Agro
ECONOMIA: Sul se destaca e cresce mais que média do país
Indicadores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Banco Central e do Ministério da Economia mostram que a atividade da região Sul do país tem se saído melhor que a média brasileira neste ano. O fenômeno pode ser explicado, ao menos em parte, por uma combinação de fatores conjunturais, como um aumento significativo na produção industrial da região e nas exportações de carnes, celulose e papel e fumo, e também estruturais. O mercado de trabalho da região tem, tradicionalmente, uma parcela maior de trabalhadores formalizados e taxas de desemprego mais baixas, o que forma um colchão mais firme para o consumo.
Índice – De acordo com o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), no acumulado em 12 meses até abril – dado mais recente – a atividade da região cresceu 2,5%, contra média de 0,72% do país. Nas demais regiões, o crescimento variou entre 0,5% e 1,1% no período. Na região, depois de oscilar entre crescimento de 1,7% e 2% entre setembro do ano passado e janeiro deste ano, o indicador tem se mantido em torno dos 2,5%. Já atividade nacional, segundo o indicador do BC, desacelera em 12 meses desde agosto do ano passado.
IBGE – Números do IBGE também mostram o Sul descolado da média. De acordo com dados agregados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul pela economista Camila Saito, da Tendências Consultoria, no acumulado de janeiro a abril de 2019, a produção da indústria da região cresceu 5,3% ante o mesmo período de 2018, desempenho bem melhor que a média nacional (-2,7%).
Setores pró-cíclicos – “A produção do Sul tem se destacado em 2019”, afirma, chamando atenção para o desempenho de setores pró-cíclicos, como metalurgia (4% no Sul ante -0,8% da média do Brasil), produtos de metal (12,2% no Sul; contra 5,3%); máquinas e equipamentos (14,5%, ante 1,6%); máquinas, aparelhos e materiais elétricos (8,8%, ante -1,0%). Em 12 meses até abril, a indústria gaúcha cresce 6,6%, seguida pela paranaense (3,1%) e catarinense (2,8%), aponta o IBGE. A do país recuou 1,1%.
Renda – A economista também chama atenção para a massa de renda do trabalho no primeiro trimestre de 2019, que cresceu 5,4% em termos reais sobre o mesmo período do ano passado, ante 3,3% na média nacional. “Nas vendas do comércio, o Sul também mostra desempenho melhor, com alta de 3,5% no acumulado até abril, enquanto a média nacional foi de 2,5%”, comenta.
Exportações – Camila diz que uma explicação possa estar no desempenho das exportações. De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), ligada ao Ministério da Economia, a venda externa de produtos importantes para a economia regional teve aumento expressivo até maio, comparados ao mesmo período do ano passado. “A região Sul é mais exposta ao mercado externo e tem se beneficiado do câmbio mais desvalorizado”, diz a economista.
Frango – No caso catarinense, as exportações em dólares de carne de frango, que representam 25% das vendas externas do Estado, dispararam 63% de janeiro a maio sobre o mesmo período do ano passado. Os embarques de carne suína (responsáveis por 8% das exportações do Estado) cresceram 34%.
Aumento – No Paraná, as exportações de carne de frango aumentaram 12% no período, compensando parte das perdas de 29% com as vendas de soja, seu principal produto. As exportações de milho paranaenses cresceram 53%. No Rio Grande do Sul, as exportações de fumo – importante setor para o Estado – cresceram 39%, e as de celulose, 82%.
Valor – O secretário de Planejamento do Paraná, Aldemar Bernardo Jorge, destaca a exportação de frango. “Ultrapassou US$ 1 bilhão de janeiro a maio”, afirma. Embora a produção agropecuária deste ano seja menor que em anos anteriores, ainda contribui para movimentar a cadeia industrial. “A produção de bens de capital para a agroindústria cresceu 22% até abril”, diz.
Veículos – Houve também aumento da produção de veículos no Estado, que Jorge credita à renovação de frotas. “As empresas ficaram três anos paradas, sem substituir veículos”, pondera, dizendo que a substituição reflete uma postura racional das empresas. “A partir de certo momento o custo de manutenção não compensa mais.” O secretário afirma que dos quase 38 mil empregos formais criados no Estado neste ano, oito mil foram na indústria de transformação, que cresceu 6,2% no ano até abril e 3,1% em 12 meses.
