Brasil
Inpe inaugura nova era em supercomputação com foco em previsão de tempo e clima
O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), unidade do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), adquiriu um novo supercomputador, instalado no Centro de Dados Científico do Instituto, em Cachoeira Paulista (SP). A nova máquina amplia significativamente a capacidade de previsão do tempo e de modelagem climática no País, em um momento em que cresce a demanda por informações precisas diante da intensificação de eventos extremos.
Com maior velocidade, resolução e sustentabilidade, o investimento feito pelo MCTI, com financiamento da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), reforça a capacidade nacional de antecipar riscos climáticos e gerar conhecimento científico estratégico para o País. “Em relação ao sistema anterior, o Tupã, o novo supercomputador tem capacidade de processamento de dados de cinco a seis vezes maior e cerca de 24 vezes mais capacidade de armazenamento de dados, sendo o mais avançado equipamento de previsão de tempo e de clima do País”, explica o coordenador de Infraestrutura de Dados e Supercomputação do Inpe, Ivan Márcio Barbosa.
Avanços em velocidade e detalhamento nas previsões de tempo e clima
O novo supercomputador reduz o tempo de processamento de previsões meteorológicas e aumenta o nível de detalhamento dos resultados. Enquanto anteriormente a previsão para dez dias exigia cerca de três horas de processamento, agora é possível obter, em menos de duas horas. Esse ganho permite executar múltiplas simulações com pequenas variações, fornecendo cenários probabilísticos mais confiáveis para apoiar órgãos como a Defesa Civil.
Além disso, o novo supercomputador permitirá previsões com maior resolução espacial, ou seja, maior detalhamento. Além de mais processamento, isso exige que o supercomputador tenha muito mais memória. A grade de previsão, que antes era de 20 km, passa a 10 km para o globo todo, e poderá alcançar 3 km para previsões sobre a América do Sul. Essa melhoria permite identificar fenômenos locais, como ondas de calor em áreas específicas de grandes cidades, tempestades intensas em regiões delimitadas e efeitos de serras e vales sobre o clima.
“Na prática, esse avanço permite um detalhamento espacial quatro vezes superior ao que tínhamos antes. Proporcionalmente ao detalhamento espacial, o detalhamento temporal também aumenta, o que implica em cerca de oito vezes mais processamento. O objetivo é possibilitar previsões detalhadas, como ‘fortes chuvas com rajadas de vento na Zona Leste da capital, entre 16h e 18h’, diferenciando como será o tempo em regiões separadas por apenas 10 km de distância, além de indicar de forma mais objetiva o intervalo de ocorrência dos eventos climáticos ”, explica o coordenador-geral de Ciências da Terra do Inpe, José Antonio Aravéquia.
Projeto Risc: infraestrutura estratégica e sustentável
A aquisição integra o projeto Renovação da Infraestrutura de Supercomputação (Risc), do Inpe, que prevê, além do novo supercomputador, a instalação de mais três supercomputadores até 2028. O projeto também contempla a modernização da infraestrutura elétrica, do sistema de refrigeração e a implementação de uma usina fotovoltaica, tornando o Centro de Dados Científico do Instituto mais eficiente e sustentável. Com recursos do Convênio Finep/Risc nº 01.220311.00, o investimento total previsto para o projeto será de aproximadamente R$ 200 milhões.
Para a compra, importação e transporte desta primeira máquina, o investimento foi de quase R$ 30 milhões. Ao final da execução do projeto, a capacidade computacional poderá alcançar pelo menos 8 Petaflops, o equivalente a 8 quatrilhões de operações matemáticas por segundo.
O Risc está estruturado em sete metas principais:
1 – Atualização e ampliação do sistema de supercomputação
2 – Atualização e ampliação de armazenamento
3 – Modernização da infraestrutura de suporte, incluindo energia elétrica, refrigeração e água tratada
4 – Implementação de energia fotovoltaica
5 – Implementação e acoplamento do sistema de modelagem Modelo para Previsões de Oceano, Terra e Atmosfera (Monan)
6 – Disponibilização do código em acesso livre para a comunidade nacional e internacional
7 – Operacionalização do modelo comunitário Monan em escalas global e regional
De acordo com o diretor do Inpe, Antonio Miguel Vieira Monteiro, o novo supercomputador e, posteriormente, o alcance das metas do Risc representam um grande salto de capacidade do instituto, que vai se traduzir diretamente em benefícios para sociedade brasileira. “Significa melhorias na previsão de eventos extremos, possibilitando alertas mais precoces, previsões de tempo mais confiáveis para agricultores e gestores de cidades e um planejamento energético mais seguro para o País. Estamos transformando dados, através de modelos complexos, em ações concretas de proteção e meios para auxiliar as estratégias de desenvolvimento situadas para os diferentes territórios brasileiros”, afirma.
