Agro
Mercado de arroz mantém estabilidade com demanda pontual e atenção ao clima no Sul
Mercado de arroz permanece estável e com baixa movimentação
O mercado brasileiro de arroz segue em ritmo lento, com pouca variação nas cotações e baixa volatilidade nas últimas semanas. O cenário reflete um equilíbrio frágil entre oferta e demanda no curto prazo, segundo análise do consultor da Safras & Mercado, Evandro Oliveira.
De acordo com o especialista, o movimento recente dos preços está mais ligado a aumentos pontuais da procura interna do que a fatores estruturais do mercado. “Houve uma recomposição marginal dos estoques domésticos, o que em alguns momentos fez a demanda superar a oferta disponível e sustentou as cotações, mas sem gerar uma tendência consistente de alta”, explica Oliveira.
Exportações têm pouca influência e consumo interno domina cenário
O mercado externo segue com influência limitada, e os negócios continuam concentrados no consumo doméstico. Segundo o analista, o setor atravessa um período de ajustes e redução nos investimentos produtivos, reflexo da crise de crédito que atinge o agronegócio desde o segundo semestre de 2025.
Mesmo diante das restrições financeiras, as lavouras apresentam bom desenvolvimento, indicando produtividade regular nesta safra.
Clima preocupa produtores no Rio Grande do Sul e Santa Catarina
As condições climáticas seguem como principal fator de atenção. No Rio Grande do Sul, maior estado produtor do país, a combinação de chuvas irregulares, baixa umidade do solo e exigência maior na gestão hídrica tem elevado os riscos produtivos. Esse cenário cria um efeito psicológico de sustentação nos preços, já que eventuais perdas poderiam reduzir a oferta no curto prazo.
Em Santa Catarina, a irregularidade das precipitações também limita ganhos de produtividade e mantém o setor em posição mais defensiva.
Em contrapartida, Tocantins e Mato Grosso apresentam condições amplamente favoráveis, com boa umidade e previsibilidade de safra, funcionando como um contrapeso natural às incertezas climáticas do Sul.
Temperaturas baixas causam efeitos pontuais nas lavouras
Durante o mês de janeiro, temperaturas mais baixas nas noites e madrugadas provocaram amarelamento nas pontas das folhas em algumas áreas do Sul, segundo relatos de campo. Até o momento, não há confirmação de prejuízos produtivos significativos, e o impacto tende a ser apenas estético nas plantas.
Cotações do arroz seguem firmes no Rio Grande do Sul
A saca de 50 quilos de arroz (58/62% de grãos inteiros, pagamento à vista) encerrou a quinta-feira cotada a R$ 53,28 no Rio Grande do Sul, o que representa alta de 0,42% em relação à semana anterior, segundo levantamento da Safras & Mercado.
Na comparação mensal, o produto acumula valorização de 1,01%, mas ainda registra queda de 46,41% em relação a 2025, refletindo o impacto do ciclo de preços mais baixos observados no ano anterior.
Perspectivas: equilíbrio frágil deve se manter no curto prazo
A expectativa para as próximas semanas é de continuidade da estabilidade, com o mercado reagindo pontualmente a oscilações climáticas e movimentos de recomposição de estoques.
Segundo analistas, o ritmo mais contido das exportações e a concentração da demanda no mercado interno devem manter as cotações firmes, mas sem tendência clara de alta. O comportamento climático no Sul e a recuperação gradual do crédito agrícola serão fatores decisivos para o rumo dos preços no primeiro trimestre de 2026.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Reforma tributária no agro: regulamentação da CBS exige revisão fiscal, integração de sistemas e atenção ao fluxo de caixa
A regulamentação da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), estabelecida pelo Decreto nº 12.955/2026, marca uma nova etapa da reforma tributária sobre o consumo no Brasil e já começa a provocar mudanças profundas na rotina financeira e fiscal das empresas do agronegócio. Mesmo antes da implementação integral da cobrança, o novo modelo redefine regras de tributação, aproveitamento de créditos e circulação de recursos dentro das operações empresariais.
Especialistas alertam que os impactos vão além da simples substituição de tributos federais. A nova estrutura exige adaptação imediata de sistemas, contratos, controles fiscais e integração entre áreas financeiras, tributárias e tecnológicas.
Segundo Altair Heitor, contador, especialista em gestão tributária no agronegócio e CFO da consultoria Palin & Martins, a CBS inaugura uma lógica operacional mais complexa e dependente da qualidade das informações fiscais.