Produção agrícola – Edson Luiz Campagnolo, presidente da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) diz que a produção agrícola tem puxado a produção de alguns segmentos industriais. “A exportação de aves está crescendo e há uma previsão de safra recorde de milho. Isso gera necessidade de novos equipamentos, colheitadeiras, tratores, implementos agrícolas”, diz. Ele pondera, contudo, que se alguns segmentos vão bem outros, como o de madeira, não mostram reação. “Um acaba compensando o outro.” Na média, diz, a ociosidade ainda segue alta no Estado.
Baixo – No Rio Grande do Sul, o presidente da federação da indústria local (Fiergs), Cézar Müller, pondera que a indústria local tem tido um crescimento baixo, de 3% ao ano nos últimos anos, em média, mas alguns segmentos estão de fato acima da média, como o de veículos (27% no ano até abril), produtos de metal (14%), este puxado por silos de armazenagem, máquinas e equipamentos (9%) puxada por estruturas metálicas para energia eólica e solar e tabaco para exportação.
Fatores conjunturais – Parte do bom desempenho, afirma Müller, se deve a fatores conjunturais. “A fabricação de reboques e semirreboques tem a ver com a greve do ano passado”, diz. “É preciso olhar com cuidado, pois há uma sazonalidade nos números quando se olha uma série mais curta”, pondera.
Vendas externas- No lado das exportações, o presidente da Fiergs destaca o aumento das vendas de tabaco e celulose e papel, esta última beneficiada também pela base fraca de comparação por conta da paralisação de uma unidade fabril no Estado no ano passado.
Empregos formais – Com alguns segmentos rodando bem, a geração de empregos formais também tem ficado acima da média nacional. O estoque de emprego em Santa Catarina (2,49%), Paraná (1,45%) e Rio Grande do Sul (1,43%) cresceu acima da média nacional, de 0,82% de janeiro a abril deste ano. Na média, o estoque do Sul aumentou 1,75%. Para efeito de comparação, no Sudeste, houve aumento de 0,94%. Santa Catarina vive especialmente um bom momento no emprego formal, com um saldo de quase 50 mil empregos formais no ano, contra cerca de 37 mil em cada um de seus pares regionais.
Arrecadação de tributos – Os dados da arrecadação de tributos federais também estão caminhando acima da média, com aumento de 11,4% em termos correntes de janeiro a abril sobre o mesmo período do ano passado, ante alta de 5,5% no país, segundo dados da Receita Federal.
Reformas – Jorge, Campagnolo e Müller são unânimes em dizer que apesar dos bons números no início do ano, o setor produtivo da região ainda está em um compasso de esperar para ver o que vai acontecer com as reformas. A aprovação da Previdência está embutida no cenário básico de todos e há grande expectativa quanto à reforma tributária, considerada uma das medidas mais importantes para destravar a produção e o consumo no país.
Agro
Um terço dos produtores rurais brasileiros já utiliza IA; veja como aplicar na sua propriedade
A inteligência artificial já está presente em 32% das empresas, cooperativas e propriedades rurais consultadas em levantamento com profissionais do agronegócio. A tecnologia começa a sair dos escritórios e chegar às decisões de plantio, irrigação, aplicação de insumos, controle de pragas, manutenção de máquinas, pecuária e comercialização.
O percentual não permite concluir que o Brasil esteja atrasado. A pesquisa ouviu 197 profissionais e não possui abrangência suficiente para representar todo o setor. Além disso, ainda não existe uma estatística internacional padronizada que permita comparar diretamente o uso de inteligência artificial nas propriedades de diferentes países.
O conceito também varia entre os levantamentos. Algumas pesquisas consideram apenas sistemas que aprendem com dados e produzem previsões. Outras incluem agricultura de precisão, sensores, drones, imagens de satélite, pilotos automáticos e plataformas digitais, mesmo quando essas ferramentas não utilizam inteligência artificial em todas as suas funções.
Uma pesquisa internacional realizada com cerca de 4,4 mil produtores de nove países ajuda a dimensionar a digitalização do campo. Nos Estados Unidos, 61% dos entrevistados utilizavam soluções de agronomia digital, 51% adotavam equipamentos de agricultura de precisão e 38% empregavam sensoriamento remoto. Na América Latina, 49% usavam ferramentas digitais para acompanhar a produtividade.
O mesmo levantamento apontou que 75% dos produtores latino-americanos consultados utilizavam controladores de seção em pulverizadores, ante 78% na América do Norte e 49% na União Europeia. Esses equipamentos evitam sobreposição durante a aplicação, mas não devem ser classificados automaticamente como inteligência artificial.
