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Brasil

Força-tarefa resgata 108 trabalhadores em situação análoga à escravidão em Goiás

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Entre os dias 23 e 30 de setembro de 2025, uma força-tarefa composta pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) — por meio da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Distrito Federal —, pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) e pela Polícia Federal (PF) resgatou 108 trabalhadores submetidos a condições degradantes no município de Vila Boa de Goiás, localizado na divisa com o Distrito Federal, a 364 quilômetros de Goiânia.

A operação teve como objetivo combater o trabalho em condições análogas à escravidão em frentes de corte manual de cana-de-açúcar que abasteciam uma usina de álcool da região.

De acordo com informações da equipe de auditores-fiscais do Trabalho que participou da ação, a maioria dos trabalhadores era oriunda do Maranhão e havia sido recrutada por funcionários da própria usina, responsáveis também pelo transporte em ônibus fretados até Goiás. No local, as equipes constataram diversas irregularidades que configuram graves violações aos direitos trabalhistas e humanos.

Os fiscais constataram que, nas frentes de trabalho, não havia instalações sanitárias nem locais adequados para as refeições. Os trabalhadores estavam expostos à falta de higiene, a riscos de contaminação e a ataques de animais. As refeições eram realizadas no chão, sob o sol, em meio à poeira e à fuligem da cana queimada. Além disso, a água disponibilizada para consumo não era potável. Um laudo técnico apresentado pela própria empresa apontou a presença de coliformes termotolerantes (E. coli), micro-organismos capazes de causar doenças como diarreia, gastroenterite e cólera.

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Segundo os auditores-fiscais do Trabalho, as condições dos alojamentos também eram extremamente precárias. Os trabalhadores estavam distribuídos em sete imóveis alugados pela empresa em Vila Boa, sem espaçamento adequado entre as camas, sem armários e com condições de higiene insatisfatórias. Os ambientes eram muito quentes e não havia roupas de cama. Muitos utilizavam lençóis próprios, rasgados ou desgastados, e um deles chegou a dormir ao relento para escapar do calor excessivo. Entre os riscos graves e iminentes à saúde e à segurança, a fiscalização destacou a possível contaminação por micro-organismos patogênicos, a presença de animais peçonhentos e o uso de ônibus irregulares no transporte da equipe.

Diante das irregularidades constatadas, as frentes de corte, os alojamentos e os veículos de transporte foram interditados, e as atividades imediatamente paralisadas. As vítimas foram retiradas dos locais e hospedadas em hotéis da cidade, em conformidade com a legislação trabalhista.

Os contratos de trabalho foram rescindidos, e todos os trabalhadores receberam as verbas rescisórias devidas. O empregador firmou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público do Trabalho (MPT), comprometendo-se a cumprir integralmente a legislação e a pagar indenizações por danos morais individuais e coletivos.

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Os trabalhadores resgatados também terão direito a três parcelas do seguro-desemprego especial e ao retorno ao estado de origem, com transporte custeado pela empresa.

O empregador cumpriu as determinações imediatas da fiscalização, e os procedimentos administrativos seguem em andamento. Serão lavrados autos de infração referentes às irregularidades identificadas.

Como fazer denúncias

Denúncias de trabalho em condições análogas à escravidão podem ser feitas de forma anônima pelo Sistema Ipê, disponível no endereço: https://ipe.sit.trabalho.gov.br/#!/

Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego

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Dia D intensifica vacinação contra chikungunya em território indígena de Dourados (MS)

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O Ministério da Saúde acompanhou, nesta terça-feira (5), o Dia D de vacinação contra a chikungunya em Dourados (MS), com mobilização concentrada na reserva indígena. A ação integra o conjunto de medidas do Governo do Brasil para reduzir a transmissão da doença no município, que enfrenta aumento de casos, especialmente entre a população indígena. A vacina, desenvolvida pelo Instituto Butantan, foi aprovada Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para pessoas de 18 a 59 anos com maior risco de exposição à doença.

Na reserva indígena, que conta com cerca de 22,5 mil pessoas, aproximadamente 10 mil estão na faixa etária indicada para vacinação. Para intensificar a cobertura, o Dia D concentra esforços em áreas prioritárias, como as aldeias Jaguapiru II e Bororó II, com apoio de vacimóvel para ampliar o acesso da população. 

Para apoiar a estratégia local, foram enviadas 46,5 mil doses da vacina contra a chikungunya. Do total, 43,5 mil doses foram enviadas a Dourados e 3 mil a Itaporã, conforme critérios epidemiológicos e capacidade operacional da rede de frio. 

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A campanha de vacinação teve início no dia 27 de abril e segue orientações técnicas do Ministério da Saúde, que incluem a realização de microplanejamento para priorizar áreas de maior risco e otimizar o uso das doses disponíveis. A estratégia prevê ações extramuros, com equipes atuando diretamente nos territórios, e a realização do Dia D como forma de ampliar o acesso e acelerar a cobertura vacinal.

A ação em Dourados integra a estratégia nacional de enfrentamento às arboviroses, com foco na ampliação da cobertura vacinal, fortalecimento da vigilância e qualificação da assistência. A vacinação contra a chikungunya já foi iniciada em outros municípios priorizados em diferentes estados, como Sergipe, Minas Gerais e São Paulo, conforme o cenário epidemiológico local.

A vacina contra chikungunya é um projeto do Instituto Butantan e é a primeira do mundo aprovada para prevenir a doença. O imunizante utiliza tecnologia de vírus atenuado e, por isso, não deve ser aplicado em gestantes, lactantes, pessoas imunossuprimidas ou com múltiplas comorbidades não controladas, além de indivíduos com alergia aos componentes da vacina.

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Edjalma Borges
Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

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