Economia
E-commerce.BR: projeto premiado aposta em inteligência artificial para acelerar vendas de pequenos negócios na Bahia
Pequenas e médias empresas da Bahia que buscam ampliar suas vendas on-line agora contam com uma nova aliada tecnológica. Com apoio da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o projeto Venda Certa – Quipu utiliza inteligência artificial para transformar dados em estratégias de vendas digitais mais eficientes, conectando pequenas empresas a oportunidades de mercado e ampliando sua presença no comércio eletrônico.
A iniciativa foi uma das nove selecionadas pelo edital E-commerce.BR, criado para fortalecer o comércio eletrônico nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
Desenvolvido pela Fecomércio BA, por meio da Câmara de Inovação & Tecnologia (CIT), em parceria com Sebrae, Cubos Tecnologia e Hub Elas Projetam, o projeto Venda Certa – Quipu atende atualmente 60 empresas baianas e recebeu aporte de R$ 380 mil do edital para a execução da etapa piloto.
Desde segunda-feira (9), equipes da ABDI e do MDIC estão em Salvador para acompanhar de perto o andamento da iniciativa. Durante a agenda, representantes das áreas de inovação das duas instituições realizaram visita técnica à sede da Fecomércio BA para conhecer os resultados iniciais do projeto e identificar oportunidades de aprimoramento das políticas públicas voltadas à digitalização das empresas brasileiras.
O analista de Produtividade e Inovação da ABDI, Antonio Tafuri, destacou que o projeto foi selecionado no edital por seu potencial de ampliar o uso de tecnologias digitais e inteligência de dados entre pequenos negócios.
“Projetos como o Venda Certa – Quipu mostram, na prática, como a tecnologia pode ajudar os pequenos negócios a estruturarem melhor suas estratégias de vendas digitais, utilizando dados para identificar oportunidades e melhorar seu desempenho comercial”, afirmou.
Já Fabiany Vellasco, coordenadora-geral do Departamento de Comércio e Serviços do MDIC, ressaltou que os dados do comércio eletrônico no país evidenciam os desafios para ampliar a participação de empresas de diferentes regiões no mercado digital.
“Os dados mostram uma forte concentração regional. Norte, Nordeste e Centro-Oeste representam juntos cerca de 10% desse mercado. O programa E-commerce.BR foi criado justamente para estimular o fluxo de comércio digital nessas regiões. A Bahia, por exemplo, ocupa hoje a 11ª posição entre os estados emissores de comércio eletrônico, e apenas 25% das vendas são destinadas a outros estados”, reforçou.
Impacto nas empresas locais
Durante as visitas técnicas, empresas participantes compartilharam experiências com a implementação das soluções de inteligência artificial no âmbito do projeto. Os relatos apontam ganhos de produtividade, melhoria na gestão de processos comerciais e maior capacidade de acompanhamento das interações com clientes.
Para o CEO da Iron bag, Leonardo Barros, a aplicação da IA já tem gerado impactos relevantes na operação da empresa. Segundo ele, a tecnologia tem contribuído para otimizar diferentes etapas do negócio, desde processos administrativos até a área comercial.
“A IA tem ajudado bastante na otimização de processos e na melhoria das rotinas administrativas”, afirma. Barros destaca ainda o uso da plataforma Quipu como apoio estratégico para a equipe de vendas. “É como se fosse um supervisor digital. O sistema espelha o processo de venda e sugere caminhos mais assertivos, ajudando a aumentar o índice de conversão”, explica.
No setor de saúde, a gerente do Hospital de Odontologia Especializada (HOE), Regiane Santos, também destaca os impactos positivos da tecnologia na gestão do atendimento. Segundo ela, a ferramenta permite monitorar interações com pacientes e aprimorar o processo comercial.
“Hoje conseguimos entender melhor as objeções, identificar melhorias e até lembrar automaticamente os próximos passos combinados com o paciente”, afirma. Antes da implementação da plataforma, todo esse acompanhamento era feito manualmente.
“Precisávamos revisar conversa por conversa para entender o histórico do paciente. Agora a ferramenta já traz um resumo completo da interação, o que economiza tempo e aumenta nossa produtividade”, conclui.
