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Exportações de café do Brasil crescem em maio e nova safra deve impulsionar embarques no segundo semestre

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As exportações brasileiras de café registraram crescimento de 3,6% em maio de 2026 na comparação com o mesmo mês do ano passado, alcançando 3,089 milhões de sacas de 60 quilos embarcadas. O resultado sinaliza a entrada da nova safra no mercado e reforça as perspectivas de aumento dos embarques ao longo do segundo semestre, especialmente com a chegada dos cafés arábica.

Os dados constam no mais recente relatório do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). Apesar do avanço em volume, a receita cambial gerada pelas exportações caiu 16% em relação a maio de 2025, totalizando US$ 1,05 bilhão.

Segundo o presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, o desempenho observado em maio já reflete a entrada dos cafés canéfora, grupo que inclui conilon e robusta, e deve ganhar força nos próximos meses com o avanço da colheita dos arábicas.

“Esse movimento é natural para o período e tende a se intensificar ao longo do segundo semestre, acompanhando o aumento da disponibilidade da nova safra”, avalia.

Exportações acumuladas ainda refletem safra menor

Apesar da recuperação registrada em maio, o acumulado do ano ainda apresenta desempenho inferior ao observado em 2025.

Entre janeiro e maio de 2026, o Brasil exportou 14,745 milhões de sacas de café, volume 12,4% menor que o registrado no mesmo período do ano passado. A receita cambial somou US$ 5,552 bilhões, retração de 14,6% na comparação anual.

No ano-safra 2025/26, considerando o período entre julho de 2025 e maio de 2026, os embarques totalizaram 35,373 milhões de sacas, queda de 17,7%. A receita alcançou US$ 13,612 bilhões, recuo de 0,7%.

De acordo com Ferreira, a redução acumulada está relacionada principalmente ao menor volume produzido na safra anterior e ao forte ritmo exportador registrado em 2025.

Safra recorde pode elevar exportações nos próximos meses

A expectativa do setor é positiva para o restante do ano. Com condições climáticas favoráveis em grande parte das regiões produtoras, o Brasil caminha para uma colheita robusta, com elevada produtividade e boa qualidade dos grãos.

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A projeção é de que o aumento da oferta impulsione os embarques internacionais nos próximos meses, reforçando a posição do Brasil como maior exportador mundial de café.

“O clima colaborou para o desenvolvimento das lavouras e o resultado é uma safra com excelente potencial produtivo. Em condições normais de mercado, deveremos observar crescimento dos embarques ao longo do segundo semestre”, destaca o presidente do Cecafé.

Geopolítica, logística e tarifas preocupam exportadores

Apesar das perspectivas favoráveis para a produção, o setor acompanha alguns fatores de risco que podem limitar o crescimento das exportações.

Entre eles estão os impactos das tensões geopolíticas no Oriente Médio, que têm elevado os custos do transporte marítimo, além dos problemas estruturais nos portos brasileiros, que continuam provocando atrasos e aumentando os custos operacionais dos exportadores.

Outro ponto de atenção é a política comercial dos Estados Unidos. As constantes mudanças relacionadas às tarifas de importação geram insegurança entre compradores e exportadores, afetando o ritmo dos negócios.

Alemanha lidera compras do café brasileiro

A Alemanha permaneceu como principal destino do café brasileiro nos cinco primeiros meses de 2026, com a importação de 1,911 milhão de sacas, equivalente a 13% dos embarques nacionais.

Os Estados Unidos aparecem na segunda posição, com 1,771 milhão de sacas adquiridas, representando 12% do total exportado. Entretanto, o volume destinado ao mercado norte-americano apresentou forte retração de 38,4% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Completam a lista dos principais compradores:

  • Itália: 1,420 milhão de sacas (+3,2%);
  • Bélgica: 917,3 mil sacas (+13%);
  • Japão: 734,5 mil sacas (-32,6%).
Café arábica mantém liderança, mas robusta avança

O café arábica continua sendo o principal produto exportado pelo Brasil, respondendo por 75,5% dos embarques totais entre janeiro e maio.

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Foram exportadas 11,126 milhões de sacas da variedade, embora o volume represente queda de 21,3% frente ao mesmo período de 2025.

Já os cafés canéfora, que incluem conilon e robusta, registraram forte expansão. Os embarques alcançaram 1,891 milhão de sacas, crescimento expressivo de 86,5% na comparação anual.

O café solúvel respondeu por 1,707 milhão de sacas exportadas, enquanto o segmento de café torrado e moído somou pouco mais de 20 mil sacas.

Cafés especiais representam quase 18% dos embarques

Os cafés diferenciados, que incluem produtos certificados, sustentáveis e de qualidade superior, responderam por 17,6% das exportações brasileiras no período.

Foram embarcadas 2,590 milhões de sacas dessa categoria entre janeiro e maio, volume 30,1% inferior ao registrado em 2025.

A receita gerada pelos cafés especiais alcançou US$ 1,124 bilhão, equivalente a 20,2% do faturamento total das exportações brasileiras de café no período.

Entre os principais destinos desse segmento estão Alemanha, Estados Unidos, Itália, Bélgica e Holanda.

Porto de Santos concentra mais de 70% dos embarques

O Porto de Santos segue como principal corredor logístico das exportações brasileiras de café.

Entre janeiro e maio de 2026, o terminal paulista respondeu por 72,8% dos embarques nacionais, com 10,728 milhões de sacas exportadas.

Na sequência aparecem:

  • Complexo Portuário do Rio de Janeiro: 3,419 milhões de sacas (23,2%);
  • Porto de Paranaguá (PR): 166,5 mil sacas (1,1%).

A concentração das exportações em poucos corredores logísticos reforça a necessidade de investimentos em infraestrutura portuária para atender ao crescimento esperado da produção e das exportações nos próximos anos.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia

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A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.

O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.

Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.

O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.

Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.

A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.

A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.

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Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.

Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.

A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.

Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.

No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.

Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.

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A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.

O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.

A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.

O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.

Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.

Fonte: Pensar Agro

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