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Curitiba

Laudo mostra peças quebradas e cortantes em escada rolante de shopping com dois acidentes

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Emendas do rodapé desencaixadas, degrau da escada rolante com arestas cortantes, dentes do pente da escada quebrados. Estas são as três conclusões do laudo assinado pelo engenheiro mecânico Tiago Marcelo Araújo dos Santos, do Ministério Público do Estado do Paraná (MPPR), sobre as condições da escada rolante do Shopping Ventura, em Curitiba, onde ocorreram acidentes com duas crianças. O laudo foi emitido no dia 29 de novembro de 2019, mas só chegou ao advogado que defende as vítimas na última sexta-feira (10), coincidentemente, um dia depois do segundo acidente ocorrido com a pequena Yasmin, de 3 anos.

O último acidente foi registrado na quinta-feira (9). Yasmin sofreu ferimentos graves ao ter a perna rasgada por alguma peça da escada rolante. Ela ficou internada no Hospital do Trabalhador por quatro dias e foi necessária uma cirurgia para reparar os danos na perna causados pela escada. O caso aconteceu por volta das 22h30 da última quinta-feira (9), quando a família passeava pelo local e estava indo embora após verificar os filmes em cartaz no cinema. No ano passado, em novembro, um menino de 4 anos também se feriu no mesmo local e precisou levar 13 pontos.

“A gente estava passeando e fomos no shopping ver “Frozen 2″ que as minhas crianças queriam assistir, mas não estava em cartaz. Daí fomos embora, descemos e pra lá da metade da escada que aconteceu o incidente. Eu já tinha descido com meu pia de 7 anos e minha esposa vinha com minha filha”, contou Paulo César Ferreira de Carvalho, pai da vítima, que levou 20 pontos na perna.

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De acordo com o advogado João Carlos de Castro, foi o segundo caso em dois meses no mesmo local. Ele representa as duas famílias, que entraram com pedidos para que a escada rolante seja interditada.

“O objetivo principal é entender o que aconteceu porque em certo ninguém sabe. Imagina-se que algum objeto cortante durante a viagem na escada na escada rolante está ocasionando este tipo de incidente. Com base no laudo do MPPR e a certeza que esta escada hoje oferece risco aos consumidores, a prioridade das famílias é que novos acidentes sejam evitados para que ninguém tenha que passar pela mesma dor”,  afirmou o advogado à Banda B.

Segundo advogado, o MPPR fez a solicitação de um laudo para o shopping, logo após o primeiro acidente, e também providenciou este outro laudo, que apontou uma série de irregularidades. Segundo o advogado, o laudo do shopping diverge da constatação do engenheiro do MPPR, mas sem dúvida houve negligência. “Há fotos com uma série de irregularidades na escada, inclusive com objetos cortantes. Sem dúvida, houve negligência por parte do shopping”, afirmou Castro.

Um dos trechos do laudo do MPPR, enviado à Banda B pelo advogado, diz:

“Foram vistoriadas as escadas localizadas próximo ao cinema do Shopping (onde ocorreu o acidente). Devido ao fato da visita ocorrer sem comunicação prévia a Administração do Shopping, não foi possível acessar a casa de máquinas dos equipamentos, uma vez que não havia a presença da empresa responsável pela manutenção dos equipamentos”, diz o laudo.

Suspeita de necrose na perna

O advogado informou ainda que os pais de Yasmim abriram o curativo na perna da filha nesta segunda-feira e constataram a hipótese de que a pele da perna estaria iniciando uma necrose. A criança irá passar por uma consulta com um médico particular nesta terça-feira. “Ontem, os pais tiveram a coragem de abrir o ferimento. Parece que foi constatada que a pele tem sinais de necrose. Com base nisso, hoje a criança vai a um médico particular que está sendo custeado pelo shopping para avaliar se haverá ou não a necessidade de uma nova intervenção cirúrgica”, completou Castro.

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Resposta do MPPR

A Banda B procurou o Ministério Público do Paraná que informou que o órgão foi procurado por um representante da família (primeiro acidente) e foi aberto um procedimento para verificar a situação. O MP fez uma vistoria técnica, onde foram verificadas algumas irregularidades. Foi proposto então um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC).

No início do ano, o shopping disse que já fez os ajustes. O MP fará agora uma nova vistoria.

Resposta do Shopping

A Banda B procurou a assessoria do Shopping Ventura novamente nesta terça-feira, para se manifestar em relação às declarações do advogado das famílias. Até o fechamento desta reportagem ainda não havia sido enviada uma posição.

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Curitiba

Curitiba tem um bairro gigante que supera municípios da Região Metropolitana

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A Cidade Industrial de Curitiba (CIC) carrega o título de bairro mais populoso da capital paranaense e figura entre os cinco maiores do Brasil. Segundo o último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), são 172.510 moradores, número superior ao de Pinhais e Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba, que têm 127 mil e 118.730 habitantes, respectivamente.

Além da densidade populacional, a CIC se destaca pelo tamanho territorial, com 43 km² de extensão. Oficialmente fundada em 1973, a Cidade Industrial nasceu de uma parceria entre a Urbs e o Governo do Paraná.
A ideia era criar uma área planejada para receber indústrias e, ao mesmo tempo, oferecer moradia para trabalhadores. As primeiras casas começaram a surgir nos anos 1980 e, desde então, a região nunca parou de crescer.

Nos anos 1970, o bairro parecia isolado às margens da BR-116. Hoje, no entanto, faz parte do coração econômico da capital, com conexões diretas para o interior do Paraná.

Bairros mais populosos de Curitiba

Atualmente, a CIC lidera o ranking dos bairros mais populosos de Curitiba, seguida por Sítio Cercado, Cajuru, Uberaba e Boqueirão. Somadas, essas cinco regiões concentram 503.664 habitantes, ou seja, quase 30% de toda a população curitibana.

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Na outra ponta, bairros como Riviera, Lamenha Pequena e Cascatinha mal chegam a somar 10 mil moradores.

Boom de investimentos após a pandemia

Desde 2022, a CIC tem atraído grandes investimentos em diferentes setores. Estima-se que cerca de R$ 2 bilhões já tenham sido confirmados em projetos industriais para os próximos três anos

A região também foi a mais procurada da cidade para abertura de empresas no primeiro semestre de 2022. Segundo a prfeitura, 2.761 novos negócios se instalaram ali, número maior que o registrado no Centro e no Sítio Cercado.

Atualmente, o bairro reúne aproximadamente 20 mil empresas, responsáveis por mais de 80 mil empregos diretos e indiretos, de acordo com a Associação das Empresas da CIC.

Entre os investimentos mais expressivos estão os R$ 1,5 bilhão da Volvo em pesquisa e desenvolvimento até 2025; os R$ 200 milhões da Fiocruz na construção de uma fábrica de vacinas; e outros R$ 200 milhões da alemã Horsch, que pretende implantar uma unidade de máquinas agrícolas na região.

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Desafios do maior bairro de Curitiba

Apesar da relevância econômica e social, a CIC enfrenta desafios típicos de grandes centros urbanos. O bairro aparece em segundo lugar no ranking de crimes contra o patrimônio em 2025, com 2.545 ocorrências registradas apenas no primeiro semestre, ficando atrás apenas do Centro.
Além da questão da segurança, o trânsito intenso e as demandas por urbanização acompanham o crescimento acelerado da região.

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