Agro
Goiás fecha 2025 com alta nas exportações de milho e saldo positivo na balança comercial
Recuperação do mercado de milho marca o fim de 2025
O mercado do milho em Goiás encerrou o ano de 2025 em leve recuperação, após oscilações significativas ao longo do período. Segundo o boletim Agro em Dados, elaborado pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), o grão iniciou o ano em trajetória de alta, atingindo em março o pico de R$ 90,33 por saca — o maior valor do ano. O movimento foi impulsionado pela forte demanda e pela oferta ajustada no mercado.
A partir de abril, as cotações passaram a cair e se mantiveram em níveis mais baixos até julho. Nos meses seguintes, entre agosto e dezembro, o milho apresentou pequenas altas consecutivas, encerrando o ano com média de R$ 69,62 por saca. De acordo com o informativo, o resultado reflete a redução na oferta do produto no mercado interno.
Etanol de milho impulsiona setor e abre novas oportunidades de exportação
Além da comercialização do grão in natura, a produção de etanol de milho ganhou destaque no estado. O processo gera coprodutos como DDG e DDGS, amplamente utilizados na alimentação animal por seu alto valor nutricional.
Entre 2021 e 2025, o Brasil ampliou em quase 200 vezes o valor exportado desses derivados, enquanto o número de países compradores passou de 24 para 37. Apesar de Goiás não ter registrado exportações recentes desses coprodutos, a Seapa avalia que o estado possui grande potencial para ingressar nesse mercado, impulsionado pelo crescimento da produção local de etanol de milho.
A habilitação das exportações brasileiras para a China, conforme o Protocolo de Proteínas e Grãos Derivados da Indústria do Etanol de Milho, fortalece ainda mais as perspectivas do setor.
Cenário global: maior produção, mas estoques em queda
De acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a produção mundial de milho para a safra 2025/26 deve atingir 1,2 milhão de toneladas, superando o volume da temporada anterior. Esse aumento é resultado da expansão da área cultivada e da melhoria na produtividade.
No entanto, o crescimento do consumo global deve provocar uma redução dos estoques internacionais, cenário que mantém o mercado aquecido.
No Brasil, a demanda doméstica deve atingir 94,6 milhões de toneladas, um recorde histórico, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Exportações goianas crescem e fortalecem a balança comercial
Goiás se destacou no cenário nacional com avanço nas exportações de milho em 2025, que contribuíram diretamente para o saldo positivo da balança comercial do grão. O estado registrou US$ 977,1 milhões em exportações, alta de 22,1% em relação ao ano anterior.
As vendas externas foram compostas tanto por milho destinado ao consumo quanto por sementes para plantio, enquanto as importações se restringiram ao produto voltado à semeadura.
Com desempenho sólido e diversificação de mercados, Goiás consolida sua posição como um dos principais polos produtores e exportadores de milho do país, com perspectivas otimistas para os próximos anos.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Abelhas elevam produtividade da soja em até 18%
A presença de abelhas nas proximidades das lavouras pode aumentar, em média, 13% a produtividade da soja, segundo estudos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Em alguns experimentos, o ganho chegou a 18%, resultado obtido sem ampliação da área plantada.
Embora a soja seja considerada uma planta capaz de se autopolinizar, as visitas das abelhas às flores melhoram o processo de fecundação. Os efeitos podem aparecer no aumento do número de grãos por vagem, na redução de vagens vazias e, ao final do ciclo, na quantidade colhida por hectare.
Os percentuais não representam uma garantia automática para todas as propriedades. O resultado depende da cultivar, das condições climáticas, da população de polinizadores, da paisagem ao redor da lavoura e das práticas adotadas durante o florescimento. Ainda assim, as pesquisas mostram que a polinização deve ser considerada parte do sistema produtivo, e não apenas um benefício ambiental.
A contribuição econômica das abelhas vai muito além da produção de mel. Um estudo citado pela Embrapa estimou em aproximadamente R$ 43 bilhões o valor anual do serviço de polinização para a produção brasileira de alimentos, com base nos dados agrícolas de 2018.
Entre 141 espécies cultivadas no Brasil para alimentação humana, produção animal, fibras e biocombustíveis, cerca de 85 dependem, em algum grau, da polinização realizada por animais. As abelhas são os principais agentes desse processo. Café, laranja, maçã, melão, maracujá, castanha-do-brasil, canola e algodão estão entre as culturas beneficiadas.
A dimensão desse serviço também começou a ser mais bem compreendida nas áreas de soja. Pesquisa divulgada pela Embrapa em 2026 identificou 53 espécies de abelhas em lavouras e fragmentos de vegetação nativa no sudoeste de Goiás. Desse total, 27 eram novos registros de espécies associadas à cultura na região.
O levantamento mostra que a soja não recebe apenas a visita da abelha-africanizada, normalmente utilizada na produção comercial de mel. Diferentes espécies nativas também percorrem as flores e participam da polinização. Essa diversidade reduz a dependência de um único polinizador e aumenta a capacidade de o ambiente responder a mudanças de temperatura, umidade e disponibilidade de alimento.
A manutenção de vegetação nativa próxima às áreas produtivas tem papel importante nesse processo. Matas, reservas legais, áreas de preservação permanente, corredores de vegetação e faixas com plantas floridas oferecem abrigo e alimento às abelhas antes e depois da florada da cultura comercial.
Para o produtor, essas áreas podem funcionar como infraestrutura biológica da propriedade. A contribuição será maior quando houver conexão entre os ambientes naturais e a lavoura, permitindo que os insetos encontrem locais para nidificação, água e fontes de néctar e pólen durante diferentes períodos do ano.
A integração também pode abrir uma fonte complementar de renda. Dados da Embrapa indicam que apicultores com bom manejo e colmeias instaladas próximas às lavouras podem obter até 50 quilos de mel por colmeia durante a florada da soja. Ao mesmo tempo que as abelhas encontram alimento, o produtor de grãos recebe o serviço de polinização.
A convivência, entretanto, exige planejamento. A localização dos apiários precisa ser conhecida, e agricultores, responsáveis técnicos e apicultores devem manter comunicação sobre o calendário da lavoura e as aplicações de defensivos.
O manejo integrado de pragas ajuda a evitar pulverizações desnecessárias. Quando o controle químico for indispensável, devem ser respeitados o registro do produto, as orientações da bula, as condições meteorológicas e as técnicas destinadas a reduzir deriva. Sempre que tecnicamente possível, a aplicação deve considerar os horários de menor atividade das abelhas.
O vento, a temperatura e a umidade interferem diretamente na dispersão da calda. Uma pulverização feita em condições inadequadas pode atingir flores, vegetação próxima e fontes de água frequentadas pelos insetos, mesmo quando as colmeias estão fora da área cultivada. Por isso, regulagem do equipamento, escolha correta das pontas e acompanhamento das condições ambientais são medidas decisivas.
Também cabe ao apicultor manter as colmeias identificadas, bem manejadas e instaladas em locais adequados. A comunicação antecipada permite avaliar medidas de proteção sem comprometer as necessidades fitossanitárias da lavoura.
A preservação das abelhas não deve ser tratada como uma obrigação separada da produção. Os estudos mostram que esses insetos participam da formação da safra e podem melhorar o aproveitamento da área já cultivada. Para o produtor, proteger os polinizadores significa conservar um serviço natural capaz de elevar a produtividade, diversificar a renda e fortalecer a estabilidade do sistema agrícola.
Fonte: Pensar Agro
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