Brasil
Dia das Mulheres e Meninas na Ciência: prêmio Carolina Bori Ciência & Mulher é entregue a pesquisadoras
No Dia Mundial das Mulheres e Meninas na Ciência, comemorado nesta quarta-feira (11), três cientistas foram homenageadas pela 7ª edição do Prêmio Carolina Bori Ciência & Mulher. Cada pesquisadora foi destaque em uma área do conhecimento, que determina também as categorias da premiação: Humanidades; Ciências Biológicas e da Saúde; e Engenharias, Exatas e Ciências da Terra.
Para a Ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, o prêmio é uma reafirmação do acordo civilizatório. “É um compromisso com a justiça, com a democracia, com a diversidade e com o futuro. Não existe desenvolvimento sustentável sem ciência, e não existe ciência forte, inovadora e transformadora sem a participação plena das mulheres”, disse a chefe da pasta, que participou da premiação de maneira remota.
Nesta edição, as ganhadoras foram a professora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) Luísa Lina Villa, na categoria Ciências Biológicas e da Saúde; a professora emérita da USP Ana Mae Tavares Bastos Barbosa, na categoria Humanidades; e da professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Iris Concepcion Linares de Torriani, na área de Exatas e Ciências da Terra.
“Essas mulheres, como tantas outras, são referências para o nosso desenvolvimento científico e tecnológico. Elas representam resistência, perseverança e transformação. Cada uma de vocês abriu portas para muitas outras, em todas as áreas, produzindo conhecimento, promovendo inovação e fazendo as coisas acontecerem”, parabenizou a ministra.
Além das ganhadoras, a ex-ministra da Saúde e sanitarista Nísia Trindade, a professora da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) Marília Oliveira Fonseca Goulart e a professora da USP Maria Arminda do Nascimento Arruda foram homenageadas e receberam menções honrosas.
Instituída em 2019 pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), a premiação tem o objetivo de reconhecer e homenagear cientistas brasileiras que se destacam em suas áreas de atuação e jovens pesquisadoras com grande potencial para uma carreira científica.
A ministra destacou que o prêmio é de extrema importância, especialmente pelas mulheres serem maioria nas graduações, mas minoria na pós-graduações. “A história da ciência é repleta de contribuições femininas que, por muito tempo, foram invisibilizadas. Mulheres que produziram conhecimento, formaram gerações, lideraram pesquisas estratégicas, mas que raramente ocuparam os espaços de reconhecimento. E não é por falta de capacidade. É porque a sociedade impõe limites. É porque o machismo ainda estrutura relações de poder, inclusive dentro das instituições científicas.”, disse a chefe da pasta.
A premiação homenageia a pioneira na ciência Carolina Martuscelli Bori (1924 – 2004). A pesquisadora é conhecida por ter introduzido no Brasil a Análise Experimental do Comportamento e ter sido a primeira mulher a presidir a SBPC, de 1986 a 1989.
Vencedoras
Na área de Exatas e Ciências da Terra, a ganhadora foi a professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Iris Concepcion Linares de Torriani. Nascida em Buenos Aires, capital da Argentina, a homenageada é especialista em estruturas de membranas biológicas e cristalografia.
Segundo Torriani, foi sua curiosidade que a fez seguir o caminho da ciência. “Fui primeiro descartando profissões e áreas que não gostaria de fazer, como trabalhar em comércio, contabilidade, advocacia, entre outros. No fim, escolhi aprender sobre o que me intrigava, que eram as questões da natureza e os fenômenos da vida no planeta”, contou.
Em Humanidades, uma das três categorias do prêmio, a ganhadora foi a professora emérita da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP Ana Mae Tavares Bastos Barbosa. Há mais de cinco décadas, ela se dedica ao desenvolvimento de estudos na área de Arte-Educação, abordagem pedagógica que trabalha a formação integral do indivíduo por meio das linguagens artísticas.
“Estou muito feliz por ter recebido este prêmio, que tem como patrona Carolina Bori, uma pessoa com quem tive grande proximidade intelectual. Sempre a admirei profundamente pela luta que empreendeu para consolidar a Psicologia como uma área e um campo acadêmico respeitável. Acompanhei de perto sua trajetória e tive diversos encontros com ela, com os quais aprendi muito. Inspirei-me especialmente em sua atuação. Assim como ela, meu objetivo sempre foi contribuir para que a Educação se tornasse uma área academicamente respeitada”, comentou a vencedora.
Já na categoria Ciências Biológicas e da Saúde, a homenageada foi a também professora da USP da Faculdade de Medicina e colaboradora do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp) Luísa Lina Villa. Referência internacional em pesquisas sobre o Papilomavírus Humano (HPV), a pesquisadora contribuiu para a comprovação científica da eficácia da vacina contra o vírus.
Para as meninas que sonham com a pesquisa, Luísa deixa um recado: “persiga o que você gosta, trabalhe muito e esteja perto de pessoas que reconheçam seu potencial. Se o ambiente não valorizar o seu trabalho, procure outro”.
