Agro
Dependente de importações, Brasil acende alerta para custos da próxima safra
O aumento recente dos preços internacionais dos fertilizantes fosfatados reacendeu um tema antigo, mas ainda não resolvido no país: a vulnerabilidade externa do abastecimento agrícola. O Brasil é hoje uma potência produtora de grãos, fibras e proteínas, mas permanece fortemente dependente de insumos importados — especialmente fertilizantes.
O país importa cerca de 85% dos nutrientes utilizados nas lavouras, proporção ainda maior no caso dos fosfatados e potássicos. Isso faz com que qualquer alteração no mercado internacional chegue rapidamente ao custo de produção dentro da fazenda.
Esse quadro voltou ao centro das atenções com a recente alta global dos fertilizantes fosfatados. O mercado internacional entrou em fase de restrição de oferta e já impacta diretamente o planejamento da safra.
A China reduziu exportações para priorizar o consumo interno durante o período do Ano Novo Lunar, enquanto os Estados Unidos ampliaram compras para a safra de primavera. O efeito combinado foi diminuição da disponibilidade global e sustentação das cotações.
Preços sobem também no mercado brasileiro
O reflexo chegou rapidamente ao país. O MAP — sigla do fosfato monoamônico, principal fonte de fósforo utilizada no plantio de soja e milho — avançou cerca de US$ 15 por tonelada na semana, sendo negociado próximo de US$ 712/t, aproximadamente R$ 3.845 por tonelada ao câmbio de R$ 5,40.
Outros produtos acompanham o movimento. O SSP (superfosfato simples) acumula valorização de 13,3% em 2026, enquanto o TSP (superfosfato triplo) sobe 9,2% no mesmo período. Como o fósforo é essencial para o desenvolvimento inicial das culturas, há pouca margem técnica para reduzir aplicação sem comprometer produtividade.
Apesar da alta, as compras seguem lentas. A relação de troca piorou e são necessárias mais sacas de soja para adquirir o mesmo volume de fertilizante. Com margens apertadas e dólar elevado, produtores têm optado por postergar aquisições.
O câmbio pesa diretamente porque o insumo é majoritariamente importado. Ao mesmo tempo, a comercialização antecipada da soja ocorre de forma cautelosa, reduzindo a liquidez nas propriedades.
Analistas avaliam que a estratégia é compreensível, mas arriscada: concentrar compras perto do plantio pode significar preços ainda maiores ou dificuldades logísticas de entrega.
Por que o Brasil ficou dependente
A dependência brasileira não surgiu por falta de recursos naturais ou capacidade industrial. O país possui reservas minerais e acesso a gás natural — matéria-prima básica para a produção de fertilizantes nitrogenados. O que ocorreu foi uma mudança de orientação econômica e energética ao longo da última década.
Até meados dos anos 2010, a produção doméstica era considerada estratégica. A Petrobras operava fábricas de amônia e ureia e havia projetos de expansão industrial. A unidade planejada em Três Lagoas (MS), por exemplo, seria uma das maiores produtoras de ureia da América Latina.
A partir de 2015, a estatal passou a concentrar investimentos na exploração de petróleo e reduzir participação em áreas fora do núcleo principal do negócio. Entre 2018 e 2022, foram paralisadas as fábricas nitrogenadas da Bahia e de Sergipe e, posteriormente, a unidade de Araucária (PR). A planta de Três Lagoas teve as obras interrompidas e nunca entrou em operação.
O fator determinante foi o custo do gás natural. Como a ureia é derivada diretamente desse insumo, a produção nacional perdeu competitividade frente a países com gás barato, como Rússia, Estados Unidos e produtores do Oriente Médio. A alternativa econômica passou a ser importar. A consequência foi estrutural: o Brasil ampliou sua produção agrícola, mas reduziu a produção dos insumos necessários para sustentá-la.
Após a crise internacional de fertilizantes de 2022, o governo federal lançou o Plano Nacional de Fertilizantes, que prevê ampliar a produção interna ao longo dos próximos anos por meio de reativação industrial, mineração de nutrientes e estímulo a bioinsumos. O objetivo é diminuir a exposição a choques externos, ainda que sem eliminar as importações no curto prazo.
