Brasil
Mamirauá identifica potencial de 369 alimentos para fortalecer a segurança alimentar nacional
Uma xícara de açúcar, quatro colheres de sopa de manteiga, quatro ovos, uma xícara de vinho de bacaba, três xícaras de farinha de trigo e uma colher de fermento em pó. Após misturar tudo e 35 minutos no forno, você terá um bolo delicioso de um fruto originário da região Norte do Brasil. Rico em vitamina E, ferro e manganês, a bacaba se desenvolve em uma palmeira e combina também com carnes de caça, aves e peixes.
Assim como a bacaba, pesquisadores do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá identificaram o que eles chamaram de alimentos negligenciados, espécies que fazem parte da cultura alimentar de comunidades tradicionais, mas que ainda estão sub-representados nos debates. Enquanto a alimentação regular do brasileiro se restringe a poucos itens, como arroz, feijão, proteína e alguns legumes, o Brasil é capaz de fornecer uma enorme diversidade de alimentos pouco conhecidos pela ciência, mercado e população. O Mamirauá é uma organização social vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
Segundo a pesquisa publicada na revista Scientific Reports, são ao menos 369 espécies alimentares nativas ou subutilizadas no Brasil, como algas, cogumelos, insetos, peixes, frutos nativos e animais silvestres. O levantamento foi conduzido por uma rede nacional e internacional de pesquisadores e contou com a participação do instituto.
“Na Amazônia, onde o aumento do consumo de produtos ultraprocessados no lugar de alimentos tradicionais tem sido acompanhado de um aumento nos índices de anemia, diabetes e hipertensão, a rica biodiversidade local poderia ser uma aliada importante no combate à desnutrição”, afirma o pesquisador do Mamirauá e coautor da pesquisa Daniel Tregidgo.
Entre os alimentos identificados estão plantas, como o baru e camu-camu; cogumelos silvestres; insetos, como tanajura; peixes de água doce; e carne de caça. “Esse estudo mostra que é preciso aprofundar as pesquisas sobre aquilo que as comunidades tradicionais já sabem há gerações: a floresta é fonte de alimentos nutritivos e diversificar o prato pode ser também uma estratégia de saúde e de conservação”, disse o especialista.
Para a pesquisa, os especialistas combinaram os conhecimentos de nutrição e ciências ambientais com ferramentas de inteligência artificial explicável. Dessa forma, foi possível identificar os fatores que mais influenciam a priorização de espécies para estudos de composição nutricional e consumo alimentar. A enorme biodiversidade presente no País faz com que a variedade de alimentos também seja grande. “Essa pesquisa servirá para apoiar possíveis estudos e políticas públicas sobre nutrição e consumo e segurança alimentar”, continuou.
Segundo o levantamento, as plantas correspondem a quase 30% das espécies listadas e concentram a maior parte dos dados nutricionais disponíveis. Ainda assim, outros grupos, como algas, insetos e cogumelos, ainda permanecem praticamente inexplorados. “A ideia é que a informação gerada na Amazônia retorne para as comunidades locais de forma acessível, fortalecendo a segurança alimentar e valorizando o conhecimento tradicional”, finalizou Tregidgo.
Quer conhecer mais receitas como a do bolo de bacaba e as propriedades nutritivas do fruto e outros alimentos negligenciados? Acesse o material produzido pelo Mamirauá.
Brasil
MTE participa de evento preparatório para 114ª Conferência da OIT em Genebra
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, participou na tarde desta quinta-feira (30), da abertura de reunião preparatória para 114ª Conferência Internacional do Trabalho da OIT, que acontece de 1 a 12 de junho em Genebra, na Suiça.
Na reunião foram discutidos os trabalhos das comissões e os relatórios que estarão em debate na 14ª Conferência, relacionados a temas como o Emprego e trabalho decente para a paz e a resiliência; Navegando pela mudança através do diálogo social inclusivo; Trabalho decente na economia de plataformas; e Igualdade de gênero no mundo do trabalho.
Participaram da reunião presencial/virtual, representantes de governos, empregadores e trabalhadores que tiveram acesso aos relatórios e puderam comentar sobre os temas a serem discutidos.
Após a abertura do ministro, a chefe da Assessoria Especial de Assuntos Internacionais do MTE, Maíra Lacerda, deu continuidade às discussões, expondo os temas das comissões. No relatório Diálogo social inclusivo diante das transformações do mundo do trabalho, serão discutidas mudanças no mundo do trabalho, a transformação digital e IA, a informalidade, transição justa, informalidade e crises internacionais, com foco no diálogo social, com participação de todos, para mediar interesses e prevenir conflitos.
O Brasil vai apresentar na Conferência os avanços notáveis na transparência e negociação coletiva, o sistema Mediador – plataforma on line de registro e consulta de acordos coletivos, que no ano passado continha mais de 43 mil acordos registrados. O papel da Inspeção do Trabalho também será exposto neste contexto, demonstrando seus eixos de atuação para garantir o cumprimento da legislação e prevenção de conflitos.
Serão apresentados diálogos sociais na prática, como o estabelecimento de GT tripartite para desenvolver propostas regulatórias sobre plataformas digitais e a PEC dos domésticos, que trata da Convenção nº 189 da OIT.
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