Agro
Indústria de insumos agrícolas do Brasil bate recorde histórico em comércio exterior em 2025
Setor de insumos agrícolas alcança melhor desempenho em 14 anos
A indústria brasileira de insumos agrícolas encerrou 2025 com recordes históricos em comércio exterior, impulsionada pela alta nas importações e pela maior receita de exportações em mais de uma década. Segundo dados do CropData, portal de dados da CropLife Brasil, as importações atingiram US$ 14,3 bilhões, com 1,8 milhão de toneladas em volume total.
As exportações somaram US$ 976 milhões, o maior valor em 14 anos, representando um crescimento de 7% em relação a 2024. O desempenho reflete o fortalecimento da indústria nacional e o aumento da demanda internacional por soluções agrícolas brasileiras.
Defensivos químicos concentram maior volume de importações
Os defensivos químicos foram responsáveis por 96,3% do valor total importado, seguidos pelos bioinsumos (2,2%) e sementes (1,5%). A China manteve-se como principal fornecedora, com US$ 6 bilhões, seguida por Índia (US$ 2 bilhões) e Estados Unidos (US$ 1,6 bilhão).
As importações de produtos químicos — que incluem matérias-primas, produtos técnicos e formulados — totalizaram US$ 13,8 bilhões, alta de 15% em comparação a 2024. O volume importado chegou a 1,76 milhão de toneladas, avanço de 23% sobre o ano anterior.
Entre os produtos, destacaram-se os formulados genéricos, que bateram recorde com 1,04 milhão de toneladas importadas. Segundo Maria Xavier, gerente de Assuntos Econômicos da CropLife Brasil, a escolha por genéricos reflete o foco dos produtores em alternativas mais acessíveis e amplamente disponíveis, mas ela alerta:
“O produtor deve avaliar não apenas o preço, mas também a qualidade, eficácia e consistência do desempenho agronômico desses produtos, além da reputação da empresa fornecedora e do suporte técnico oferecido.”
Exportações sobem 7% e atingem o melhor resultado em mais de uma década
O Brasil exportou US$ 976 milhões em soluções agrícolas em 2025, crescimento de 7% em relação ao ano anterior, com destaque para os defensivos químicos (63%) e sementes (27%). Os bioinsumos representaram 7% das receitas, confirmando a tendência de expansão das tecnologias biológicas.
O desempenho das sementes agrícolas foi o melhor dos últimos cinco anos, com receita de US$ 262 milhões. Apesar de leve retração no volume exportado, o setor se beneficiou da valorização dos preços médios. A exportação de sementes de milho liderou, com US$ 124 milhões, seguida por forrageiras (US$ 75 milhões) e hortícolas (US$ 28 milhões), que juntas representaram 87% das vendas externas.
Os principais destinos das sementes brasileiras foram Paraguai, Colômbia e Argentina, com o Paraguai liderando as compras de milho.
Bioinsumos batem recorde de registros e ganham força no mercado
Em 2025, o Brasil também bateu recorde no registro de novos produtos agrícolas, com 916 registros concedidos — sendo 162 bioinsumos e 750 defensivos químicos.
Os biológicos atingiram o maior número de registros da história, reforçando a expansão da biotecnologia no campo. Hoje, o país conta com 874 produtos ativos no mercado, sendo 722 agroquímicos e 152 biológicos.
O avanço dos bioinsumos foi impulsionado pela entrada de novas empresas no setor e pela expansão da área de atuação das multinacionais. Já entre os químicos, o crescimento foi motivado pela ampliação dos produtos genéricos, que ganharam espaço pelo preço competitivo e pela facilidade de acesso, consolidando seu papel estratégico no manejo agrícola.
CropData: transparência e inovação no agronegócio
O CropData, plataforma de dados da CropLife Brasil, reúne informações inéditas sobre os setores de sementes, bioinsumos e defensivos químicos. O sistema oferece dados sobre faturamento, crédito, impostos, P&D, comércio exterior, ESG, empregos, registros e uso agrícola.
A iniciativa busca ampliar a transparência e o acesso público às informações estratégicas do agronegócio brasileiro, fortalecendo a competitividade e a sustentabilidade da indústria de insumos.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Brasil deve produzir 600 mil toneladas de canola nesta safra
A canola começa a sair das lavouras brasileiras com uma produção estimada em 601,3 mil toneladas na safra 2025/26, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O volume representa crescimento de 74,4% sobre as 344,8 mil toneladas colhidas na temporada anterior e confirma o avanço de uma cultura que fornece óleo para alimentação, farelo para os animais e matéria-prima para biocombustíveis.
A colheita ainda está no início. No Rio Grande do Sul, responsável pela maior parte da produção nacional, aproximadamente 1% das lavouras havia sido colhido até a segunda quinzena de setembro. Cerca de 88% das áreas estavam entre a floração e o enchimento de grãos e outros 9% já se encontravam em maturação, conforme o acompanhamento da assistência técnica estadual.