Para o produtor rural, o efeito é direto. O fertilizante tornou-se um dos principais componentes do custo operacional da lavoura e sua formação de preço depende majoritariamente do exterior. Assim, mesmo com produtividade crescente e tecnologia avançada no campo, parte relevante da competitividade do agro brasileiro continua vinculada a fatores fora do país — do preço do gás natural no mundo às decisões de exportação de grandes fornecedores.
Em outras palavras, o Brasil aumentou sua capacidade de produzir alimentos em escala global, mas ainda não garantiu a mesma autonomia para produzir os insumos que sustentam essa produção. E sempre que a oferta internacional aperta, o primeiro impacto aparece no custo de produção dentro da porteira.
Fonte: Pensar Agro
Agro
Encefalites equinas ameaçam rebanhos no Brasil e reforçam importância da vacinação preventiva
Com um rebanho estimado em cerca de 5,8 milhões de equinos, o Brasil figura entre os maiores criadores de cavalos do mundo. A atividade movimenta bilhões de reais anualmente e desempenha papel estratégico em segmentos como esporte, lazer, trabalho e reprodução. Nesse cenário, a prevenção de doenças que afetam a saúde dos animais é considerada fundamental para a sustentabilidade da equideocultura nacional.
Entre os principais desafios sanitários do setor estão as encefalites equinas, enfermidades virais que afetam o sistema nervoso central e podem causar sérios prejuízos aos criadores. As doenças exigem atenção permanente de proprietários, médicos-veterinários e profissionais ligados à cadeia produtiva dos equinos.
Encefalites equinas representam risco para a saúde animal
As principais enfermidades desse grupo incluem a Encefalite Equina do Leste (EEE), a Encefalite Equina do Oeste (WEE) e a Encefalite Equina Venezuelana (VEE). Todas são transmitidas principalmente pela picada de mosquitos dos gêneros Culex e Aedes, que atuam como vetores dos vírus causadores da doença.
Os animais infectados podem apresentar sintomas neurológicos graves, alterações comportamentais, perda de coordenação motora, dificuldade de locomoção e redução significativa do desempenho físico. Em casos mais severos, a doença pode evoluir para óbito.
Por se tratar de enfermidades que afetam diretamente o sistema nervoso, especialistas alertam para a importância da adoção de medidas preventivas contínuas ao longo de todo o ano.
Cavalos de competição exigem atenção redobrada
Animais que participam regularmente de provas, exposições, leilões e competições equestres estão entre os mais expostos aos riscos sanitários.
O deslocamento frequente para diferentes regiões aumenta o contato com ambientes variados e pode elevar a exposição aos mosquitos transmissores, especialmente em locais com condições favoráveis à proliferação dos insetos.
Raças de grande relevância para a equideocultura brasileira, como o Quarto de Milha e o Mangalarga Marchador, somam mais de 700 mil animais registrados no país e movimentam mais de R$ 9 bilhões por ano em atividades relacionadas ao setor.
Diante desse cenário, a manutenção de protocolos sanitários rigorosos é considerada essencial para preservar a saúde e o desempenho dos animais.
Vacinação é a principal ferramenta de prevenção
Especialistas destacam que a vacinação continua sendo a medida mais eficiente para reduzir os riscos associados às encefalites equinas.
Além da imunização, outras práticas de manejo sanitário contribuem para o controle da doença, como a eliminação de criadouros de mosquitos, o controle de insetos nas propriedades, a drenagem de áreas com água parada e o acompanhamento rigoroso do calendário sanitário dos animais.
Segundo Chester Batista, gerente técnico de Equinos da Zoetis Brasil, a prevenção deve ser tratada como prioridade dentro das propriedades.
“A vacinação associada a um manejo sanitário adequado contribui para proteger a saúde dos equinos, preservar seu desempenho e garantir o bem-estar dos animais ao longo de toda a vida produtiva”, ressalta.
Sanidade fortalece a competitividade da equideocultura
O avanço da equideocultura brasileira tem aumentado a necessidade de investimentos em sanidade animal, especialmente em um mercado cada vez mais profissionalizado e exigente.
A adoção de programas preventivos, aliada ao acompanhamento veterinário constante, reduz riscos sanitários, minimiza perdas econômicas e contribui para o desenvolvimento sustentável da atividade.
Além de proteger os animais contra enfermidades de alto impacto, a prevenção fortalece a segurança sanitária dos plantéis e ajuda a manter a competitividade do setor, que segue entre os mais relevantes da pecuária nacional.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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