Rede Venda Certa – Quipu
Durante o encontro na Fecomércio, o presidente do Sistema Comércio da Bahia, Kelsor Fernandes, e a coordenadora da CIT, Isabel Sartori, apresentaram os primeiros resultados da implementação da plataforma.
Os dados preliminares já demonstram impactos relevantes na digitalização e no desempenho das empresas participantes. Ao todo, 55 empresas concluíram a etapa de diagnóstico e 48 finalizaram o processo de setup, dentro de um universo de 122 inscrições registradas, com participação de negócios tanto da capital quanto do interior do estado.
A ferramenta acompanha todo o processo de vendas digitais e oferece dados, análises e insights estratégicos para melhorar a performance comercial das empresas.
Segundo Isabel Sartori, a formação da rede foi fundamental para mobilizar empresários do setor terciário interessados em ampliar sua presença digital.
“A Fecomércio Bahia, no âmbito da sua Câmara de Inovação e Tecnologia, liderou a formação da rede que integra o Venda Certa – Quipu. Buscamos empresários do comércio de bens, serviços e turismo que topassem o desafio de ampliar suas vendas digitais com o uso da tecnologia. A ideia é gerar aprendizado sobre o processo de vendas e oferecer capacitação especializada com inteligência artificial integrada”, explicou.
Para o CEO da Quipu, Verivaldo Lobo, a tecnologia desenvolvida pela empresa busca tornar as relações comerciais mais eficientes a partir da organização estratégica de dados.
“A Quipu nasceu com o objetivo de estruturar dados voltados ao relacionamento fornecedor-cliente para que ele seja mais produtivo e os negócios aconteçam de forma mais inteligente. No final do dia, chamamos isso de decodificar negócios. Nossa expectativa é transformar o mercado brasileiro, avançar para a América Latina e expandir globalmente”, afirmou.
Edital E-commerce.BR
O edital destinará R$ 4,92 milhões para fomentar as vendas on-line e prevê impactar mais de mil empresas fora do eixo Sul-Sudeste até o fim de 2026. Na fase piloto, nove projetos receberam R$ 380 mil cada, e três deles avançarão para a etapa de escala, com aporte adicional de R$ 500 mil.
No Nordeste, quatro iniciativas foram premiadas na primeira fase do edital, contemplando projetos no Piauí, Bahia, Alagoas e Paraíba. A região é a única com projetos selecionados nas três categorias da chamada pública.
O comércio eletrônico movimentou R$ 225 bilhões no Brasil em 2024, crescimento de 14,6% em relação ao ano anterior, segundo o MDIC. Apesar da expansão, a concentração regional ainda é elevada: o Sudeste responde por 77,2% das vendas on-line, enquanto o Nordeste representa 5,5%.
“Os dados mostram os desafios da digitalização fora dos grandes centros. A expectativa é que iniciativas como o E-commerce.BR tragam resultados consistentes e ajudem a reduzir a desigualdade regional que ainda existe nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste”, afirma Rodrigo Lobato, analista de Comércio Exterior do MDIC.
Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços
Economia
Governo cria linha de crédito para entregadores financiarem motos e bicicletas elétricas
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anuncia nesta sexta-feira, 12 de junho, no Palácio do Planalto, o Move Brasil – Entregadores e Motoapp, programa de financiamento especial voltado a profissionais que trabalham com entregas de mercadorias, transporte de passageiros ou transporte de cargas por meio de aplicativos ou com vínculo celetista.
A iniciativa tem como objetivo facilitar a aquisição de bicicletas elétricas, motonetas, ciclomotores, motos elétricas e motos flex, montados ou produzidos no Brasil. O programa busca renovar a frota, ampliar a produtividade e a segurança dos trabalhadores e contribuir para a descarbonização da mobilidade urbana.
Poderão participar entregadores ciclistas e motociclistas cadastrados em plataformas de aplicativo há pelo menos seis meses e que tenham realizado, no mínimo, 100 corridas ou entregas. Também poderão acessar o programa ciclistas, motofretistas e mototaxistas profissionais com carteira assinada há pelo menos seis meses na mesma empresa. Para os veículos que exigem habilitação, será necessário possuir Carteira Nacional de Habilitação na categoria “A”.
