Brasil
Em ação inédita, São João de Campina Grande (PB) ensina a prevenir e a combater racismo contra turistas
Numa ação inédita, trabalhadores do São João de Campina Grande (PB) receberam treinamento para prevenir e combater o racismo e para promover a igualdade racial. A iniciativa teve como uma das inspirações um boletim do Ministério do Turismo dedicado ao afroturismo. Nele, são destacados a história do afroturismo, a relação com os patrimônios culturais brasileiros, o perfil da demanda, a oferta nas regiões brasileiras e o programa Rotas Negras.
Seguranças, controladores de acesso, promotores, entre outros trabalhadores, participaram de uma oficina de letramento racial, na qual foram abordados temas como a diversidade da festa, o racismo estrutural e formas de enfrentar situações de preconceito e discriminação. Cartazes de alerta sobre o crime de racismo foram espalhados pelo Parque do Povo (local da festa) para conscientizar tanto os trabalhadores quanto o público.
Para o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, a medida é um exemplo de responsabilidade social e ajuda a promover um ambiente cada vez mais inclusivo, respeitoso e acolhedor. “O São João de Campina Grande tem essa característica social, e o combate ao racismo é fundamental, assim como a outras formas de preconceito e discriminação. No maior São João do Mundo, queremos a felicidade das pessoas”, afirmou.
Afroturismo em crescimento
De acordo com o 13º Boletim de Inteligência do Ministério do Turismo, 41% dos negócios dedicados ao afroturismo no Brasil foram criados nos últimos três anos. O segmento é impulsionado principalmente por mulheres: 66,4% dos empreendimentos são liderados por mulheres negras. E há alto nível de qualificação, com mais de 40% dos empreendedores tendo ensino superior e 36% sendo pós-graduados.
A demanda também acompanha o crescimento. O boletim aponta que 82% das pessoas negras preferem consumir serviços turísticos geridos por empreendedores negros, enquanto 91% participariam de experiências ligadas à cultura afro-brasileira. O interesse global também avança: buscas por experiências afrocentradas cresceram 30% entre 2024 e 2025.
“O boletim traz informações qualificadas para orientação do mercado, da iniciativa privada e dos gestores públicos. Ficamos felizes em saber que a organização do São João de Campina se inspirou no material. Estamos reforçando o afroturismo como instrumento de inclusão produtiva, geração de renda e promoção da igualdade racial. É um vetor estratégico para o desenvolvimento do turismo”, afirmou o ministro Gustavo Feliciano.
Formação para acolher e prevenir
A oficina de letramento racial foi feita pela jornalista, professora e pesquisadora de relações étnico-raciais Carla Borba. Durante o encontro, promovido pela Arte Produções, empresa que organiza o São João de Campina Grande, os participantes tiveram acesso a reflexões sobre diferentes formas de preconceito e discriminação, além da análise de estudos de caso que contribuíram para a compreensão de situações vivenciadas no cotidiano e para a construção de ambientes mais seguros e acolhedores.
Além de informar e preparar as equipes para lidar com possíveis ocorrências relacionadas ao racismo e outras formas de violação de direitos, a atividade proporcionou um espaço de diálogo, escuta e troca de experiências, estimulando a reflexão coletiva sobre atitudes que podem contribuir para uma convivência mais respeitosa dentro e fora da festa.
Para Carla Borba, iniciativas como a realizada em Campina Grande ganham força quando são apoiadas por dados e diagnósticos sobre a realidade do setor. “A iniciativa reforça o compromisso da organização com a promoção da igualdade, o respeito à diversidade e a valorização dos direitos humanos. Esse estudo do Ministério do Turismo é muito importante porque dimensiona esse segmento”, declarou a pesquisadora.
Assessoria de Comunicação do Ministério do Turismo
Fonte: Ministério do Turismo
Brasil
MCTI dobra número de escolas no Programa Mais Ciência na Escola em Santa Catarina
O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) lançou mais uma etapa do programa Mais Ciência na Escola, dessa vez em Santa Catarina. Nesta quarta-feira (17), a ministra Luciana Santos anunciou a inclusão de mais 15 escolas públicas, totalizando 30 unidades atendidas, em evento no Bairro da Juventude, em Criciúma (SC).
Para a ministra, o lançamento no estado faz parte de uma estratégia mais ampla do MCTI de reconstruir a capacidade do Brasil de investir em conhecimento. “Nós estamos falando de uma política que nasce de uma convicção muito profunda: a ciência precisa começar cedo. Ela não pode ser vista como algo distante, reservada apenas aos grandes laboratórios ou aos centros de pesquisa. A ciência precisa entrar na escola pública como parte da formação dos nossos meninos e meninas, como instrumento de curiosidade, pensamento crítico, criatividade e cidadania”, disse.
Na primeira fase do programa no estado, iniciada em 2025, foram atendidas 15 escolas, com um investimento de R$ 1,5 milhão. Agora, os números dobram, passando para 30 colégios participantes e R$ 3 milhões aplicados na região pelo MCTI, com execução do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Com a inclusão das novas unidades, agora serão 300 bolsas para estudantes e 300 bolsas para professores, ambos da educação básica. Além disso, o investimento também proporciona a instalação de equipamentos como impressoras 3D, cortadoras a laser, notebooks, telescópios e ferramentas voltadas ao desenvolvimento de projetos de experimentação científica e tecnológica.
Segundo Luciana Santos, o programa faz parte da decisão de abrir caminhos para que as escolas públicas também sejam locais de criação, experimentação e construção de futuro. “Quando um país leva ciência para dentro da escola, ele está dizendo à sua juventude que o conhecimento também lhe pertence, que a tecnologia não precisa ser apenas consumida, mas pode ser compreendida, criada e colocada a serviço da sociedade”, concluiu a ministra.
A secretária de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento Social do MCTI, Germana Pires, relata que o Mais Ciência na Escola é um programa que funciona na ponta, nas escolas. “Vemos desenvolvimento de pesquisas cientificas, crianças criando robôs, tecnologias, pesquisas inovadoras. Esse programa tem dado muitos resultados concretos. Quando falamos de futuro, esses meninos já estão pesquisando e inovando neste momento, enquanto crianças. No futuro, podemos imagina-los em outro patamar”.
Para a reitora em exercício do IFSC, Ana Paula Kuczmynda, o anúncio reforça os resultados positivos já atingidos pelo programa. “Nenhuma mudança social é feita sem parcerias, e esse programa mostra que, quando trabalhamos juntos, as coisas dão certo. Estamos muito animados com esse novo passo e trabalhamos para que dê cada vez mais certo”, analisou.
As escolas atendidas pela iniciativa são distribuídas em mais de 25 municípios, como Florianópolis, São José, Palhoça, Blumenau, Pomerode, Criciúma, Caçador, Concórdia, Palmitos, Chapecó e São Carlos. A iniciativa é executada pela Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) e o Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC).
Mais Ciência na Escola
Lançado em 2024, o programa tem o objetivo de promover o letramento digital e a educação científica com a implementação de laboratórios Mão na Massa, espaços montados dentro das escolas públicas em que os estudantes podem colocar em prática ideias e criações inovadoras, transformando teoria em prática. A iniciativa ainda oferece planos de atividades, formação de professores e bolsas para educadores e alunos.
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