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Guiana abre áreas agrícolas a brasileiros, mas é preciso ter estrutura e capital para investir

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A abertura de áreas agrícolas na Guiana, país vizinho ao Brasil, ao lado de Roraima (a capital, Georgetown, está 4.825 km distante de Brasília), tem despertado o interesse de produtores brasileiros, mas também gerado interpretações equivocadas. Ao contrário do que se noticiou, o país não está distribuindo “terra de graça”, é preciso ter estrutura e capital para investir. O modelo em curso é baseado em concessões de áreas públicas, com incentivos para atrair investimento produtivo.

A iniciativa faz parte de uma estratégia mais ampla do governo local para ampliar a produção interna de alimentos e reduzir a dependência de importações. A meta, alinhada à Comunidade do Caribe, do qual o país faz parte, é cortar em 25% as compras externas até 2030. Hoje, boa parte do abastecimento alimentar do país ainda vem de fora.

Para isso, o governo passou a disponibilizar áreas de savana com potencial agrícola, principalmente na região próxima à fronteira brasileira. Segundo a Food and Agriculture Organization, agência especializada da Organização das Nações Unidas (ONU), essas áreas apresentam aptidão para produção de grãos e podem ser incorporadas sem avanço direto sobre a floresta.

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O ponto central, no entanto, está no formato da oferta. As terras pertencem majoritariamente ao governo da Guiana e são disponibilizadas por meio de concessões e arrendamentos de longo prazo. Em alguns casos, o custo inicial pode ser reduzido ou facilitado, mas está condicionado à implantação efetiva da produção.

Na prática, isso significa que o produtor interessado precisa entrar com estrutura e ter capital alto para investir, numa região distante do Brasil. A operação exige investimento em preparo de área, máquinas, insumos, mão de obra e logística, além de capacidade para organizar o escoamento da produção em um ambiente ainda em formação. O atrativo está no conjunto de incentivos, como crédito subsidiado e isenção de impostos sobre equipamentos e não na gratuidade da terra.

O interesse por produtores brasileiros não é casual. A experiência do Brasil na expansão agrícola em áreas de cerrado é vista como referência para acelerar o desenvolvimento produtivo local, especialmente em culturas como soja e milho, além da proteína animal.

Apesar do potencial, o cenário ainda impõe desafios. A infraestrutura logística é limitada, com a principal ligação rodoviária entre a fronteira e a capital Georgetown ainda em desenvolvimento. A ausência de uma cadeia agroindustrial estruturada, com tradings e processamento, também aumenta o risco comercial.

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Há ainda lacunas técnicas, como falta de mapeamento detalhado de solos, séries históricas de chuva e zoneamento agrícola consolidado, fatores que dificultam o planejamento de longo prazo. A barreira do idioma, a Guiana é o único país de língua inglesa da América do Sul, também aparece como ponto de atenção operacional.

Com pouco mais de 800 mil habitantes e economia impulsionada recentemente pela exploração de petróleo, a Guiana tenta construir uma nova fronteira agrícola combinando terra disponível e incentivo público. Para o produtor brasileiro, a oportunidade existe, mas exige leitura clara do cenário: mais do que acesso à terra, o que está em jogo é a capacidade de estruturar uma operação completa em um mercado ainda em desenvolvimento.

Fonte: Pensar Agro

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Dólar oscila abaixo de R$ 5 com trégua no Oriente Médio e tensão no Estreito de Ormuz; Ibovespa recua

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Dólar opera próximo da estabilidade após feriado

O dólar voltou a operar com pouca variação no Brasil após o feriado de Tiradentes, refletindo um cenário externo ainda incerto, mas com sinais de alívio nas tensões geopolíticas.

Na manhã desta quarta-feira, a moeda norte-americana chegou a oscilar entre leve alta e queda, sendo cotada próxima de R$ 4,96 a R$ 4,98. Por volta das 10h15, o dólar recuava cerca de 0,29%, a R$ 4,9599. Mais cedo, chegou a subir levemente, indicando instabilidade nas negociações.

No mercado futuro, o contrato mais líquido negociado na B3 também apresentou variação moderada, acompanhando o ambiente de cautela dos investidores.

Trégua entre EUA e Irã reduz pressão, mas tensão persiste

O principal fator que influencia os mercados internacionais é a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de prorrogar por tempo indeterminado o cessar-fogo com o Irã, abrindo espaço para novas negociações diplomáticas.

Apesar disso, o cenário segue instável. O Irã apreendeu dois navios no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. A ação elevou a percepção de risco no mercado global e manteve os investidores em alerta.

Petróleo em alta impacta mercados globais

Em meio às tensões no Oriente Médio, o petróleo voltou a subir, com o Brent sendo negociado próximo de US$ 99 por barril.

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Esse movimento reforça a volatilidade dos mercados financeiros, já que o preço da commodity tem impacto direto sobre inflação, custos logísticos e atividade econômica global.

Ao mesmo tempo, o índice do dólar, que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a outras divisas, apresentou leve alta, indicando um movimento global ainda contido.

Ibovespa recua com cautela dos investidores

O Ibovespa operava em queda leve nesta quarta-feira, recuando cerca de 0,10% e ficando na faixa dos 195 mil pontos.

O movimento reflete a cautela dos investidores diante do cenário internacional e da falta de indicadores econômicos relevantes no Brasil nesta sessão.

No início da semana, o índice chegou a registrar leve alta, mas segue sujeito às oscilações externas.

Desempenho recente do dólar e da bolsa em 2026

O comportamento dos mercados ao longo do ano mostra tendências importantes:

  • Dólar
    • Semana: queda de 0,17%
    • Mês: recuo de 3,94%
    • Ano: queda acumulada de 9,37%
  • Ibovespa
    • Semana: alta de 0,20%
    • Mês: avanço de 4,63%
    • Ano: valorização de 21,73%

Os dados indicam um real mais fortalecido em 2026, apesar da volatilidade recente provocada pelo cenário externo.

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Banco Central atua no mercado de câmbio

O Banco Central do Brasil segue atuando para garantir liquidez e estabilidade no mercado cambial.

Nesta quarta-feira, a autoridade monetária realizou leilão de 50 mil contratos de swap cambial tradicional, com foco na rolagem de vencimentos previstos para maio.

Além disso, a divulgação dos dados de fluxo cambial foi adiada devido ao feriado, com previsão de publicação no dia seguinte.

Perspectivas: câmbio segue dependente do cenário externo

O mercado financeiro brasileiro continua altamente sensível aos desdobramentos internacionais, especialmente às tensões no Oriente Médio e às negociações entre Estados Unidos e Irã.

Entre os principais fatores que devem influenciar o dólar nos próximos dias estão:

  • Evolução do cessar-fogo e das negociações diplomáticas
  • Movimentações no Estreito de Ormuz
  • Comportamento dos preços do petróleo
  • Fluxo de capital estrangeiro

Mesmo com o dólar abaixo de R$ 5, o cenário segue volátil, exigindo atenção redobrada dos investidores e agentes econômicos.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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