Monan: modelo brasileiro para previsões ambientais
No núcleo desse avanço está o Monan, desenvolvido para representar com mais precisão as condições tropicais e subtropicais da América do Sul. Comunitário e de código aberto, o modelo, cujo nome faz referência ao termo tupi-guarani para “terra sem males”, integra dados da atmosfera, dos oceanos, da superfície terrestre e da química atmosférica, permitindo antecipar ondas de calor, estiagens prolongadas e enchentes com maior exatidão.
Com apoio de instituições nacionais e internacionais, o Monan busca oferecer previsões que atendam às necessidades específicas do Brasil e da região. Os primeiros produtos operacionais, voltados para previsões meteorológicas de médio prazo, estão previstos ainda para 2025.
“O Monan já foi instalado no novo supercomputador e está em fase de testes, apresentando resultados iniciais muito positivos. O novo sistema oferece o processamento necessário para rodar o modelo em resolução inédita de 10km em escala global no hemisfério sul e fazer simulações, algo que não era possível com o Tupã, pois sua capacidade técnica já não suportava o volume e a complexidade das operações exigidas”, aponta o pesquisador e chefe da Divisão de Modelagem Numérica do Sistema Terrestre, do Inpe, Saulo Ribeiro de Freitas.
Aplicações e impacto social: o que esperar do novo supercomputador
Diferente dos data centers comerciais, voltados a aplicações corporativas, o Centro de Dados Científico do Inpe é voltado à pesquisa e ao serviço público. O novo sistema apoiará atividades em previsão de tempo, modelagem climática, monitoramento da qualidade do ar, estudos oceânicos e gestão de dados ambientais estratégicos.
Os resultados gerados pelo supercomputador têm aplicações diretas em diversos setores, como agricultura, energia, saúde e defesa civil, oferecendo previsões mais rápidas e detalhadas que permitem reduzir prejuízos e salvar vidas.
A nova capacidade computacional também reforça o papel do Inpe em pesquisas sobre mudanças climáticas. O sistema será utilizado na elaboração de cenários climáticos futuros, fundamentais para as Comunicações Nacionais do Brasil à Convenção do Clima e para a participação do País no Coupled Model Intercomparison Project (CMIP), iniciativa internacional do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC).
Início da operação, testes e escolha do nome
Adquirido junto à empresa HPE-Cray em setembro de 2024, o novo supercomputador (modelo HPE XD2000) chegou ao Brasil em maio de 2025. Desde então, equipes do Inpe fizeram as adequações necessárias na infraestrutura e a desmontagem do sistema anterior, o Tupã, além de receberem treinamento técnico por parte da empresa para operação do equipamento.
O Tupã era composto por dois módulos, o XE6, adquirido em 2010, e o XC50, adquirido em 2017. O processo de desativação começou com a desmontagem do módulo XE6, concluída em março. O Módulo XC50 continua sendo utilizado operacionalmente e tem previsão de desligamento no início de 2026.
A nova máquina já está em operação, enquanto os modelos numéricos passam por fases de testes e migração de sistemas. Além do Monan, que apresentou bons resultados iniciais, estão previstos novos testes e validações de outros modelos de tempo e clima que também passarão a operar no novo sistema.
Além disso, o novo supercomputador ainda aguarda um nome que traduza sua missão e dê continuidade ao legado do Tupã, cujo nome, inspirado na mitologia tupi-guarani, simboliza a força dos trovões e do clima e reflete a conexão entre ciência e cultura brasileira. Para batizar a nova máquina, o Inpe lançou uma campanha em duas etapas: após receber mais de cem sugestões de servidores, colaboradores e alunos, a escolha final será aberta à sociedade nas redes sociais, fortalecendo o elo entre ciência, cultura e participação pública nessa nova era da supercomputação nacional.
