagamento do frete. A FPA participou da negociação do texto aprovado pelo Congresso, mas critica os vetos feitos pela Presidência da República.

Os parlamentares defendem a recuperação de dispositivos que, segundo a bancada, foram construídos para equilibrar a proteção aos caminhoneiros e os custos suportados pelo setor produtivo. Os vetos ainda precisam ser analisados pelo Congresso.

A nova legislação tornou obrigatório o registro da operação no Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) e endureceu as punições para contratações abaixo do piso. Em caso de reincidência, a multa pode chegar a R$ 1 milhão, além de outras sanções administrativas.

Para a FPA, reforçar a fiscalização sem corrigir previamente as distorções da metodologia pode obrigar produtores e empresas a cumprir valores superiores ao custo real do transporte. A bancada quer que a revisão da ANTT incorpore as diferenças de distância, idade da frota, número de eixos, produtividade e aproveitamento do retorno.

A discussão exige equilíbrio. O piso foi criado para impedir que caminhoneiros sejam obrigados a transportar cargas por valores incapazes de cobrir diesel, pneus, manutenção e remuneração do trabalho. A revisão defendida pelo agro não pode retirar essa proteção, mas precisa evitar que parâmetros desatualizados reduzam a competitividade da produção.

O estudo da USP coloca números nesse debate. Agora, a disputa será sobre quanto dessas conclusões a ANTT aceitará na nova tabela e se o Congresso derrubará os vetos à lei. Para produtores e transportadores, o resultado poderá definir quem pagará a conta das distorções existentes no cálculo do frete.

Fonte: Pensar Agro

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