Agro
Mato Grosso seria o terceiro maior produtor de soja do mundo se fosse um país
Produção recorde coloca Mato Grosso entre os maiores do planeta
Com uma produção que ultrapassa 50 milhões de toneladas por safra, o estado de Mato Grosso consolida-se como o maior produtor de soja do Brasil e um dos maiores do mundo. De acordo com estimativas recentes, se o estado fosse um país, ocuparia o terceiro lugar no ranking global de produção de soja, ficando atrás apenas do Brasil e dos Estados Unidos.
Os números reforçam o protagonismo do agronegócio mato-grossense e o papel estratégico do estado no abastecimento mundial de alimentos, consolidando sua importância para a balança comercial brasileira.
Crescimento sustentado por tecnologia e manejo eficiente
De acordo com dados da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), a produção do estado saltou de 38,7 milhões de toneladas na safra 2023/24 para 50,89 milhões na safra 2024/25, com projeção de 47,17 milhões de toneladas para 2025/26. Esses volumes colocam Mato Grosso em patamar semelhante a países como Argentina, que colhe em torno de 50 milhões de toneladas por ciclo.
A entidade destaca que esse desempenho é resultado de anos de investimento em tecnologia, boas práticas agrícolas e manejo sustentável, o que permitiu ao estado combinar alta produtividade e preservação ambiental.
“O produtor mato-grossense mostrou que é possível crescer com responsabilidade e eficiência. Nosso estado é um exemplo de que sustentabilidade e produtividade podem caminhar juntas”, destacou a Aprosoja-MT em nota.
Agroindustrialização fortalece economia e gera desenvolvimento
Para o vice-presidente Oeste da Aprosoja-MT, Gilson Antunes de Melo, os resultados da soja e o avanço da produção de milho mostram a força do agronegócio estadual e seu papel na industrialização e geração de renda.
“Além da soja, o milho vem ganhando destaque, principalmente com o crescimento das indústrias de etanol. Isso fortalece a economia, amplia a arrecadação e impulsiona investimentos em infraestrutura. É uma cadeia positiva em que produtor, indústria e sociedade crescem juntos”, afirmou.
Sustentabilidade e uso racional do solo são pilares do agronegócio mato-grossense
Com um dos maiores territórios do país, Mato Grosso mantém equilíbrio entre produção e preservação ambiental. A atividade agropecuária se concentra em áreas já consolidadas, enquanto uma grande parte do estado permanece preservada com vegetação nativa e biomas protegidos, demonstrando que o crescimento ocorre de forma planejada e responsável.
Essa combinação tem garantido competitividade internacional e fortalecido a imagem do estado como referência em sustentabilidade agrícola.
Tecnologia e resiliência impulsionam produtividade
O vice-presidente Leste da Aprosoja-MT, Lauri Pedro Jantsch, destaca que os investimentos em tecnologia e manejo de solo foram fundamentais para o estado atingir níveis de produtividade comparáveis aos maiores produtores do mundo.
“Mato Grosso é um exemplo de superação e inovação. O produtor daqui tem uma enorme capacidade de adaptação, transformando desafios em oportunidades. Com o uso de tecnologias modernas e práticas sustentáveis, conseguimos transformar áreas degradadas em terras altamente produtivas”, ressaltou Jantsch.
Logística e armazenagem ainda são desafios para o produtor
Apesar dos resultados expressivos, a infraestrutura ainda limita o avanço do setor. O vice-presidente Leste da Aprosoja-MT aponta a logística e a falta de armazenagem como gargalos que reduzem a competitividade frente a outros países produtores.
“Temos um dos custos logísticos mais altos do mundo. O transporte até os portos é caro e demorado, o que afeta diretamente a rentabilidade. Além disso, a capacidade de armazenagem ainda é pequena quando comparada à dos Estados Unidos, por exemplo”, observa o dirigente.
Mato Grosso reforça posição de liderança global no agronegócio
Mesmo com esses desafios, Mato Grosso segue como referência mundial na produção de grãos, aliando escala, eficiência e responsabilidade ambiental. O estado celebra números recordes, mas também defende avanços em infraestrutura e logística, fundamentais para sustentar o crescimento e aumentar a competitividade internacional.
Com produtores cada vez mais capacitados e comprometidos com a sustentabilidade, o agronegócio mato-grossense se consolida como pilar essencial para o desenvolvimento econômico do Brasil e o abastecimento global de alimentos.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia
A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.
O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.
Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.
O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.
Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.
A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.
A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.
Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.
Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.
A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.
Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.
No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.
Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.
A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.
O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.
A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.
O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.
Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.
Fonte: Pensar Agro
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