Brasil
Reino Unido completa depósito de R$ 500 milhões e se torna segundo maior doador do Fundo Amazônia
O Reino Unido anunciou, nesta quinta-feira (11/6), o segundo desembolso de sua contribuição ao Fundo Amazônia, no valor de 40,7 milhões de libras esterlinas, cerca de R$ 270 milhões. Com o novo aporte, o país conclui a doação de 80 milhões de libras — aproximadamente R$ 500 milhões — anunciada durante a COP28, realizada em 2023.
O anúncio foi feito durante cerimônia realizada no Palácio do Planalto em comemoração ao Dia Mundial do Meio Ambiente, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, e da diretora Socioambiental da instituição, Tereza Campello.
Com a conclusão da transferência dos recursos, o Reino Unido passa a ocupar a posição de segundo maior doador do Fundo Amazônia, atrás apenas da Noruega. O contrato de doação foi formalizado durante a COP28. O primeiro desembolso, realizado em novembro de 2024, foi de 39,26 milhões de libras, equivalentes a R$ 283,9 milhões.
O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, destacou que a contribuição reforça o reconhecimento do Fundo e os avanços do Brasil no enfrentamento ao desmatamento e na proteção da Amazônia. “O Fundo Amazônia retomou sua plena capacidade operacional, apoiando dezenas de projetos de conservação, restauração e desenvolvimento econômico para as comunidades da Amazônia”, pontuou.
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, ressaltou que o aporte fortalece um dos principais instrumentos globais de financiamento climático baseado em resultados. “A doação do Reino Unido é um reconhecimento da liderança do presidente Lula na agenda climática e da retomada da política ambiental brasileira. O Fundo Amazônia voltou a funcionar, ampliou fortemente seu ritmo e se consolidou como o maior instrumento financeiro de pagamento por redução de desmatamento florestal do mundo. Esses recursos fortalecem nossa capacidade de apoiar projetos que protegem a floresta, geram renda para as populações amazônicas e ajudam o Brasil a liderar uma nova economia verde, com inclusão social e desenvolvimento sustentável”, afirmou Mercadante.
Cooperação internacional
Desde a retomada do Fundo Amazônia, em 2023, sete novos parceiros internacionais passaram a integrar sua base de doadores. Além do Reino Unido, aderiram ao mecanismo Suíça, Dinamarca, União Europeia, Estados Unidos, Irlanda e Japão. A Petrobras também integra o grupo de financiadores do Fundo.
A ampliação da base de doadores reflete a confiança da comunidade internacional na governança do Fundo Amazônia e nos resultados alcançados pelo Brasil na redução do desmatamento e das emissões de gases de efeito estufa associadas à mudança do uso da terra.
Além da contribuição de 80 milhões de libras formalizada na COP28, o Reino Unido anunciou, em 2023, uma nova doação de 35 milhões de libras ao Fundo Amazônia, equivalente à época a cerca de R$ 115 milhões. O aporte reforça a parceria entre os dois países na agenda climática e na promoção de alternativas econômicas sustentáveis para a Amazônia.
“As doações ao Fundo Amazônia são pagamentos por resultados já alcançados pelo Brasil na redução de emissões de CO2 por desmatamento. É um ciclo virtuoso: o país reduz o desmatamento, recebe recursos internacionais por esse resultado e reinveste em ações que protegem a floresta, fortalecem povos indígenas, comunidades tradicionais, agricultores familiares, estados, municípios e organizações locais”, enfatizou a diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello.
Sobre o Fundo Amazônia
Criado em 2008 para captar doações internacionais com base nos resultados do Brasil na redução do desmatamento, o Fundo Amazônia transformou os avanços do país na proteção da floresta em cooperação internacional concreta para o desenvolvimento sustentável da Amazônia.
Coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e gerido pelo BNDES, o Fundo já soma R$ 5,3 bilhões em doações e 153 projetos aprovados, beneficiando mais de 650 organizações, 169 Terras Indígenas, 192 Unidades de Conservação e 260 mil pessoas.
Os recursos do Fundo Amazônia apoiam ações de prevenção, monitoramento e combate ao desmatamento, produção sustentável, bioeconomia, restauração, regularização ambiental e territorial, fortalecimento institucional e proteção de povos indígenas e comunidades tradicionais.
Assessoria Especial de Comunicação Social do MMA
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