Paraná
Escola para jovens e adultos de Londrina bate recorde de aprovados em universidades
O Centro Estadual de Educação Básica para Jovens e Adultos (Ceebja) de Londrina tem grandes conquistas para comemorar em 2026: nove alunos da instituição conseguiram a aprovação em diversos vestibulares de universidades do Paraná, inclusive públicas, entre elas a Universidade Estadual de Londrina (UEL), a Universidade Técnica Federal do Paraná (UTFPR) e o Instituto Federal do Paraná (IFPR).
A unidade do Ceebja de Londrina já tinha um histórico de aprovações. Pelo menos desde 2021, de três a quatro estudantes da instituição de ensino ingressavam no Ensino Superior todos os anos. Em 2026, porém, esse número mais que dobrou. Outras das instituições que também aprovaram estudantes oriundos do Ceebja foram a Universidade Norte do Paraná (Unopar), a Universidade Filadélfia (UniFil) e o Instituto de Ensino Superior de Londrina (Inesul), de Londrina, e a Universidade Cesumar (UniCesumar), de Maringá.
“Essas conquistas dos nossos alunos vêm para comprovar que o ensino dos Ceebjas é de qualidade e atende à demanda desses estudantes por ingresso no Ensino Superior”, avalia o secretário de Estado da Educação, Roni Miranda. “Também representam uma nova oportunidade profissional para essas pessoas, além de desenvolvimento pessoal e social”.
ENSINO INCLUSIVO – O Paraná conta com 54 Ceebjas para o ensino de jovens e adultos que não concluíram seus estudos em idade regular – outros nove são voltados para atendimento exclusivo de pessoas em privação de liberdade. A grade curricular é oferecida em blocos semestrais de componentes curriculares: quatro para os Anos Finais do Ensino Fundamental e três para o Ensino Médio.
Rosangela Lopes Ferreira Menoncin atua como diretora do Ceebja de Londrina desde 2017. Ela lembra como a maioria dos seus alunos enfrentam desafios diários em relação aos estudos. Muitos são pais, mães, chefes de família, que deixaram de estudar quando adolescentes por vários motivos e que agora desejam recuperar o tempo perdido enquanto ainda enfrentam obstáculos pessoais e profissionais.
“A aprovação desses alunos representa uma grande vitória para o Ensino de Jovens e Adultos. Para nós, direção e professores, é gratificante ver nossos alunos cursando uma universidade”, comemora Rosangela.
Ela conta que o Ceebja de Londrina desenvolve ações específicas voltadas à preparação dos alunos para o vestibular. Duas vezes ao ano, a instituição aplica simulados para que os estudantes se familiarizem com o tipo de questões cobradas em vestibulares. Além disso, explica Rosângela, a instituição conta com um corpo de professores engajados, atuantes no espaço escolar e sempre disponíveis para colaborar com os alunos. As aprovações vêm para corroborar todo o trabalho desenvolvido pela escola.
“É a comprovação de que estamos no caminho certo, de uma educação inclusiva, que dá oportunidade de crescimento e de conhecimento para todos os nossos alunos”, avalia a diretora.
NOVA OPORTUNIDADE – Entre os alunos do Ceebja de Londrina que conquistaram uma vaga no Ensino Superior está Hosana das Neves Correia. Aos 48 anos, ela foi aprovada no Curso de Licenciatura em Ciências Biológicas do Instituto Federal do Paraná, em Londrina. “Biologia me faz pensar na origem da vida, o que me fascina muito”, diz Hosana. “E como eu ajudava meus colegas de sala, no período em que estudei no Ceebja, eu me senti estimulada a lecionar”, diz.
O ingresso dela se deu pelo Sistema de Seleção Unificada, o Sisu, que utiliza a pontuação obtida no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) como critério classificatório.
A história de Hosana com o Ceebja começou ainda em 1997. Depois de ter reprovado em duas ocasiões no ensino regular, ela optou por continuar os estudos no ensino de jovens e adultos. Porém, já no último semestre para concluir os estudos, Hosana engravidou da primeira filha e teve que abandonar a escola. Ela só retomaria os estudos em 2024, aos 46 anos.
