Agro
Diesel ultrapassa R$ 7 por litro no Brasil e registra alta de até 27% em estados
Preço do diesel dispara e supera R$ 7/l na média nacional
O preço do diesel segue em forte alta no Brasil e já ultrapassa os R$ 7 por litro na média nacional. Levantamento da TruckPag, startup especializada em meios de pagamento para frotas pesadas, aponta a rapidez da escalada e evidencia diferenças regionais significativas em curto período.
Os dados são baseados em transações reais realizadas em milhares de postos, refletindo com maior precisão a realidade enfrentada pelas transportadoras.
Alta acelerada em poucos dias chama atenção do setor
De acordo com o levantamento, o preço médio do Diesel S10 passou de R$ 5,74 em 28 de fevereiro para R$ 7,07 em 16 de março. O aumento foi de R$ 1,33 por litro, o que representa uma alta de 23,10% em pouco mais de duas semanas.
A velocidade do avanço preocupa agentes do setor logístico, que já enfrentam pressão sobre custos operacionais.
Nordeste registra os maiores aumentos no período
Entre os estados, os maiores picos de alta foram observados no Nordeste. A Paraíba liderou com aumento de R$ 1,64 por litro no período analisado.
Já a Bahia apresentou uma das maiores variações proporcionais, com elevação de R$ 1,57 por litro, equivalente a 27,26%.
Estados estratégicos para o transporte também sofrem pressão
Importantes polos logísticos do país também registraram aumentos expressivos no preço do combustível, ampliando o impacto sobre o transporte de cargas.
Confira as variações:
- São Paulo: alta de R$ 1,34/l (+23,45%)
- Goiás: alta de R$ 1,44/l (+24,66%)
- Paraná: alta de R$ 1,54/l (+27,09%)
Alta do diesel é generalizada em todo o país
O movimento de alta não se restringe a regiões específicas e já atinge todo o território nacional. Outros estados também apresentaram variações relevantes, como:
- Tocantins: +26,16%
- Santa Catarina: +26,81%
- Maranhão: +24,20%
O cenário indica um avanço disseminado dos preços, com impacto amplo na logística nacional.
Dados em tempo real mostram dinâmica mais precisa do mercado
O levantamento da TruckPag considera transações realizadas em mais de 4.700 postos credenciados, sendo que 94% estão localizados em rodovias — principais pontos de abastecimento de caminhões.
Esse modelo permite acompanhar a variação dos preços ao longo do dia, oferecendo uma leitura mais fiel da realidade operacional das transportadoras.
Indicadores tradicionais não acompanham ritmo das oscilações
Segundo a empresa, os dados evidenciam uma defasagem em relação aos indicadores públicos, que não conseguem captar com a mesma velocidade as mudanças no mercado, especialmente em períodos de alta abrupta.
Alta do diesel pressiona frete e pode impactar preços ao consumidor
Com a disparada do diesel, aumenta a pressão sobre o custo do transporte e sobre as negociações de frete. O efeito pode se espalhar por toda a cadeia produtiva, chegando ao consumidor final.
A TruckPag compartilha essas informações com uma base de mais de 1.300 transportadores, que utilizam os dados para orientar decisões operacionais e comerciais em um momento considerado crítico para o setor.
Setor vê combustível como fator estratégico em cenário de volatilidade
Para Kassio Seefeld, CEO e fundador da TruckPag, a instabilidade no preço do diesel exige atenção redobrada das transportadoras.
“O combustível é um dos principais custos da operação, e qualquer aumento impacta diretamente o valor do frete. Mesmo com a recente queda do petróleo, os preços seguem sensíveis. Esse movimento pode chegar ao consumidor final, já que grande parte dos produtos depende do transporte rodoviário”, afirma.
Segundo ele, em momentos de volatilidade, a gestão de combustível passa a ter papel estratégico. “Mapear consumo, identificar desperdícios e acompanhar o preço real pago nos abastecimentos faz diferença direta na sustentabilidade financeira das operações”, destaca.
O executivo também ressalta que regiões mais distantes das refinarias e mais dependentes de diesel importado tendem a sentir os efeitos com maior intensidade. Apesar da recente queda do petróleo Brent abrir espaço para recomposição de estoques, o mercado ainda deve acompanhar com atenção as próximas semanas.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia
A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.
O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.
Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.
O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.
Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.
A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.
A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.
Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.
Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.
A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.
Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.
No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.
Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.
A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.
O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.
A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.
O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.
Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.
Fonte: Pensar Agro
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