Diante dessas diferenças, os 32% registrados no levantamento brasileiro indicam uma adoção relevante, embora ainda concentrada. Outros 56% dos participantes afirmaram não utilizar IA e 12% não souberam responder. Parte desses últimos pode empregar sistemas com inteligência artificial embarcada sem identificar a tecnologia pelo nome.
Na prática, a IA funciona a partir da coleta e da comparação de informações. Sensores, máquinas, estações meteorológicas, câmeras, drones, satélites e sistemas de gestão geram dados sobre solo, clima, plantas, animais, equipamentos, custos e produtividade. Os programas procuram padrões nesse conjunto e transformam as informações em alertas, previsões ou recomendações.
Uma câmera instalada numa máquina, por exemplo, pode registrar milhares de imagens enquanto percorre a lavoura. O sistema compara as plantas fotografadas com exemplos usados em seu treinamento, diferencia a cultura das invasoras e indica onde o herbicida deve ser aplicado. Em equipamentos compatíveis, o acionamento pode ocorrer automaticamente e apenas no ponto necessário.
Na irrigação, imagens térmicas e sensores permitem acompanhar a temperatura das folhas, a umidade do solo e as condições atmosféricas. Plantas submetidas à falta de água apresentam mudanças que podem ser reconhecidas pelo sistema antes que o estresse seja facilmente percebido a olho nu. A informação ajuda a definir quais áreas precisam ser irrigadas e em que quantidade.
A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) participa do desenvolvimento de uma tecnologia que analisa a temperatura das folhas para identificar a necessidade de água. A aplicação busca evitar tanto a deficiência hídrica quanto o desperdício provocado pela irrigação uniforme de talhões com condições diferentes.
No manejo de pragas, câmeras e armadilhas eletrônicas podem reconhecer insetos, contar ocorrências e transmitir alertas. Um sistema desenvolvido para o bicudo-do-algodoeiro identifica os exemplares capturados e envia os dados para um aplicativo. Dessa forma, o acompanhamento deixa de depender apenas da visita manual a cada armadilha.
A análise de imagens de satélite ou drones também permite localizar falhas de plantio, manchas com desenvolvimento irregular, erosão, deficiência nutricional e possíveis focos de doenças. O produtor recebe um mapa das áreas que precisam ser vistoriadas, reduzindo o tempo gasto para encontrar problemas em grandes extensões.
Na aplicação de sementes e fertilizantes, a inteligência artificial pode cruzar mapas de solo, relevo, produtividade e histórico de manejo. A partir desses dados, divide a propriedade em zonas e ajuda a calcular taxas diferentes dentro do mesmo talhão. O objetivo é evitar desperdício nas áreas de menor resposta e aproveitar melhor o potencial das mais produtivas.
Durante a safra, modelos computacionais podem combinar área cultivada, desenvolvimento das plantas, clima e histórico de produtividade para estimar o volume que deverá ser colhido. A previsão melhora o planejamento de máquinas, trabalhadores, fretes, armazéns e contratos de venda.
A tecnologia também pode acompanhar tratores, colheitadeiras e pulverizadores. Informações sobre consumo de combustível, temperatura, pressão, vibração e desempenho dos componentes ajudam a identificar alterações que costumam anteceder uma falha. A manutenção pode ser programada antes que a máquina pare durante uma janela curta de operação.
Na pecuária, câmeras e sensores acompanham peso, deslocamento, alimentação e comportamento dos animais. Mudanças de padrão podem sinalizar problemas sanitários, reprodutivos ou nutricionais. Sistemas de visão computacional também são testados para estimar o desenvolvimento dos bovinos e auxiliar na definição do momento de abate.
A IA pode ser utilizada mesmo sem máquinas sofisticadas. Plataformas de gestão conseguem organizar notas fiscais, custos, estoques, aplicações, contratos e resultados por talhão. Ao reunir essas informações, o sistema pode apontar quais áreas apresentam maior custo, onde a produtividade está abaixo do histórico e quais despesas aumentaram entre uma safra e outra.
Ferramentas de inteligência artificial generativa também podem ajudar a resumir contratos, comparar orçamentos, elaborar relatórios e organizar informações administrativas. Elas não devem, contudo, ser utilizadas isoladamente para definir dosagens, diagnosticar doenças ou recomendar defensivos. Esses sistemas podem produzir respostas erradas com aparência convincente.