“A CBS amplia a não cumulatividade, o que teoricamente permite mais créditos tributários. Mas, na prática, só terá acesso a esses créditos quem possuir processos organizados, dados consistentes e integração entre as áreas. Quem não se preparar pode pagar mais imposto e ainda perder créditos importantes”, afirma.
Novo modelo tributário muda regras de cálculo e impacta contratos
A regulamentação estabelece que a CBS incidirá sobre praticamente todas as operações com cobrança, independentemente do formato jurídico adotado. Além disso, a base de cálculo passa a considerar diversos valores envolvidos na operação, exigindo revisão de contratos comerciais, políticas internas e formas de registro contábil.
Outro ponto considerado estratégico é a adoção da tributação no destino. Na prática, o imposto deixa de ser concentrado na origem da operação e passa a ser direcionado ao local de consumo.
Essa alteração exige ajustes em sistemas de gestão, revisão cadastral e nova parametrização fiscal, principalmente em operações interestaduais e cadeias produtivas longas, realidade comum no agronegócio brasileiro.
No setor agropecuário, onde existe grande volume de operações, diversidade de atividades e forte dependência de créditos tributários, o impacto tende a ser ainda mais significativo.
Erros fiscais podem gerar perdas financeiras diretas
De acordo com dados da Confederação Nacional dos Contadores, mais de 70% das empresas brasileiras já enfrentaram problemas relacionados a documentos fiscais, como classificação incorreta de produtos, ausência de informações obrigatórias ou inconsistências cadastrais.
Com a CBS, esse tipo de falha passa a representar risco financeiro direto.
Isso porque o aproveitamento de créditos tributários dependerá não apenas da emissão da nota fiscal, mas também da coerência entre operação, pagamento e apuração do imposto.
“O crédito passa a depender da consistência entre documentação, faturamento e efetivo pagamento. Qualquer divergência pode impedir o aproveitamento tributário e comprometer o capital de giro das empresas”, explica Altair Heitor.
Split payment muda dinâmica financeira das empresas
Outro ponto de atenção é a possibilidade de adoção do modelo de split payment, mecanismo em que o imposto pode ser recolhido automaticamente antes da disponibilidade integral dos recursos para a empresa.
Na prática, parte do valor da venda deixará de passar completamente pelo caixa das companhias, alterando a dinâmica financeira tradicional do setor.
No agronegócio, onde são comuns vendas parceladas, operações via tradings e diferentes modalidades de pagamento, o impacto pode ser ainda maior.
“O produtor rural está acostumado a receber os recursos e posteriormente organizar a parte tributária. Com o split payment, o imposto pode ser recolhido antes mesmo do valor estar disponível para a operação”, destaca o especialista.
Crédito tributário ganha importância estratégica no agro
O tema se torna ainda mais sensível em cadeias produtivas longas, como soja, milho, proteína animal, açúcar e insumos agrícolas, nas quais o crédito tributário funciona como instrumento essencial para equilíbrio financeiro das operações.
Falhas cadastrais, erros na classificação fiscal ou inconsistências entre documentos poderão impedir o reconhecimento de créditos ou atrasar pedidos de ressarcimento.
“Hoje, muitos erros geram apenas retrabalho. Com a CBS, eles podem representar perda financeira direta. No agronegócio, isso impacta margens e reduz capacidade de reinvestimento”, afirma Altair.
A regulamentação também estabelece novas regras para ressarcimento de créditos, com prazos definidos que poderão variar conforme o nível de conformidade fiscal da empresa.
Empresas do agro precisam acelerar adequações
Especialistas recomendam que produtores rurais, cooperativas, agroindústrias e empresas do setor iniciem imediatamente processos de revisão cadastral, análise de sistemas e mapeamento de riscos fiscais.
Entre as medidas consideradas prioritárias estão:
- Revisão de cadastros de clientes e fornecedores;
- Conferência da qualidade das notas fiscais emitidas;
- Integração entre áreas fiscal, financeira e tecnologia;
- Testes em sistemas de gestão e faturamento;
- Revisão de contratos e operações interestaduais;
- Mapeamento de riscos tributários e operacionais.
Para Altair Heitor, a adaptação não pode mais ser tratada como um projeto futuro.
“As empresas precisam agir agora. Quem deixar para se adaptar apenas quando a cobrança estiver totalmente em vigor pode iniciar o novo modelo já acumulando perdas financeiras”, conclui.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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