Isso significa que a safra de canola que aparece nas estatísticas como 2025/26 ainda está no campo. A cultura foi semeada principalmente entre abril e junho de 2026 e deverá ter a colheita concentrada durante a primavera. O plantio da temporada 2026/27, portanto, não começou: ocorrerá somente no primeiro semestre de 2027.
A área cultivada na safra em fase de colheita alcançou 371,1 mil hectares, expansão de 75,1% diante dos 211,9 mil hectares do ciclo anterior. A produtividade média foi estimada pela Conab em 1.620 quilos por hectare, praticamente estável em relação aos 1.627 quilos obtidos em 2024/25.
Os números mostram que o crescimento da produção foi sustentado principalmente pela incorporação de novas áreas. Embora a Associação Brasileira dos Produtores de Canola (Abrascanola) estime 405 mil hectares e um potencial de 607,2 mil toneladas, a referência oficial da Conab permanece em 371,1 mil hectares e 601,3 mil toneladas. A diferença decorre das fontes e metodologias utilizadas nos levantamentos.
O Rio Grande do Sul concentra aproximadamente 353,4 mil hectares, o equivalente a cerca de 95% da área nacional estimada pela Conab. O cultivo também aparece no Paraná, em Santa Catarina e, em menor escala, em outras regiões onde pesquisas procuram adaptar a oleaginosa ao sistema de segunda safra.
Nas lavouras gaúchas, o desenvolvimento é considerado satisfatório na maior parte das áreas. Os primeiros trabalhos ocorrem em cultivos implantados mais cedo, sobretudo no Noroeste. A evolução da colheita dependerá do amadurecimento dos grãos e de intervalos de tempo seco, necessários para reduzir perdas e preservar a qualidade.
A canola pertence à mesma espécie agrícola da colza, mas foi selecionada para apresentar baixos teores de ácido erúcico no óleo e de glucosinolatos no farelo. Os grãos contêm aproximadamente 38% de óleo, conforme referências técnicas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
A maior parte da produção é destinada à fabricação de óleo comestível. Depois da extração, o farelo rico em proteína pode ser utilizado na alimentação animal, principalmente de bovinos, suínos e aves, respeitadas as formulações nutricionais de cada criação.
O óleo também pode ser empregado na fabricação de biodiesel. Outra possibilidade em estudo é seu aproveitamento na produção de combustível sustentável de aviação, conhecido pela sigla SAF. Esse mercado, entretanto, ainda não está consolidado comercialmente em grande escala no Brasil.
No campo, a canola oferece uma alternativa de renda durante o inverno e amplia a rotação com soja, milho e cereais. Como pertence a uma família botânica diferente, pode ajudar a interromper ciclos de determinadas doenças e plantas daninhas, além de manter o solo coberto e distribuir melhor o uso de máquinas e mão de obra ao longo do ano.
A decisão de plantar exige, porém, comprador previamente definido. A cadeia nacional ainda possui menos pontos de recebimento e esmagamento que a soja, e a distância até a indústria pode reduzir a rentabilidade. A implantação também requer atenção ao tamanho reduzido das sementes, à profundidade de semeadura, ao controle de pragas e ao momento da colheita, porque a abertura das síliquas pode provocar perda de grãos.
Apesar do crescimento recente, o Brasil ainda ocupa uma posição pequena no mercado internacional. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) projeta produção mundial de 99,97 milhões de toneladas de canola e colza em 2026/27. A safra brasileira equivale a aproximadamente 0,6% desse total.
O USDA não apresenta o Brasil individualmente entre os grandes produtores, incluindo o País no grupo das demais origens. O Canadá lidera a produção entre os países, com previsão de 22,5 milhões de toneladas. A União Europeia, considerada como bloco, deverá colher 20,15 milhões, seguida pela China, com 16,2 milhões, e pela Índia, com 12,4 milhões.
Sozinho, o Canadá produz quase 37 vezes o volume brasileiro. A comparação mostra que o País ainda está distante dos líderes, mas também revela o espaço disponível para crescer. Enquanto a canola ocupa pouco mais de 370 mil hectares no Brasil, as culturas de inverno dispõem de milhões de hectares que permanecem sem atividade comercial em parte do ano.
O ciclo atual será decisivo para saber se a rápida expansão conseguirá se sustentar. Além da produtividade e da qualidade dos grãos, o produtor acompanhará os preços, a capacidade de recebimento das indústrias e o cumprimento dos contratos. Uma colheita próxima de 600 mil toneladas colocará a canola em um novo patamar no País, mas a continuidade dependerá de mercado, assistência técnica e segurança para comercializar a produção.
Fonte: Pensar Agro
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