“Depois de divorciada e com minhas filhas criadas, criei coragem e voltei ao Ceebja”, conta. Decidida a continuar de onde havia parado, Hosana resolveu encarar um desafio adicional: ingressar no Ensino Superior.
Inicialmente, ela pensava em um curso à distância, mas foi incentivada por uma professora a tentar uma universidade pública. “Ela disse que eu era capaz e inteligente, o que foi fundamental para a minha decisão, pois aumentou minha autoestima e me deu coragem para tentar”, lembra.
Contando com o apoio da equipe escolar, e de toda sua família, principalmente das filhas, sem cujo apoio ela diz que não teria ido tão longe, Hosana ainda alimentava dúvidas quanto à sua aprovação, quando enfim pôde consultar o resultado do processo seletivo.
“Quando eu vi meu nome entre os aprovados a sensação foi indescritível”, comemora Hosana. “Depois do nascimento das minhas filhas, ingressar no Ensino Superior foi meu melhor momento”.
SUPERAÇÃO – Outra história é de Fabiane Lacerda da Cunha. “Segui meus estudos normalmente desde a infância até a adolescência, porém o vestibular foi o meu maior desafio”, relembra. “Então, para não o encarar, eu desisti e deixei para trás meu maior sonho: ser professora”. Ela chegou a abandonar os estudos, ainda no início do último ano do Ensino Médio. “No lugar do sonho, ficou a vergonha por conta da frustração de me sentir incapaz”, confidencia.
Pouco mais de duas décadas depois, porém, aquele desafio foi superado, com o nome de Fabiane constando entre os aprovados no curso de Filosofia da UEL.
Entre um fato e outro, Fabiane se casou e teve filhos. Houve uma tentativa de conseguir o certificado de conclusão do Ensino Médio em 2023, quando ela se inscreveu para o Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja), avaliação direcionada a jovens e adultos que não tiveram a oportunidade de concluir os estudos em idade própria. Por muito pouco, porém, ela não conseguiu a certificação, o que fez com que o antigo sentimento de frustração voltasse.
Mais tarde naquele ano Fabiane entenderia melhor esse sentimento e os motivos que a levaram a abandonar os estudos: ela recebeu o diagnóstico de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), condição caracterizada por sintomas de desatenção e impulsividade, além de baixa tolerância à frustração. “Para mim, foi um grande alívio, porque vi minha vida toda sendo explicada”, desabafa.
Já em 2025, incentivada pela esposa Myllenna, ela resolveu se matricular no Ceebja de Londrina para finalmente concluir os estudos. Foi a companheira, também, que insistiu para que ela prestasse o vestibular para Filosofia – uma paixão da maturidade que ajudou a reacender o interesse pelo Ensino Superior.
Assim, por dois meses, conciliando os dias de aula no Ceebja, os estudos na biblioteca municipal – “grande aliada”, nas palavras dela – e o tempo com a família, Fabiane se preparou para o vestibular da UEL, cujo resultado foi publicado em dezembro do ano passado.
“Senti pela primeira vez o que muitos jovens sentem, a emoção de ver o nome na lista de aprovados. É um sentimento único e surreal”, comemora. “E por isso tenho toda gratidão pelo ensino público, pelo Ceebja, que não recebe o reconhecimento que merece, e pelos professores, que atendem com dedicação cada um dos alunos”.
Fonte: Governo PR
Paraná
Ministério Público do Paraná participa de audiência pública promovida pelo Supremo Tribunal Federal em Brasília para debater aspectos da Lei Antifacção
O Ministério Público do Paraná participou nesta semana, em Brasília (DF), de audiência pública promovida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para discutir aspectos da Lei 15.358/2026, a chamada “Lei Antifacção”. Nos dias 24 e 25 de agosto, 17 expositores, entre autoridades, especialistas, integrantes do sistema de Justiça e representantes da sociedade civil, participaram dos debates com contribuições que serão consideradas pelo STF no julgamento de Ações Diretas de Inconstitucionalidade que questionam a Lei. O MPPR esteve representado no primeiro dia de exposições pelo Procurador de Justiça Rodrigo Régnier Chemim Guimarães, coordenador-geral do Centro de Apoio Operacional das Promotorias Criminais, do Júri e de Execuções Penais e coordenador da Coordenadoria de Recursos Criminais do MPPR.