Brasil
Aedes aegypti: 49% dos municípios avaliados estão em situação de alerta ou risco
O Ministério da Saúde divulgou o resultado do 2º ciclo do Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa), realizado entre maio e agosto de 2026. Dos 3.732 municípios que informaram dados, 49,2% apresentaram índices que indicam situação de alerta ou de risco para a presença do mosquito, transmissor da dengue, da chikungunya e da zika.
O levantamento identifica os principais tipos de criadouros do Aedes aegypti e é uma ferramenta estratégica para orientar as ações de vigilância, prevenção e controle nos territórios. Os resultados permitem que gestores locais direcionem as medidas de acordo com a situação encontrada em cada município.
Os dados mostram que a maior parte dos focos está em recipientes presentes no dia a dia da população. Vasos e pratos de plantas, garrafas e outros recipientes que podem acumular água correspondem a 42,3% dos criadouros identificados. Na sequência, aparecem os reservatórios de água, como caixas d’água e tonéis (26,1%), e pneus e resíduos sólidos, incluindo garrafas PET, latas e entulho (23%).
O perfil dos criadouros varia entre as regiões do país. Na Região Norte, predominam pneus e resíduos sólidos. Na Região Nordeste, destacam-se os recipientes utilizados para armazenamento de água. Já nas Regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste, a maior concentração está em vasos, pratos de plantas, garrafas e outros recipientes.
Preparação para o período de maior risco
Com a aproximação do verão e as condições climáticas associadas ao El Niño, os resultados do LIRAa ajudam estados e municípios a se prepararem para o período de maior risco de proliferação do Aedes aegypti. Os resultados do LIRAa ajudam a identificar áreas em situação de alerta ou risco, reconhecer os principais tipos de criadouros e orientar ações antecipadas de prevenção e controle, de acordo com a realidade de cada território.
A eliminação de criadouros é uma medida fundamental, com atuação integrada da gestão, dos serviços de saúde, das equipes de agentes de combate às endemias e da população.
Ações de prevenção e controle
Os Agentes de Combate às Endemias (ACE) atuam na prevenção e no controle das arboviroses, com identificação e tratamento de criadouros que não podem ser eliminados, orientação da população e ações de vigilância. A atuação integrada com os Agentes Comunitários de Saúde (ACS) contribui para a articulação entre a Vigilância em Saúde e a Atenção Primária nos territórios. Até o fim deste ano, está prevista a formação de mais 300 mil profissionais.
As ovitrampas são dispositivos utilizados para monitorar a presença do Aedes aegypti a partir da coleta de ovos do mosquito e podem ajudar a identificar áreas com maior presença do vetor. A estratégia está presente em aproximadamente 2 mil municípios e fornece informações complementares aos indicadores obtidos pelo LIRAa, contribuindo para orientar as ações de vigilância e controle.
Entre as tecnologias de controle vetorial utilizadas no país estão a Borrifação Residual Intradomiciliar (BRI-Aedes) em imóveis especiais, como escolas, unidades de saúde e locais de grande circulação, as Estações Disseminadoras de Larvicida (EDL) e o método Wolbachia.
Cuidados dentro e fora de casa
A população também tem papel importante na prevenção. A orientação é fazer vistorias regulares em casa e nos espaços ao redor para identificar e eliminar locais que possam acumular água.
É importante verificar vasos e pratos de plantas, garrafas, baldes, pneus, calhas, ralos, caixas d’água e outros recipientes. Sempre que possível, eles devem ser esvaziados, descartados ou mantidos protegidos da chuva.
Caixas d’água, tonéis e cisternas devem permanecer bem fechados. Garrafas e baldes devem ser guardados virados para baixo, enquanto calhas e ralos precisam ser mantidos limpos. Pneus, latas, plásticos e entulhos devem receber destinação adequada.
Esses cuidados devem fazer parte da rotina durante todo o ano e ganham ainda mais importância nos períodos em que as condições ambientais favorecem a reprodução do Aedes aegypti.
Casos de dengue caem 70% em 2026
O Brasil registra queda de aproximadamente 70% nos casos prováveis de dengue em 2026, na comparação com o mesmo período de 2025. Até 26 de setembro, foram contabilizados 470,5 mil casos prováveis no país, contra 1,5 milhão no mesmo período do ano anterior.
Também houve redução nos registros de chikungunya e Zika. Foram contabilizados 67.902 casos de chikungunya, 43% a menos que os 118.885 registrados em 2025. Para Zika, foram 2.141 casos, 35% abaixo dos 3.724 casos registrados no mesmo período do ano anterior.
Os resultados do LIRAa reforçam a importância de manter as medidas de prevenção e controle do Aedes aegypti. Com a aproximação do verão e as condições climáticas associadas ao El Niño, a adoção antecipada dessas medidas por estados, municípios e população contribui para reduzir o risco de transmissão das arboviroses no próximo período sazonal.
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
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