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Dólar, juros e eleições colocam economia brasileira sob pressão em 2026, aponta Rabobank

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A economia brasileira entrou em 2026 cercada por incertezas externas e domésticas. Segundo análise divulgada pelo Rabobank, o cenário internacional, marcado pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio e pelas mudanças na condução da política monetária dos Estados Unidos, somado ao ambiente eleitoral no Brasil, deve manter elevada a volatilidade nos mercados ao longo do ano.

O relatório aponta que o Brasil segue “à mercê” do cenário global e das pesquisas eleitorais, em um contexto de desaceleração econômica, juros ainda elevados e pressão sobre o câmbio.

De acordo com o Rabobank, a expectativa é de que o dólar volte a ganhar força frente ao real até o fim de 2026, encerrando o período em torno de R$ 5,35. A projeção considera a redução do diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos, além das dúvidas fiscais em ano eleitoral.

IBC-Br sinaliza perda de força da economia brasileira

Um dos principais destaques do relatório foi a queda do IBC-Br em março, indicador considerado uma prévia do PIB calculado pelo Banco Central.

O índice recuou 0,67% na comparação mensal, resultado pior do que o esperado pelo mercado. Apesar disso, no acumulado do primeiro trimestre de 2026, a atividade econômica ainda registrou avanço de 1,3%.

Segundo os analistas do banco, os dados confirmam que a economia brasileira perdeu ritmo no início do ano, especialmente nos setores de serviços, indústria e agropecuária.

O Rabobank avalia que o crescimento econômico continuará moderado nos próximos meses, influenciado pelos juros elevados, pela desaceleração global e pelas incertezas políticas.

A instituição projeta crescimento do PIB brasileiro de 1,8% em 2026, abaixo do desempenho registrado nos anos anteriores.

Petróleo ajuda arrecadação federal

Mesmo com atividade mais fraca, a arrecadação federal segue em ritmo forte. Em abril, as receitas somaram R$ 278,8 bilhões, alta real de 7,8% na comparação anual.

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O avanço foi impulsionado principalmente pelo aumento da arrecadação de IOF, Imposto de Renda e CSLL, com destaque para os ganhos obtidos pelo setor de petróleo e gás natural.

Na avaliação do Rabobank, a elevação dos preços internacionais do petróleo causada pelas tensões no Oriente Médio tem ajudado o governo brasileiro a reforçar as receitas fiscais por meio de royalties e tributos ligados à cadeia energética.

Governo amplia programas de estímulo em ano eleitoral

O relatório também destaca o avanço de medidas fiscais com viés eleitoral.

Entre elas está o programa “Move Brasil Táxi e Aplicativos”, que prevê até R$ 30 bilhões em crédito subsidiado para taxistas e motoristas de aplicativo comprarem veículos novos.

Outro ponto citado foi a nova versão do programa Desenrola, voltada para renegociação de dívidas de famílias, estudantes, pequenos empresários e produtores rurais.

Segundo o Rabobank, essas iniciativas podem ajudar a sustentar o consumo no curto prazo, mas aumentam as preocupações com o equilíbrio fiscal do país.

Eleições de 2026 entram no radar do mercado

O ambiente político também ganhou destaque no relatório.

Pesquisas eleitorais recentes mostram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantendo liderança consistente nas intenções de voto para 2026, embora ainda sem vitória garantida em primeiro turno.

Ao mesmo tempo, os levantamentos indicam perda de força de Flávio Bolsonaro em alguns cenários, enquanto nomes da chamada terceira via seguem sem consolidação.

Para os analistas, o avanço das discussões eleitorais tende a aumentar a cautela dos investidores, principalmente diante das dúvidas sobre o futuro do arcabouço fiscal e das políticas econômicas após 2026.

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Commodities agrícolas seguem resilientes

No mercado internacional, o relatório mostra desempenho positivo das commodities agrícolas, mesmo em meio à volatilidade global.

Soja, milho e trigo registraram valorização semanal, sustentados por questões climáticas e pelo cenário internacional mais instável.

Já o petróleo Brent segue acima dos US$ 100 por barril, reforçando os impactos sobre inflação global, custos logísticos e fluxo financeiro para países exportadores de commodities.

Mercado acompanha inflação e próximos passos do Banco Central

Na política monetária, o Rabobank avalia que o Banco Central brasileiro deve manter postura cautelosa nos próximos meses.

A instituição projeta Selic em 13,25% ao final de 2026, diante das incertezas inflacionárias e dos riscos externos.

O banco também alerta que programas de estímulo ao crédito podem dificultar o trabalho da autoridade monetária no controle da inflação, especialmente em um ambiente de mercado de trabalho ainda resiliente.

Além disso, os investidores acompanham os desdobramentos da política monetária nos Estados Unidos, principalmente após a indicação de Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve.

Cenário exige cautela de produtores e investidores

Para o agronegócio e demais setores ligados às exportações, o ambiente continua marcado por oportunidades e riscos.

O câmbio mais valorizado pode beneficiar exportadores brasileiros, enquanto os preços internacionais das commodities seguem sustentados pelas tensões geopolíticas.