Convocada pelo ministro Alexandre de Moraes, a audiência pública busca ouvir diferentes posições sobre os efeitos da legislação no combate ao crime organizado e na preservação de direitos e garantias constitucionais.
Constitucionalidade – Em sua fala, Chemim defendeu a constitucionalidade de dois dispositivos questionados nas ações: a causa de aumento de pena de 2/3 ao dobro para as lideranças de facções criminosas e a vedação do livramento condicional nesses casos.
Um dos principais argumentos apresentados foi o de que as novas regras não produzem a chamada “perpetuidade branca”, apontada nas ações como possível consequência da legislação. Segundo o Procurador de Justiça, a progressão de regime para líderes de facções permanece possível, sendo aplicável o percentual de 75% da pena, e não de 85%, como sustentado nas ações. Além disso, o cálculo do tempo necessário à progressão deve considerar as hipóteses de remição da pena por trabalho, estudo e leitura, que são cumuláveis e, em premissas conservadoras apresentadas na audiência, podem alcançar 214 dias de remição por ano.
Chemim demonstrou que, mesmo em cenários de penas elevadas, a conjugação entre progressão e remição permite que o condenado alcance o requisito temporal dentro do limite máximo de 40 anos de cumprimento da pena estabelecido pelo Código Penal. Em um dos exemplos apresentados, para uma pena de 60 anos, os 75% exigidos para a progressão correspondem a 45 anos de pena cumprida, marco que, consideradas as possibilidades de remição, poderia ser alcançado com aproximadamente 28 anos e 4 meses de efetiva custódia. “Não há impossibilidade matemática. Não há ‘perpetuidade branca’. O que há é um cálculo equivocado feito sem as variáveis que a própria lei preservou”, afirmou.
Em relação à vedação do livramento condicional, o Procurador de Justiça sustentou que o instituto não constitui garantia constitucional e que sua restrição já é prevista pelo ordenamento jurídico em outras hipóteses. Ressaltou ainda que a função ressocializadora da pena permanece preservada, uma vez que a progressão de regime não foi eliminada. Assim, diferentemente de um regime integralmente fechado, o condenado mantém mecanismos concretos para avançar no cumprimento da pena.
Ao comentar dados constantes de pesquisa Datafolha realizada a pedido do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Chemim lembrou que, para 42,2 milhões de brasileiros, as organizações criminosas chegam a impor regras de convivência, afetando a rotina diária de expressiva parcela da população. “Trata-se da liberdade de ir e vir cotidianamente suprimida por particulares armados, que ocupam espaços nos quais a proteção estatal se mostra insuficiente. Essa realidade exige respostas normativas mais rigorosas e eficazes, especialmente em relação às lideranças das facções criminosas”.
Destacando a importância da preservação dos direitos das vítimas, o Procurador de Justiça completou: “Se há um ‘direito à esperança’ a ser preservado, ele também deve ser reconhecido às vítimas cotidianas dessas organizações: a esperança de viverem livres do medo, da coerção e do domínio territorial exercido pelo crime”.
As contribuições apresentadas ao longo dos dois dias serão consideradas no julgamento das Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs 7952, 7956, 7957 e 7958) que questionam a Lei 15.358/2026, que instituiu o Marco Legal do Combate ao Crime Organizado. Relatadas pelo ministro Alexandre de Moraes, as ações discutem, entre outros pontos, regras sobre prisão, execução penal, comunicação entre advogados e presos e perda de bens.
Assessoria de Comunicação
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(41) 3250-4264
Fonte: Ministério Público PR
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