Agro
Mercado de Defensivos Agrícolas Entra em Fase de Atenção Máxima
Pressão Sobre Preços de Insumos
De acordo com Jeferson Souza, analista de inteligência de mercado, o atual cenário se aproxima de uma fase de forte pressão sobre os preços dos insumos agrícolas. A elevação de custos já é percebida em diferentes segmentos, e o tempo se torna um fator crítico para produtores que ainda dependem da aprovação de crédito para realizar compras. Quanto mais prolongada a situação, maior o desafio para organizar logística, embarques e planejamento de abastecimento.
Impactos do Transporte Marítimo e Custos Logísticos
Um dos primeiros sinais de alerta vem do transporte marítimo. Os fretes de contêiner registraram aumento significativo recentemente, gerando preocupação com a elevação dos custos finais dos defensivos. Diferentemente de picos anteriores, que não afetaram diretamente o mercado brasileiro, o atual aumento ocorre em meio a outros fatores conjunturais relevantes.
Alta do Fósforo Amarelo na China
Outro fator que preocupa o setor é a valorização do fósforo amarelo na China, que subiu cerca de 10%. O insumo é usado em uma das etapas de produção do glifosato, principal herbicida do mercado, podendo impactar indiretamente os preços dos defensivos no Brasil.
Preço Baixo de Princípios Ativos Chineses
Apesar da alta do fósforo, os princípios ativos produzidos na China permanecem com preços muito baixos, registrando mínimas nas últimas semanas. A capacidade produtiva do país aumentou nos últimos anos, mas o comportamento do mercado internacional pode mudar rapidamente, afetando a oferta global de insumos.
Aumento do Diesel e Possíveis Restrições de Oferta
O setor também acompanha a alta do diesel e discussões sobre possíveis restrições de oferta, outro fator que pode influenciar os custos logísticos e, consequentemente, os preços dos defensivos agrícolas no Brasil.
Cenário Futuro
O conjunto desses fatores – custos elevados, logística complexa, flutuações internacionais e alta do diesel – coloca o mercado de defensivos em alerta, podendo gerar mudanças significativas na dinâmica de abastecimento e preços nos próximos meses.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Milho pode perder o equivalente a 87 quilos de ureia por hectare
Um estudo realizado durante duas safras de milho na Argentina mostrou que o uso de um inibidor de urease pode reduzir pela metade, ou até mais, a quantidade de nitrogênio perdida para a atmosfera depois da adubação. Nos ensaios, a ureia convencional perdeu até 20% do nutriente aplicado, enquanto a tratada com o inibidor limitou as perdas a, no máximo, 7%.
O trabalho foi conduzido em campo pelo Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (Inta), na região argentina de Paraná, nas temporadas 2024/25 e 2025/26. O objetivo era comparar o comportamento da ureia comum com o de uma formulação tratada para retardar a volatilização de amônia.
A volatilização ocorre quando parte do nitrogênio presente na ureia se transforma em amônia e escapa para a atmosfera. Isso significa que uma parcela do fertilizante comprado, transportado e distribuído na lavoura deixa de estar disponível para as raízes do milho.
A urease é uma enzima naturalmente presente no solo e responsável por acelerar a transformação da ureia. O inibidor desacelera esse processo durante alguns dias, ampliando a possibilidade de o fertilizante ser incorporado ao solo pela chuva e reduzindo sua exposição na superfície.
Para fazer a comparação, os pesquisadores aplicaram doses de 100 e 200 quilos de nitrogênio por hectare, além de manter uma área sem adubação. As aplicações foram realizadas após chuvas de 24 a 39 milímetros, quando o solo ainda estava úmido e apresentava condições favoráveis à volatilização. As perdas foram acompanhadas nos dias seguintes.
A maior liberação de amônia pela ureia convencional ocorreu entre o segundo e o terceiro dia depois da aplicação. Na safra 2024/25, entre 14% e 15% do nitrogênio aplicado com essa fonte foi perdido. Com o inibidor, o índice caiu para uma faixa de 6% a 7%.
Na temporada 2025/26, a diferença aumentou. A ureia convencional perdeu entre 13% e 20% do nitrogênio, enquanto a formulação tratada ficou entre 5% e 6%. Os resultados mostram que o inibidor não elimina a volatilização, mas reduz de maneira significativa o volume desperdiçado em situações de maior risco.
Na prática, o prejuízo pode ser expressivo. Em uma adubação de 200 quilos de nitrogênio por hectare, uma perda de 20% representa 40 quilos do nutriente. Como a ureia contém aproximadamente 46% de nitrogênio, isso equivale a cerca de 87 quilos do fertilizante por hectare.
Com o inibidor, a perda observada na mesma dose corresponderia a aproximadamente 22 a 30 quilos de ureia por hectare. Na maior diferença registrada pelo estudo, o tratamento preservou o equivalente a cerca de 65 quilos de ureia em cada hectare.
Se a tonelada do fertilizante custar R$ 3 mil, apenas para ilustrar o tamanho econômico do problema, a perda máxima identificada no estudo corresponderia a R$ 261 por hectare. Em uma lavoura de mil hectares, o desperdício chegaria a R$ 261 mil. O uso do inibidor poderia preservar até R$ 196 mil desse valor, antes de descontar o custo adicional do tratamento.
O estudo, entretanto, não encontrou diferença estatística de produtividade entre a ureia convencional e a tratada. Os rendimentos variaram de 5.277 a 11.915 quilos de milho por hectare e responderam principalmente à quantidade de nitrogênio aplicada.
Isso significa que conservar mais nitrogênio no solo não garante, isoladamente, uma colheita maior. A resposta do milho também depende da disponibilidade de água, da fertilidade, do potencial da lavoura e do equilíbrio com os demais nutrientes. O benefício imediato demonstrado pela pesquisa foi a redução do desperdício, e não um aumento comprovado da produtividade.
Os resultados também não significam que o inibidor será economicamente vantajoso em todas as aplicações. A decisão depende da diferença de preço entre as duas fontes, do risco de volatilização, das condições do solo e da possibilidade de chuva suficiente para incorporar a ureia depois da adubação.
Embora tenha sido realizado na Argentina, o estudo ajuda a dimensionar um problema enfrentado pelos produtores brasileiros. Ele mostra que, sob condições favoráveis à volatilização, o prejuízo não está apenas na eventual perda de rendimento da lavoura, mas no fertilizante pago pelo produtor que desaparece antes de cumprir sua função.
Fonte: Pensar Agro
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