Por outro lado, juros elevados, desaceleração econômica e incertezas fiscais devem continuar pressionando custos de financiamento, consumo interno e investimentos ao longo de 2026.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Turismo rural ganha nova força na Zona da Mata com inauguração da Rota Ferrovia da Bocaina em Minas Gerais

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A Zona da Mata Mineira ganha um novo atrativo turístico e econômico nesta semana com a inauguração da Rota Ferrovia da Bocaina, iniciativa que une turismo rural, cultura, gastronomia, hospedagem e experiências no campo para impulsionar o desenvolvimento regional.

O projeto foi estruturado com apoio técnico da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG) e da Instância de Governança Regional (IGR) Serras de Ibitipoca, em parceria com produtores rurais, empreendedores locais e as prefeituras de Lima Duarte, Olaria e Bom Jardim de Minas.

A programação oficial de lançamento acontece entre os dias 3 e 6 de junho e deve atrair cerca de 300 visitantes para a região, consolidando uma nova opção de turismo rural em um dos cenários mais preservados de Minas Gerais.

Turismo rural como motor de desenvolvimento no campo

A abertura oficial da rota será realizada na quarta-feira (3), no Rancho Minas Forno, localizado na comunidade de Cachoeira de São Bento, zona rural de Lima Duarte.

O evento contará com a palestra “Turismo Rural e Desenvolvimento: Parcerias que Transformam Vidas no Campo”, ministrada pela coordenadora técnica estadual de Turismo Rural e Artesanato da Emater-MG, Thatiana Daniella Garcia.

Além da solenidade de inauguração, a programação inclui caminhada ecológica, passeio ciclístico, lançamento de livro e atividades voltadas à valorização do patrimônio natural, histórico e cultural da região.

A expectativa dos organizadores é fortalecer o turismo rural como uma importante fonte complementar de renda para agricultores familiares e empreendedores do meio rural.

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Rota conecta propriedades rurais, gastronomia e natureza

A Rota Ferrovia da Bocaina reúne 21 empreendimentos distribuídos entre restaurantes, pousadas, bares, propriedades rurais e atrativos turísticos.

Os estabelecimentos estão localizados nas comunidades de Cachoeira de São Bento, Rosa Gomes, Souza do Rio Grande, São José do Palmital, São Domingos da Bocaina, Capoeira Grande, Dois Córregos e Viegas, abrangendo os municípios de Lima Duarte, Olaria e Bom Jardim de Minas.

Com aproximadamente 85 quilômetros de extensão, o roteiro está situado entre a Serra Negra e a Serra de Ibitipoca, uma das regiões turísticas mais conhecidas de Minas Gerais.

Além das belezas naturais, o trajeto preserva vestígios do antigo ramal ferroviário que, no passado, deveria ligar os municípios de Lima Duarte e Bom Jardim de Minas, agregando valor histórico à experiência dos visitantes.

Projeto fortalece renda e sustentabilidade nas comunidades rurais

De acordo com a extensionista da Emater-MG, Roberta Brangioni, a iniciativa tem potencial para ampliar as oportunidades econômicas das comunidades envolvidas e estimular o desenvolvimento rural sustentável.

A proposta busca integrar a atividade agropecuária ao turismo, criando novas fontes de receita para famílias rurais e fortalecendo pequenos negócios locais ligados à gastronomia, hospedagem, artesanato e lazer.

Segundo a extensionista, o projeto também contribui para a valorização da identidade cultural das comunidades e para a permanência das famílias no campo por meio da diversificação das atividades econômicas.

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Trabalho começou em 2024 com participação das comunidades

A construção da rota teve início em 2024, durante o II Seminário Regional de Turismo Rural promovido pela Emater-MG.

A iniciativa surgiu após a demanda apresentada por uma produtora rural interessada em desenvolver um roteiro turístico capaz de conectar os atrativos da região.

A partir disso, técnicos da Emater-MG, da IGR Serras de Ibitipoca e representantes dos municípios realizaram diagnósticos participativos utilizando a metodologia Mexpar para identificar potencialidades locais, oportunidades de negócios e necessidades de qualificação.

O trabalho incluiu visitas técnicas, orientações sobre boas práticas agropecuárias, manipulação de alimentos, atendimento ao turista e serviços de hospedagem.

Infraestrutura e novos investimentos devem ser estimulados

Para o técnico da IGR Serras de Ibitipoca, Márcio Lucinda, a nova rota também poderá impulsionar investimentos em infraestrutura e serviços nas comunidades rurais.

A expectativa é que o aumento do fluxo de visitantes incentive melhorias em acessos, sinalização, equipamentos turísticos e oferta de serviços, ampliando a competitividade da região no mercado de turismo de experiência.

Com a inauguração da Rota Ferrovia da Bocaina, a Zona da Mata Mineira fortalece sua posição como destino de turismo rural e reforça uma tendência cada vez mais presente no agronegócio brasileiro: a integração entre produção rural, preservação ambiental, cultura local e geração de renda no campo.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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