O Move Brasil – Entregadores e Motoapp permitirá o financiamento de um veículo por beneficiário, e os trabalhadores terão dois meses para começar a pagar e prazo de financiamento de até 48 meses. O seguro prestamista, proteção que ajuda a quitar a dívida em caso de imprevistos graves com o trabalhador, também poderá ser financiado. A linha contará com garantia do Fundo Garantidor de Operações (FGO).
As condições financeiras serão diferenciadas para homens e mulheres. Para homens, a taxa será de 12,5% ao ano, equivalente a 0,99% ao mês. Para mulheres, será de 11,5% ao ano, equivalente a 0,91% ao mês. Em uma simulação para operação de R$ 21 mil, a prestação ficaria em cerca de R$ 552.
Entre os itens financiáveis estão motocicletas, motonetas e ciclomotores flex de até 160 cilindradas produzidos no país; bicicletas e veículos autopropelidos elétricos de até 1.000 watts; e motos, motonetas e ciclomotores elétricos de até 7.500 watts, desde que produzidos no Brasil ou vinculados a projeto de investimento para produção nacional. Os veículos deverão ser zero-quilômetro.
A aprovação do cadastro no programa confirma que o profissional atende aos requisitos de participação, mas não garante automaticamente o financiamento, que ficará sujeito à análise de crédito dos bancos.
As montadoras também poderão oferecer descontos na aquisição dos veículos. A medida combina crédito, apoio dos bancos federais e participação do setor produtivo para reduzir o custo final aos trabalhadores e fortalecer a produção nacional.
A adesão será feita por meio da plataforma oficial gov.br/movebrasil, com autorização do profissional para compartilhamento de dados necessários à verificação dos requisitos do programa. O portal de cadastramento será aberto nesta sexta-feira, 12 de junho, mesma data de edição da medida provisória, do decreto e da resolução do FIIS que estruturam o programa.
Após o cadastro, o trabalhador será informado se atende às condições de participação. A partir de 13 de julho, os profissionais que receberem a confirmação poderão procurar a CAIXA, o Banco do Brasil ou instituições financeiras habilitadas para análise de crédito e contratação do financiamento.
Empresas
O programa também tem uma linha voltada a empresas, com financiamento para expansão da infraestrutura de recarga e troca de baterias de motos elétricas. A medida busca apoiar soluções de mobilidade urbana mais sustentáveis, com redução de emissões e da poluição sonora nos centros urbanos.
A linha para pessoas jurídicas poderá financiar itens como baterias, postos de troca e sistemas de recarga de motos elétricas, além de capital de giro associado, limitado a 30% do valor dos investimentos. O valor disponível é de R$ 70 milhões. As condições finais serão definidas em portaria do Ministério da Fazenda.
Como participar
1. Cadastro e consentimento
A primeira etapa é a adesão ao programa por meio da plataforma oficial gov.br/movebrasil. Ao se cadastrar, o profissional autoriza o compartilhamento dos seus dados para verificar se atende aos requisitos do programa.
2. Confirmação da participação
Após o cadastro, o profissional será informado, na plataforma, se atende aos requisitos para participar do programa.
Podem participar entregadores ciclistas e motociclistas cadastrados em plataformas de aplicativo há pelo menos seis meses e com, no mínimo, 100 corridas ou entregas realizadas. Também são elegíveis ciclistas, motofretistas e mototaxistas profissionais com carteira assinada há pelo menos seis meses na mesma empresa.
Para financiar veículos que exigem habilitação, será necessário possuir CNH categoria “A”.
A aprovação do cadastro não garante acesso à linha de financiamento. A contratação estará sujeita à análise de crédito dos bancos.
3. Solicitação do financiamento
A partir de 13 de julho, os profissionais que receberem a confirmação de participação poderão procurar a CAIXA, o Banco do Brasil ou instituições financeiras habilitadas para análise de crédito e contratação do financiamento.
Cada beneficiário poderá financiar um veículo: bicicletas elétricas, motonetas, ciclomotores, motos elétricas e motos flex, conforme as regras do programa. O veículo deverá ser zero-quilômetro e atender aos critérios de produção nacional ou projeto de investimento para produção no país.
Confira Perguntas Frequentes (FAQ)
Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços
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