A confiabilidade depende da qualidade dos dados. Sensores descalibrados, mapas incompletos e registros financeiros incorretos levam a análises igualmente ruins. A recomendação precisa ser conferida no campo e validada pelo produtor ou por profissional habilitado antes de se transformar em uma decisão agronômica.
O custo permanece entre as principais barreiras, mas adotar IA não exige necessariamente comprar drones, servidores ou robôs. Cooperativas, consultorias e empresas de assistência técnica podem fornecer imagens, mapas e análises como serviço. Em outros casos, a inteligência já está incorporada a máquinas, aplicativos e plataformas utilizados na propriedade.
O melhor ponto de partida é escolher um problema mensurável. O produtor pode testar a tecnologia para reduzir consumo de água, localizar plantas daninhas, prever manutenção, controlar combustível ou organizar custos. A comparação entre uma área assistida e o manejo anterior permite verificar se a economia ou o ganho de produtividade paga o investimento.
A inteligência artificial não substitui a experiência do produtor nem a responsabilidade técnica. Sua vantagem é processar rapidamente milhares de informações e apontar situações que merecem atenção. Quando resolve um problema concreto e entrega retorno comprovável, deixa de ser uma promessa distante e passa a funcionar como mais uma ferramenta de gestão da propriedade.
SERVIÇO
O produtor não precisa comprar um drone, trocar o maquinário nem contratar um sistema caro para começar. O primeiro passo é escolher um problema específico da propriedade, como consumo elevado de combustível, desperdício de água, falhas na aplicação, dificuldade para localizar pragas ou falta de controle dos custos.
Verifique o que já está disponível
Tratores, colheitadeiras, pulverizadores, ordenhadeiras e sistemas de irrigação mais recentes podem gerar dados e oferecer recursos de automação ou inteligência artificial que não estão sendo utilizados. O produtor deve consultar o fabricante, a concessionária ou a assistência técnica para saber quais funções estão incluídas no equipamento.
Organize os dados da propriedade
A inteligência artificial depende de informações confiáveis. Mapas de produtividade, análises de solo, registros de aplicação, consumo de combustível, chuvas, custos, manutenção, mortalidade e desempenho dos animais podem alimentar os sistemas. Quanto melhor o histórico, mais úteis tendem a ser as análises.
Procure assistência técnica
Cooperativas, sindicatos rurais, empresas estaduais de extensão, unidades do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), consultores e profissionais das ciências agrárias podem ajudar a identificar aplicações adequadas. Muitas soluções são oferecidas como serviço, sem a necessidade de o produtor comprar sensores, drones ou programas.
Comece por uma área pequena
A recomendação é testar a ferramenta em um talhão, pivô, lote de animais ou conjunto de máquinas. O resultado deve ser comparado com o manejo anterior, considerando economia de insumos, ganho de produtividade, redução de perdas, horas de trabalho e custo da tecnologia.
Calcule o retorno
Antes de contratar, o produtor deve somar mensalidades, instalação, equipamentos, treinamento, manutenção e conectividade. A economia ou receita adicional precisa superar esses gastos em prazo compatível com a propriedade. Promessas de resultado sem demonstração em condições semelhantes merecem cautela.
Confira o contrato e a proteção dos dados
É importante saber quem poderá acessar as informações da propriedade, onde elas serão armazenadas e se poderão ser compartilhadas com terceiros. O contrato também deve informar como o produtor recupera seus dados caso decida trocar de fornecedor.
Valide as recomendações
Alertas produzidos por inteligência artificial devem ser conferidos no campo. Diagnósticos de doenças, doses de produtos, aplicações de defensivos e decisões sanitárias precisam respeitar a legislação, as bulas e a orientação de profissionais habilitados.
Onde aprender
O Senar Play oferece gratuitamente a trilha “Inteligência Artificial aplicada ao agro”, além do curso “Inteligência Artificial no Campo”, com 20 horas, aulas on-line e início imediato. A plataforma também mantém cursos de agropecuária digital, agricultura de precisão, sensores e mapeamento.
A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) disponibiliza capacitações pela plataforma E-Campo e conteúdos de assistência técnica no Ater+ Digital. Cooperativas, sindicatos e administrações regionais do Senar também podem informar sobre treinamentos presenciais e assistência disponível em cada Estado.
Ferramentas de IA generativa podem ser usadas para organizar planilhas, comparar orçamentos, resumir documentos e preparar relatórios. Informações financeiras, contratos, documentos pessoais e dados estratégicos da propriedade, entretanto, não devem ser inseridos em plataformas públicas sem a verificação das regras de privacidade.
Fonte: Pensar Agro
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